‘A magia acontece nos encontros’, diz fundador do Badoo

O russo Andrey Andreev é um pioneiro da internet: desde o final dos anos 1990, ele construiu negócios digitais de publicidade e que rastreavam os hábitos dos usuários, antes de gigantes americanas como o Google fazerem isso. Também é o fundador do Badoo, um dos primeiros serviços de namoro online. É uma história iniciada em 2006 e que ganhou uma nova página nesta sexta-feira, 8, quando ele decidiu vender sua participação na MagicLab, holding que controla o Badoo e também o Bumble à gestora de investimentos Blackstone, em um negócio que avaliou o conglomerado em US$ 3 bilhões.

“O setor de apps de namoro se tornou um dos mais bem-sucedidos da indústria e a Blackstone entendeu o potencial do nosso negócio”, explica Andreev, em entrevista exclusiva ao Estado. “Agora, tenho a oportunidade de voltar para algo que pessoalmente amo: construir novas e grandes ideias.”

Na entrevista a seguir, ele fala mais sobre o negócio em si, explica o que fazem os apps do grupo – além do Bumble, que tem um perfil “feminista”, o MagicLab tem os serviços Chappy e Lumen – e poetiza sobre o mercado de relacionamentos. “A magia acontece nos encontros”, diz.

O que gerou o interesse da Blackstone no negócio?

O setor de apps de namoro se tornou um dos mais bem-sucedidos da indústria. Estávamos procurando um parceiro para crescer nossos negócios de forma sem precedentes. A Blackstone é uma empresa global com meio trilhão de ativos em quase todas as indústrias. Senti que eram o parceiro certo por entender o potencial do nosso negócio. Ao mesmo tempo, percebi que era uma ótima oportunidade para ceder o controle dos negócios que criei enquanto eles estão em seu melhor momento. Com a negociação, tenho a oportunidade de voltar para algo que pessoalmente amo: construir novas e grandes ideias.

O que faz a MagicLab um negócio de US$ 3 bilhões?

Nós temos mais de 500 milhões de usuários e somos pioneiros no namoro online. Nosso modelo gratuito, mas com microtransações, superou os sites de “encontros”, com funcionalidades como a possibilidade de ter álbuns de fotos e conversar com as pessoas em uma ferramenta de mensagens. Era bem melhor que os sistemas de e-mail da época. Também fomos os primeiros a estar nos smartphones de forma massiva – estamos no iOS e no Android desde 2009. Com tecnologia, fizemos a função de encontrar “pessoas próximas” do usuário, o que revolucionou o mercado. Além disso, eu inventei várias grandes funções da indústria, como a possibilidade de “votar” em outros usuários ou permitir que usuários paguem para aparecer mais na plataforma.

Como o sr. define a diferença entre os negócios da empresa?

O Bumble é um aplicativo que busca acabar com a misoginia, empoderando as mulheres e dando a elas o espaço para dar o primeiro passo. O Badoo é um lugar onde as pessoas para namoros honestos. Já o Chappy e o Lumen são dois aplicativos com “missões” dentro da MagicLab: o Chappy quer acabar com os esterótipos gays e ser um espaço seguro para este público, enquanto o Lumen foi criado para ajudar maiores de 50 a conhecer novas pessoas.

O mercado de apps de namoro é complicado: se ele atinge seu objetivo, que é conectar pessoas, ele perde público. Como o sr. lida com isso?

Acreditamos que a magia acontece nos encontros. Quanto mais conseguirmos criar relacionamentos para a comunidade, mais seremos recomendados pelos usuários para seus amigos. As pessoas estão no centro do que fazemos.

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Fonte: PORTAL TERRA – TECNOLOGIA

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