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A moda circular ganha tração

Neste ano, como a cada fevereiro, começa mais uma temporada de moda internacional. O início é em Nova York e, depois, os desfiles vão para Londres, Milão e terminam em Paris – por causa da pandemia, a viagem fashion desse 2021 será virtual. Juntas, as quatro capitais da moda mundial contam com cronograma de mais de 350 desfiles diferentes.

Em média, cada marca apresenta em torno de 30 looks completos, ou seja, são mais de 11 mil novos modelos de blusas, calças, vestidos, sapatos e bolsas a cada temporada. Segundo informações da equipe de pesquisa responsável pelo documentário The True Cost, o mundo consome anualmente cerca de 80 bilhões de peças de roupas. Produção que demanda grande quantidade de recursos ambientais e que muitas vezes causa danos irreparáveis ao meio ambiente.

Para tentar reverter a exploração desenfreada de recursos naturais, novos empreendimentos estão surgindo na era digital. Um deles é consequência direta da atualização de um modelo já conhecido do público. Os brechós virtuais, agora, surgem como um caminho na promoção de uma economia circular e, portanto, mais sustentável.

A brasileira EMIGÊ.it já é um dos frutos dessa era em que empreendedores carregam novos propósitos. Há cinco meses, os sócios Diego Mazon e Maria Gedeon criaram a startup a partir do desejo de a Terra ser um planeta melhor. “Durante a quarentena, deixei meu trabalho para focar nessa ideia. A crise de saúde mundial me fez pensar qual era o meu propósito neste mundo. A forma que encontrei de ter impacto positivo e real no planeta foi trabalhar com a moda de segunda mão”, explica Mazon, que antes de lançar a plataforma trabalhava no mercado publicitário.

Com centro de operações que recebe as roupas de pessoas que querem vender, “ou desapegar”, como diz o cofundador da empresa, a EMIGÊ.it conta com um time de curadoria que avalia a qualidade das peças antes de serem colocadas à venda: a regra de ouro é que todas estejam em perfeito estado. Após passarem pelo crivo dos avaliadores, os clientes recebem uma oferta pelas peças enviadas, que seguem para a higienização e só depois são disponibilizadas online para ganharem uma nova vida no armário de outra pessoa.

“Apesar de sermos uma empresa muito nova, já observamos um grande interesse por parte do público brasileiro. Quando vendemos uma peça usada, conseguimos reduzir em torno de 80% do impacto ambiental dela”, revela Mazon, quando perguntado sobre os benefícios da moda de segunda mão. “Nesses cinco meses de vida, a EMIGÊ.it economizou 1,5 milhão de litros de água, o equivalente ao consumo de 2 mil pessoas por um ano. Além disso, evitou que 2 toneladas de carbono fossem emitidas na atmosfera, valor equivalente a 300 árvores por um ano”, afirma o empresário.

Outra startup brasileira que se tornou um grande player do setor de brechós online é a Repassa, que foi fundada em 2015 e recentemente recebeu aporte de R$ 7,5 milhões de fundos de venture capital e investidores-anjos. “Uma peça usada é tão útil quanto uma nova, mas até 90% mais barata, muito mais sustentável e exclusiva. Ao aumentarmos o ciclo de vida das roupas das pessoas, também entregamos uma solução de economia circular para marcas de varejo de moda. Dessa forma, conseguimos minimizar o impacto ambiental”, explica Tadeu Almeida, fundador e CEO da Repassa.

A economia circular, por definição, é um conceito que promove a reciclagem e a recuperação de bens de consumo, evitando o descarte precoce e, por consequência, diminuindo o uso de recursos naturais do planeta. Um conceito contemporâneo e sustentável, com projeção de crescimento expressivo nos próximos anos, segundo relatório de pesquisas do Thred Up, uma das maiores empresas dos Estados Unidos especializada em venda de roupas de segunda mão. Segundo ela, o mercado global de brechós deve crescer em torno de 39% ao ano, chegando a movimentar US$ 64 bilhões em 2024. Moda que faz a economia girar sob um propósito de preservar o planeta, a natureza e a vida humana.

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Fonte: Terra

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