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Acabou o medo do Flamengo. Troca de Jesus por Domènec foi um erro – Esportes



São Paulo, Brasil


Jorge Jesus embarcou para Portugal no dia 21 de julho.


Deixava o Flamengo campeão da Libertadores, do Brasil, da Recopa Sul-Americana, da Supercopa do Brasil, do Rio de Janeiro.



Vice-campeão do mundo.


Convicto que iria manter a hegemonia, seguir sendo o melhor da América do Sul. 


O objetivo era conquistar o título mundial.


24 dias depois, o clube parece outro.


Irreconhecível.


Em cinco partidas do Brasileiro, apenas cinco pontos. Dez já foram desperdiçados.


Uma vitória, dois empates e duas vitórias.


Na incômoda 13ª posição.


Atrás de Vasco, Fluminense e Botafogo.


Não é um realinhamento, como a diretoria faz questão de minimizar.


O Flamengo entrou em um processo de decadência assustador.


O vestibular que o vice Marcos Braz e o diretor Bruno Spindel fizeram na Europa merece todo questionamento.


Eles trocaram um treinador com trabalho espetacular na Gávea, vivido, rígido, objetivo, prático, por um defensor da utopia, bonachão, cujo maior mérito foi ser auxiliar, alguém que submetia suas ideias a um chefe, por onze anos, Pep Guardiola.


Quem o conhecia bem, conviveu com Domènec Torrent por três anos, foi embora.


Assim que Jorge Jesus negociou seu retorno ao Benfica, virando as costas ao Flamengo, o experiente lateral não quis seguir na Gávea.


Sabia que tudo mudaria com Domènec.


Não foi por acaso que inimigos de Rafinha o ironizavam como ‘entregador de Gatorade’ no Bayern. Trabalhando com Guardiola e Torrent como seu auxiliar, o lateral brasileiro passou mais tempo como reserva do que titular.


Ele sabia que ambos gostam de atuar com um zagueiros versáteis pelos lados do campo. E não deu outra. 



Logo no segundo jogo do Brasileiro, depois da derrota para o Atlético Mineiro, em pleno Maracanã, contra o Atlético Goianiense, lá estava Rafinha no banco de reservas e vendo o catalão impor um esquema completamente diferente do de Jorge Jesus.


A derrota por 3 a 0 e a suplência foram a senha. E Rafinha percebeu que o melhor a fazer seria ir ganhar mais dinheiro no Olimpiakos, virar a página. Deixar o Flamengo era necessário, para sair do controle de quem o via como reserva. E que implodiria tudo de bom que o treinador português havia construído.


Quem ficou teve de implorar, em uma reunião ainda em Goiânia, para que Domenèc deixasse de ser radical. E voltasse atrás, permitindo que os jogadores atuassem como estava dando tão certo, com Jorge Jesus.


O técnico fez um pacto. Iria mudar aos poucos, não de forma tão intensa como acontecera contra o Atlético Goianiense.



Veio a vitória contra o Coritiba, no Paraná. Amenizou o clima na Gávea. Mas os empates contra o Grêmio e Botafogo, com o time jogando mais ‘a la Domènec’, já trouxe instabilidade ao elenco.


Os jogadores estão mais irritadiços, tensos. Sem paciência.


E aproveitando a postura bonachona de Torrent, atitudes impensáveis com Jorge Jesus estão se repetindo.


A primeira é com Arrascaeta. O uruguaio está irritado por começar a ser visto como reserva. O treinador catalão, questionado pela imprensa, tentou se defender, e disse que, contra o Botafogo, começaram aqueles que estavam melhores fisicamente.



E que havia alguns jogadores se recuperando de lesões.


Arrascaeta não deixou por menos.


No twitter, o uruguaio foi direto.


“Tem muita gente me perguntando se tenho alguma lesão, estou 100 % graças a Deus”, escreveu.




Na mesma partida, Gabigo discutiu com Rodrigo Caio e Diego Alves. Em alto brado, diante das câmeras que acompanhavam o clássico. Nenhum dos três fez questão de disfarçar.


Domènec acompanhava tudo de braços cruzados, como costuma ficar durante os jogos, transmitindo não segurança, mas passividade.


Ele não cumpriu sua promessa em Goiânia.


O Flamengo mudou demais taticamente.


Acabou com a movimentação constante do time.


E faz com que cada um ocupe determinado espaço no gramado.


Críticos insistem na comparação.



Em vez do time que ganhava tudo, se movendo como em uma partida de videogame, agora, o Flamengo está estático. Comou um time de pebolim.


O trabalho de Torrent já está sendo questionado.


A diferença na maneira de trabalhar, de montar o time é diferente demais, em relação a Jesus.


As críticas atingem em cheio Braz e Spindel, que escolheram Domènec.


O presidente Rodolfo Landim é prático.


Para ele, que trabalhou por anos com Eike Batista, vitórias, conquistas de campeonatos, significam dinheiro. 


Não bastasse a pandemia, para travar o plano econômico que Landim traçou para 2020, agora há a incerteza sobre o time.


A cobrança do presidente em relação ao treinador é o de um alto executivo, ele quer resultados. Em todos os torneios, mas principalmente, na Libertadores.



O campeonato retorna para o Flamengo no dia 17 de setembro, contra o ótimo Independente del Valle, comandado pelo também espanhol Miguel Ángel Ramírez, que tem inúmeros defensores na Gávea.


Até lá, o Flamengo terá enfrentado o Santos, na Vila Belmiro; o Bahia, em Pituaçu, o Fortaleza, no Maracanã; Fluminense, no Maracanã; e o Ceará, no Castelão.


Domènec tem cinco partidas para encaixar esse time.


Fazer o Flamengo voltar a ser poderoso.


Temido. 


A cobrança já é incômoda.


Jogadores já analisam com carinho a chance de sair.


Não há mais aquele elo com o clube que Jorge Jesus conseguiu.


Da mesma maneira com que, em 2019, o Flamengo surpreende, em 2020.


Mas de um jeito negativo.


Escancara o quanto custa trocar um comandante.


Uma filosofia.


Não houve lógica, em escolher alguém que encara o futebol de forma tão diferente de Jorge Jesus.


E o clube paga o preço. 


Perdeu sua aura vencedora.


Os adversários perderam o medo pelo Flamengo…


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Fonte: R7

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