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Acionistas do Pão de Açúcar receberão papéis do atacarejo Assaí nesta sexta-feira: é um bom negócio?

SÃO PAULO – Nessa sexta-feira (26), depois do fechamento do mercado, os acionistas do Pão de Açúcar (PCAR3) vão receber ações do Assaí (ASAI3) – ou Sendas – na mesma proporção da sua participação no GPA com a cisão das companhias. Assim, a partir da próxima segunda-feira (1), as ações ASAI3 vão passar a ser negociadas na B3. Todas ações compradas e detidas de PCAR3 até esta sexta-feira terão direito de receber ações ASAI3 na mesma proporção.

Ou seja, conforme destacam Danniela Eiger, Marco Nardini e Thiago Suedt, analistas da XP, em relatório chamado “Compre um, leve dois; mas a oferta é limitada para essa semana”, quem tiver uma ação da PCAR3 nesta sexta amanhecerão na segunda com duas ações, uma PCAR3 e outra ASAI3.

E essa pode ser uma grande oportunidade, ainda mais em um ambiente em que cada vez mais analistas veem a ação PCAR3 como barata e com bom potencial de alta, principalmente com os bons resultados reportados do quarto trimestre nesta semana e com o gatilho de curto prazo a partir da cisão do Assaí.

Os analistas apontam que o Assaí é atualmente a maior marca operada pelo Casino no mundo, destacando ainda a força do atacarejo (faz o papel de loja e de atacadista), que é o principal canal utilizado pelas famílias brasileiras (62% das cidades brasileiras). A sua participação de mercado é de 29% atualmente, com expansão de 9 pontos percentuais nos últimos 5 anos, possui 184 lojas em 23 estados brasileiros (não estão presentes somente no Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Acre) e com 10 centros de distribuição localizados nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste.

Além disso, avaliam, a estrutura dos líderes regionais independentes permite que a companhia adapte o sortimento, modelo de negócios e comunicação para atender às necessidades locais. O Passaí (marca própria de cartão) foi lançado há 2 anos e já representa 5% do faturamento bruto – o que os analistas veem como positivo em termos de produtividade das lojas (ticket médio 40% acima da média) e receita financeira.

A companhia ainda está revisitando sua estratégia digital e deve lançar uma iniciativa voltada para clientes B2B, além de estudar uma eventual expansão da sua atuação para o atacado de distribuição. Mas o foco está primeiro em alcance de capilaridade, para que a diluição das despesas compense o impacto nas margens brutas.

Pão de Açúcar: velho conhecido, mas com potencial 

Com relação ao Pão de Açúcar, os analistas destacam que é um velho conhecido, mas com iniciativas positivas em andamento.

Danniela, Nardini e Suedt ressaltam que o GPA é uma companhia focada no varejo alimentar na América Latina, com 1,5 mil lojas no Brasil (55% do Ebitda), Colômbia (35% do Ebitda), Uruguai (9% do Ebitda) e Argentina (1% do Ebitda), sendo o oitavo maior varejista brasileiro, com vendas brutas totais de R$ 31,1 bilhões em 2020 (R$ 55,7 bilhões considerando as operações fora do Brasil).

“Nós destacamos que as preocupações dos investidores se concentram mais nessa companhia e, portanto, pode haver alguma volatilidade na performance do papel depois da cisão. No entanto, diversas iniciativas foram implementadas para otimizar as operações, enquanto vemos o e-commerce como um risco positivo”, apontam.

Para eles, há quatro principais destaques da tese de investimento. Em primeiro lugar, está a expansão de margem Ebitda sustentada por melhorias operacionais, como o ajuste na proposta de valor dos hipermercados, conversões de lojas do GPA e introdução de novos conceitos no Grupo Éxito (Éxito WoW e Carulla) e GPA Brasil (conceito G7, ou sétima geração, no Pão de Açúcar, promovendo nas experiências para os clientes).

A digitalização é vista como um ponto positivo, pois o principal foco permanece no varejo alimentar no curto prazo, que é uma das categorias que, na visão dos analistas, demanda um marketplace de nicho, enquanto a companhia está aberta para parcerias com outros marketplaces para alavancar o seu. “Além disso, nós acreditamos que o GPA conta com vantagens competitivas como forte posicionamento de marca, capilaridade das lojas, capacidade de última milha, alta frequência de compra (3 a 4 vezes por mês) e base de clientes sólida, para nomear alguns”, apontam.

Apesar da pouca atenção dada para o Grupo Éxito, os analistas apontam que eles têm marcas muito reconhecidas na Colômbia e Uruguai, contam com uma penetração de marcas próprias de 17% (alimentar) e 34% (não-alimentar) e plataforma multicanal sólida.

Além disso, há riscos positivos interessantes, como o aumento de produtividade de loja impulsionado pelo programa de fidelidade; as iniciativas na frente financeira e monetização de créditos fiscais, totalizando R$1,2 bilhão (em 5 anos) relacionado à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins.

Ao fazer uma análise de sensibilidade para entender o potencial de alta dos ativos, os analistas assumiram que o Assaí vai negociar em linha com o múltiplo atual do varejista Grupo Mateus (GMAT3) depois da cisão, em 19,2 vezes a relação preço sobre lucro (P/L) esperado para 2021.

Já os preços atuais da PCAR3 hoje refletem um múltiplo de 7 vezes o preço sobre lucro esperado para 2021, muito mais baixo quando comparado a uma média ponderada dos pares da América Latina de 22,3 vezes o P/L esperado para o ano. Em meio a esse cenário, os analistas mantêm recomendação de compra para as ações PCAR3, com preço-alvo de R$ 103 por ação.

Vale ressaltar que, logo após a divulgação do resultado do quarto trimestre de 2020, na última terça-feira, o Credit Suisse divulgou análise sobre o Pão de Açúcar apontando que a ação tem aparecido em conversas com investidores como uma das maiores assimetrias da Bolsa.

Na ocasião, os analistas destacaram ver justamente um gatilho de curto prazo com a listagem do Assaí na Bolsa que, por si só, pode valer praticamente todo o valor de mercado atual do Pão de Açúcar, atualmente em R$ 22,75 bilhões (levantamento em conta o fechamento das ações na véspera).

No relatório, Victor Saragiotto e Pedro Pinto também destacaram que o portfolio mais defensivo do Pão de Açúcar, uma vez que ele está inserido no varejo alimentar, é um ponto atrativo, ainda mais levando em conta a incerteza relacionada ao consumo em 2021. Com isso, os analistas do Credit reforçaram a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para PCAR3, com preço-alvo de R$ 112 para os ativos.

Na mesma linha, logo após o resultado, a Safra Corretora apontou o Pão de Açúcar como preferido do setor de varejo alimentar, tendo apresentado bons números no quarto trimestre às vésperas de listar o Assaí, evidenciando uma sólida execução. Entre os pontos positivos, a melhoria consistente com a série de iniciativas para reformular a bandeira Pão de Açúcar e aprimorar a proposta de valor do hipermercado Extra.

O Safra aponta que a empresa apresentou uma alavancagem operacional positiva, com uma melhora significativa nas margens, além do crescimento contínuo do varejo online, atingindo vendas totais de R$ 1,1 bilhão em 2020, um aumento de três vezes em relação ao ano anterior. As operações da Éxito também apresentaram melhora gradual nas lojas.

Ao falar sobre a cisão do Assaí os analistas da corretora que estarão prestando muita atenção à avaliação das operações do multivarejo, pois pode haver um descasamento quando PCAR3 começar a ser negociada separadamente a ASAI3, na próxima segunda. Já a XP Investimentos aponta que, geralmente, a reavaliação das ações acontece de forma rápida nesses tipos de eventos e, portanto, veem a cisão como um evento para isso se materializar.

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Fonte: Infomoney

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