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Ações de aéreas e CVC sobem forte com expectativa sobre vacina; Vale cai 3% e Petrobras tem baixa com virada do petróleo

SÃO PAULO – A sessão foi de forte volatilidade para o Ibovespa, que chegou a subir 0,93%, mas fechou com queda superior a 1%.

Curiosamente, as ações que despontaram entre os maiores ganhos do índice foram aquelas de aéreas e ligadas a viagens, que costumam sofrer mais em dia de aversão ao risco em meio à pandemia do novo coronavírus.

Contudo, os ativos conseguiram sustentar os ganhos seguindo a alta de ações europeias do setor em meio às expectativas de recuperação da demanda e com o otimismo sobre vacinas. Nesta terça, vale ressaltar, a Rússia registrou sua primeira vacina contra o coronavírus, de acordo com o presidente Vladimir Putin (o que ainda gera cautela dentro da comunidade científica), enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump deve fazer um pronunciamento sobre o tema em um evento para a imprensa ainda hoje. Já a equipe de pesquisa da Verde Asset Management destacou em carta de gestão ver boas chances de uma ou mais vacinas sendo aprovadas até o final do ano.

Com esse cenário, as ações de Gol (GOLL4, R$ 19,50, +8,45%), Azul (AZUL4, R$ 23,32, +7,07%) e CVC (CVCB3, R$ 20,35, +6,54%) registraram fortes ganhos.

Por outro lado, as ações ligadas a commodities, caso de Vale (VALE3, R$ 60,28, -3,09%), apesar da alta do minério, e Petrobras (PETR3, R$ 23,69, -1,70%; PETR4, R$ 23,08, -1,58%) tiveram perdas.

Enquanto o minério teve alta, o petróleo registrou uma sessão de forte volatilidade, com o WTI para setembro, referência no mercado americano, recuando 0,79%, a US$ 41,61 o barril. Já o Brent para outubro, referência no mercado europeu, perdeu 1,09%, a US$ 44,50 o barril. Mais cedo, ambos chegaram a subir mais de 1% sustentados pelas expectativas de estímulo econômico dos EUA para apoiar o maior consumidor de petróleo do mundo, bem como uma recuperação na demanda asiática com a reabertura das economias.

Também em destaque, a Cosan (CSAN3, R$ 84,00, -3,43%) foi o destaque de queda após o resultado, enquanto São Martinho (SMTO3, R$ 23,64, +1,90%) teve ganhos. Já a Guararapes (GUAR3, R$ 18,30, +2,64%) viu seus papéis subirem mais de 2%.

Mas o grande destaque do dia ficou com as ações da Linx (LINX3, R$ 34,40, +31,50%) após a notícia de tratativas finais para combinação dos negócios com a Stone (veja mais clicando aqui).

Confira os destaques:

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
GOLL4 8.45384 19.5
AZUL4 7.07071 23.32
CVCB3 6.5445 20.35
IRBR3 6.01307 8.11
HGTX3 4.91694 15.79

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
CSAN3 -3.42607 84
BRKM5 -3.24599 24.74
SBSP3 -3.15308 57.13
VALE3 -3.08682 60.28
EQTL3 -2.80488 23.91

Embraer (EMBR3; R$ 8,02, +1,13%)

O Morgan Stanley reduziu a classificação da Embraer de “equal-weight” para “underweight”. Já o preço-alvo foi reduzido pela metade, de US$ 9 para US$ 4,50.

A redução das expectativas para o Ebitda e uma visão mais cautelosa para a divisão de aeronaves comerciais, além de um consumo de caixa ainda intenso no segundo semestre, são os fatores que justificam essa alteração.

O Morgan Stanley espera que a Embraer consiga entregar apenas 35 aeronaves comerciais em 2020 e, no ano que vem, 2021. As projeções anteriores eram de, respectivamente, 54 e 80.

Cosan (CSAN3; R$ 84,00, -3,43%)

A Cosan registrou um prejuízo líquido de R$ 174,4 milhões no segundo trimestre, ante lucro de R$ 418,3 milhões no mesmo período de 2019. O resultado negativo é consequência dos efeitos da pandemia da Covid-19 e da valorização do câmbio.

O Ebitda foi de R$ 517,8 milhões, uma queda de 56,5% no comparativo anual. Na mesma base de comparação, a receita caiu 33,1%, para R$ 11,8 bilhões.

A alavancagem mensurada pela relação entre dívida líquida e Ebitda subiu para 2,4 vezes.

O resultado da Cosan foi considerado fraco pelo Credit Suisse, mesmo considerando que a empresa sofreria os impactos das medidas de distanciamento social. “Os principais culpados pelo não cumprimento das (nossas) expectativas foram a Raízen Combustíveis Brasil e Argentina, que vieram bem pior do que antecipávamos”, disseram, em relatório, os analistas da instituição financeira.

Entretanto, o Credit Suisse lembra que o resultado do segundo trimestre foi atípico, uma vez que já há uma recuperação da mobilidade e dos preços.

Itaúsa (ITSA4; R$ 10,20, -1,54%)

A Itaúsa, holding do Itaú Unibanco que também tem participações em empresas industriais, registrou lucro líquido de R$ 598 milhões no segundo trimestre do ano, queda de 75,4% ante mesmo período de 2019. O recuo, segundo à empresa, é consequência de uma baixa contábil relativa à participação no Corpbanca e doações para combate à Covid-19.

Excluindo esses efeitos, o lucro recorrente seria de R$ 1,43 bilhão, uma queda de 40,7%.

O impairment (ajuste contábil) sobre o investimento na unidade Corpbanca, no Chile, foi de R$ 543 milhões de reais no trimestre. A holding doou 50 milhões próprios e contabilizou outros R$ 312 milhões feitos pelo Itaú Unibanco para o programa “Todos pela Saúde”.

São Martinho (SMTO3; R$ 23,64, +1,90%)

A fabricante de açúcar e etanol São Martinho apresentou lucro líquido de R$ 115,7 milhões no primeiro trimestre da safra 2020/21, avanço de 26,5% ante igual período do ano anterior.

O Ebitda ficou em R$ 491 milhões, alta de 41,1%.

O Bradesco BBI destacou que o aumento do volume da produção de açúcar contribuiu para o resultado da companhia e também para a visão mais otimista do banco de investimento, que elevou o preço-alvo da São Martinho de R$ 22 para R$ 26, mas agora visando 2021.

“O que nos impede de sermos mais otimistas é a nossa visão cautelosa sobre os preços do açúcar, uma vez que as usinas também podem favorecer o açúcar em relação ao etanol na safra 2021/22”, avaliaram.

Já o Morgan Stanley lembrou que o câmbio também contribuiu para o resultado. “O câmbio mais fraco resultou em melhores preços e margens do açúcar e isso mais do que compensou o ambiente fraco do etanol”, disseram os analistas do banco americano.

BTG Pactual (BPAC11; R$ 87,31, -1,77%)

O BTG Pactual registrou um lucro líquido de R$ 987 milhões no segundo trimestre do ano, uma leve alta de 0,5% na comparação com igual período de 2019.

A maior parte dos resultados veio do segmento de “trading”, que registrou receita de R$ 1,02 bilhão, alta de 15% no comparativo anual. A receita total foi de R$ 2,48 bilhões, alta de 14%.

Guararapes (GUAR3; R$ 18,30, +2,64%)

A Guararapes, controladora da Riachuelo, teve prejuízo de R$ 296,2 milhões no segundo trimestre de 2020, revertendo lucro líquido de R$ 54,9 milhões no mesmo período de 2019.

A receita líquida caiu 52,4%, de R$ 1,8 bilhão para R$ 885,8 milhões, enquanto o Ebitda ficou negativo em R$ 289,2 milhões, contra um resultado positivo de R$ 234,7 milhões na mesma base de comparação. O Ebitda ajustado foi negativo em R$ 291 milhões, contra resultado positivo de R$ 234,7 milhões.

A margem Ebtida da Guararapes ficou negativa a 32,9%, ante a margem positiva de 12,6%.

O SSS (vendas mesmas lojas) caiu 69,7%, pressionado pelo fechamento das lojas da Riachuelo no início do trimestre em razão da pandemia de covid-19. As unidades retomaram gradualmente as suas atividades ao longo do período, mas 106 lojas ainda não tinham sido reabertas ao fim de junho.

A dívida líquida da Guararapes fechou o trimestre em R$ 1,614 bilhão.

Os analistas do Bradesco BBI consideraram as vendas da Guararapes fracas, mas foram melhores se comparadas às expectativas do segmento de serviços financeiros.

O BBI destacou ainda o desempenho da Guararapes no comércio eletrônico e o esforço feito para evitar uma queima de caixa. No entanto, vê um cenário ainda difícil para o setor. “Continuamos esperando que o segmento de roupas seja um dos que menos se recuperem e, no final de junho, apenas 217 das 323 lojas estavam abertas”, destacaram.

A recomendação para a ação da Guararapes foi mantida em “neutra”.

Vulcabras Azaleia (VULC3; R$ 5,49, +4,17%)

A Vulcabras Azaleia teve prejuízo líquido de R$ 75,4 milhões no segundo trimestre de 2020, revertendo lucro de R$ 30 milhões registrado em igual período do ano passado.

Já a receita líquida teve queda de 69,8%, passando de R$ 327 milhões para R$ 98,7 milhões. O Ebitda passou de R$ 50,5 milhões positivos para um valor negativo de R$ 55,1 milhões. A margem Ebitda teve forte queda de 71,2 pontos percentuais, para -55,8%.

O volume bruto faturado foi de 2,8 milhões de pares e peças de calçados, 57,9% menor no comparativo anual.

Petrobras (PETR3; R$ 23,69, -1,70%; PETR4; R$ 23,08, -1,08%)

A Petrobras divulgou mais uma atualização sobre a venda de seus ativos. Dessa vez, a estatal comunicou que deu início ao processo para venda de 50% a 100% da participação que detém na concessão BM-S-51, localizada no polígono pré-sal da Bacia de Santos, segundo fato relevante divulgado na noite de segunda-feira.

A Petrobras opera esse ativo em que tem 80% de participação. O restante está com a Repsol Sinopec Brasil.

O primeiro passo para o desinvestimento é a divulgação de oportunidade (teaser).

A companhia estatal ainda anunciou o pagamento de R$ 950 milhões à Petros por acordo com a Sete Brasil.

“O acordo extinguiu o litígio sem reconhecimento de culpa ou responsabilidade por ambas as partes e não afeta outras ações judiciais ou arbitragens envolvendo as partes, bem como outros litígios envolvendo o investimento na Sete Brasil”, destacou a companhia.

Vale (VALE3; R$ 60,28, -3,09%) e siderúrgicas

O minério de ferro sobe em Singapura e é negociado perto do nível mais alto em um ano com a recuperação econômica da China da pandemia, o que alimenta a crescente demanda pela matéria-prima para produção de aço. Em Dalian, na China, o contrato futuro subiu 2,33%.

As importações de minério de ferro pelo país atingem recorde e JPMorgan aumentou sua previsão de preço médio para 2021 para US$ 100 a tonelada. Com diminuição das restrições à mobilidade e melhora da economia, vendas de carros na China aceleram 7,9% em julho, um movimento que também foi visto na Rússia e no Brasil.

JBS (JBSS3; R$ 21,81, -0,64%)

O Ministério Público Federal (MPF) pediu para a Justiça impedir eventual mudança da sede da JBS até a efetiva reparação integral de prejuízos causados pela empresa.

A JBS e a J&F afirmaram em nota que todas as operações com o BNDES seguiram os procedimentos legais e transparência, e que a regularidade técnica das transações foi confirmada por investigação independente contratada pelo BNDES.

Ainda no radar da companhia, a unidade da JBS na Austrália iniciou o fechamento de sua
unidade de processamento de carne por tempo indeterminado devido ao coronavírus.

BRF (BRFS3; R$ 22,37, +2,05%)

A fábrica da BRF em Toledo (PR) contabilizou 1.138 casos confirmados de Covid-19, o que representou 29% dos casos da doença em frigoríficos do Paraná, segundo dados mais recentes de autoridades de saúde do estado. A unidade da BRF em Carambeí teve apenas 5.

Em resposta, a BRF, maior exportadora de carne de frango do mundo, afirmou que “não há nenhum colaborador testado positivamente para Covid-19 trabalhando atualmente em suas unidades de Toledo e Carambeí”.

Dimed (PNVL3; R$ 21,20, +3,41%)

O Bradesco BBI elevou o preço-alvo da Dimed, que opera a rede de drogarias Panvel, para R$ 39 para 2021, ante R$ 33 da expectativa anterior (2020). A empresa foi mantida em “outperform”.

Os analistas da instituição financeira destacaram o plano de expansão da rede após a conclusão da oferta de ações, que inclui a abertura de 396 lojas em cinco anos e melhor o canal digital e a logística.

Os analistas destacaram ainda que as ações da empresa sofreram um desconto de 20% desde a oferta de ações, influenciada pelas notícias de aumento de concorrência, em especial no Paraná, onde um dos concorrentes espera levantar capital para novas expansões. “Em nossa opinião, esta correção abre espaço para um ponto de entrada atraente, já que esses players podem não ser tão competitivos quanto a Panvel”, avaliaram.

Taurus (TASA3; R$ 5,40, 0,00%; TASA4; R$ 6,13, +1,16%)

E a fabricante de armas Taurus foi mais uma que anunciou acordo com os bancos para reescalonamento de dívida. Nesse caso, o compromisso, de R$ 123 milhões, havia vencido em junho.

“O montante será adequado ao fluxo de caixa futuro da companhia e diluído nos próximos 31 meses”, afirmou a Taurus em fato relevante.

Ecorodovias (ECOR3; R$ 13,95, -1,83%)

A Ecorodovias divulgou uma nova parcial do volume de tráfego em suas concessões, dessa vez levando em conta o período entre os dias 16 de março e 9 de agosto.

O movimento de veículos pesados e de passeio caiu, nesse período, 16,1% na comparação com igual período do ano passado (tráfego de 121,5 milhões de veículos). Os maiores recuos ocorreram na Ecopistas, que administra o corredor Ayrton Senna/Carvalho Pinto (queda de 34,9%), e na Ecoponte, que liga o Rio ao litoral norte fluminense (recuo de 33%).

No acumulado do ano, a queda no volume do tráfego é de 7,3%, com 199 milhões de veículos pagantes no período.

Oi (OIBR3; R$ 1,54, -1,91%;OIBR4; R$ 2,42, -1,63%), TIM (TIMP3; R$ 15,52, -1,77%), Vivo (VIVT4; R$ 50,81, -1,99%) e Claro 

A eventual venda da rede móvel da Oi para o consórcio formado pelas rivais TIM, Claro e Vivo não deve enfrentar barreiras incontornáveis na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), apurou o Estadão/ Broadcast com membros e ex-membros do órgão regulador. O entendimento é que a Anatel dará anuência para a transação. Desde a última sexta-feira, as maiores operadoras do País ganharam exclusividade na disputa pela Oi Móvel, cujo preço mínimo é de R$ 15 bilhões.

Mesmo reduzindo de quatro para três o total de operadoras de celular no País, não há intenção dos representantes da agência de entrar no mérito do tema concorrencial – que hoje fica exclusivamente nas mãos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Direcional (DIRR3; R$ 15,29, -0,59%)

Direcional, Riva  e Lucio assinaram memorando de intenções para desenvolver empreendimentos imobiliários na capital paulista, segundo comunicado ao mercado. De acordo com o memorando, Lucio e Riva atuarão como incorporadoras, na proporção de 50%, e Direcional prestará os serviços de construção e administração.

Os projetos serão desenvolvidos em 6 terrenos da Lucio nos bairros de Pinheiros, Vila Olímpia e Bela Vista.  Em análises preliminares, as partes acreditam que irão atingir, aproximadamente, 2.700 unidades com um Valor Geral de Vendas (VGV) potencial estimado de até R$ 900 milhões.

Outros projetos poderão ser desenvolvidos futuramente pelas partes, segundo o comunicado.

(Com Bloomberg e Agência Estado)

Fonte: Infomoney

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