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As Seleções da Copa do Mundo: Austrália

Hoje na série “As Seleções da Copa” começamos a passar a limpo os campeões mundiais. E o primeiro deles é o primeiro time a ser bicampeão do mundo: a Austrália. Já são 20 anos sem erguer a taça para os Wallabies, mas a escola australiana é forte e vai ao Japão querendo se reerguer.

Atuais vice campeões mundiais, os australianos caíram no Grupo D, com Gales, Fiji, Geórgia e Uruguai.

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Símbolo

Wallabies! É uma espécie menor de canguru. O nome é sugestivo. O rugby mais popular da Austrália é o Rugby League (o de 15 atletas) e não o Union e a seleção de League é conhecida como Kangaroos. Porém, o nome Wallabies não nasceu depois. A seleção de Union é conhecida dessa maneira desde 1907, ao passo que os Kangaroos nasceram (e ganharam seu nome) em 1908.

 

Histórico

O rugby chegou à Austrália cedo, no século XIX, e se tornou o esporte mais popular nas  regiões de Sydney e Brisbane. Em 1899, a primeira seleção do país (ainda colônia britânica) foi formada para encarar justamente a seleção britânica (hoje conhecida como British and Irish Lions). Em 1903, os australianos faziam o primeiro amistoso (com derrota) diante da vizinha Nova Zelândia  Em 1907-08, os Wallabies viajaram à Europa pela primeira vez e ganharam seu apelido oficial, além do ouro dos Jogos Olímpicos de 1908, em Londres (vencendo o jogo solitário do torneio contra a Grã Bretanha, representada pela seleção regional da Cornuália). Mas 1907 seria o divisor de água do rugby do país por outro motivo. Sedentos por navegarem nas águas do profissionalismo, jogadores de destaque de Sydney se rebelaram em prol da liberação do profissionalismo (proibido no Rugby Union) e criaram a NSWRL, passando a jogar de acordo com as regras do Rugby League. Os novos clubes de League e a primeira liga nasceram em 1908 e o “estrago” para o Union estava feito. Mas não de imediato, pois em 1909 Wallabies e Kangaroos fizeram um amistoso entre si, levando público recorde ao Sydney Cricket Ground.

Porém, nos anos seguintes, os jogadores de destaque do rugby na Austrália foram migrando para o League. Em 1913, a Austrália conquistou sua primeira vitória sobre os All Blacks, mas a Bledisloe Cup, a taça dada ao vencedor dos duelos anuais entre os dois países, foi criada criada em 1932 – e com os Wallabies derrotando os All Blacks em 1934 para pela primeira vez ficarem com o troféu. Os Wallabies ainda viajaram à Europa em 1927-28 e voltaram a encarar os Lions em 1930, vencendo a seleção britânica. Já em 1937 se deram os primeiros duelos contra a África do Sul, mas a primeira vitória sobre os Springboks só viria em 1953. Depois de 1934, a Austrália voltou a vencer a Bledisloe Cup apenas em 1949 e precisaria esperar mais 30 anos (1979) para voltar a se impor na série anual sobre a Nova Zelândia.

Mesmo à sombra dos vizinhos e do League, a Austrália do pós Segunda Guerra era uma seleção ascendente, que venceu os All Blacks em 3 partidas ao longo dos anos 50, algo difícil para qualquer seleção do mundo. Nos anos 60, vitórias sobre Inglaterra, França, Gales e África do Sul (em duas famosas partidas em 1965) já colocava os Wallabies como uma potência real, apesar de históricas derrotas diante de Tonga e Fiji.

A seleção australiana desabrocharia em com a geração do fim dos anos 70 e anos 80, que venceria a Bledisloe Cup de 1979 e conquistaria o maior feito da história dos Wallabies até então: o Grand Slam europeu de 1984, isto é, 5 vitórias sobre Inglaterra, Gales, Escócia, Irlanda e Barbarians na mesma viagem à Europa. Era a geração de Mark Ella (primeiro Wallaby aborígene), Michael Lynagh, Nick Farr-Jones e David Campese, que chegaria ao auge na Copa do Mundo. O time ainda faturaria a Bledisloe Cup de 1986.

Os australianos lideraram a criação da Copa do Mundo de Rugby e asseguraram a sede do primeiro Mundial, em 1987, em conjunto com a Nova Zelândia. A seleção australiana era forte, mas caiu na semifinal em casa diante da França.

Já sem Ella, mas com o centro Tim Horan se somando a uma fantástica linha de Farr-Jones (scrum-half), Lynagh (abertura) e Campese (centro), os Wallabies brilharam em 1991, derrotando a Irlanda nas quartas de final (em jogo épico em Dublin), a Nova Zelândia na semifinal (em jogo mitológico de Horan e Campese) e a Inglaterra na grande final, em Londres (12 x 06 que chocaram Twickenham). Era a apoteose de um país que deixara de ser coadjuvante para ser protagonista.

Os anos 90 foram a era de ouro do rugby australiano, com novas conquistas da Bledisloe Cup em 1992 e 1994. A eliminação doída para a Inglaterra nas quartas de final da Copa do Mundo de 1995 no tempo extra (25 x 22) foi outro capítulo épico da rivalidade com a Rosa, mas que apenas moldaria um time que voltaria a ser campeão do mundo em 1999.

Em 1995, o mundo do rugby foi chacoalhado pela liberação do profissionalismo, com a criação do Tri Nations (entre All Blacks, Wallabies e Springboks) em 1996, que permitia o Union competir melhor por atletas com o League. Em 1998, a Austrália já alertava o mundo do rugby de seu poderio com históricos 76 x 00 sobre a Inglaterra e em 1999 os Wallabies voltaram a celebrar, batendo Gales nas quartas de final da Copa do Mundo (com dois tries do craque do time, o scrum-half George Gregan), a África do Sul na épica semifinal decidia na prorrogação (27 x 21, com os pés de Matt Burke e Stephen Larkham fazendo a diferença) e a França na grande final, 35 x 12. O segunda linha capitão John Eales erguia a taça: pela primeira vez um país era bicampeão do mundo.

O período dourado ainda duraria até 2003. Em 2000 e 2001 os Wallabies foram bicampeões do Tri Nations (com os Wallabies vencendo os All Blacks em 2000 naquele que é considerado “o maior jogo da história”) e em 2002 ainda venceram a Bledisloe Cup.

Em 2001, liderados pelo icônico capitão George Smith, os Wallabies ainda quebraram um tabu histórico, vencendo pela primeira (e única) vez uma série contra os British and Irish Lions.

Em 2003, os australianos finalmente sediaram a Copa do Mundo (sozinhos), com altas expectativas. O time de Gregan e Larkham brilhou diante de sua torcida no Mundial, com uma épica vitória sobre os All Blacks por 22 x 10 na semifinal, com try épico de Mortlock, correndo o campo todo para os aussies. Na final, no entanto, a batalha épica em Sydney contra a Inglaterra acabou com Jonny Wilkinson dando o título aos ingleses na prorrogação.

Desde então, o rugby australiano oscilou. Sem ganhar a Bledisloe Cup desde 2002 (até hoje), os Wallabies caíram nas quartas de final da Copa do Mundo de 2007 de novo diante da Inglaterra e ficaram sem vencer o Tri Nations até 2011, quando finalmente uma jovem geração de Will Genia, Quade Cooper, James O’Connor, Kurtley Beale, David Pocock, entre outros, faturou a taça e foi à Copa do Mundo com boas expectativas. Mas a semifinal foi o limite, com derrota para os All Blacks por 20 x 06.

A última década foi de turbulências e os Wallabies só voltaram a brilhar em ano de Mundial. Em 2015, a Austrália voltou a vencer o Rugby Championship (ex Tri Nations) e fez uma Copa do Mundo destacada, eliminando a Inglaterra em Londres na primeira fase, batendo Escócia (em jogo polêmico) nas quartas e Argentina nas semis (com hat-trick do polivalente Adam Ashley-Cooper), para ir à sua quarta final na história. Mas, apesar dos tries de Pocock e Kuridrani, o título foi da Nova Zelândia: 34 x 17, abrindo um período infernal de decepções para os Wallabies, que segue até o momento.

O Rugby por lá

A Austrália é dividida quando o assunto são os esportes. Criado nos anos 1850, antes mesmo do rugby padronizar suas regras e chegar à Austrália, o futebol australiano domina metade do país (em amarelo), ao passo que os rugbys reinam em outra metade (em verde).

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O futebol australiano (aussie rules football) é o football jogado com as regras criadas na Austrália, em Melbourne, e domina os estados de Victoria (Melbourne), South Australia (Adelaide), Western Australia (Perh) e Tasmânia, que tiveram grande influência de Melbourne e estreitas relações com a cidade ao longo do século XX e início do XX. Já New South Wales (Sydney) e Queensland (Brisbane) adotaram o rugby nos anos 1870, quando o aussie rules ainda não havia dominado a região a norte de Melbourne. Canberra (a capital fundada em 1913) também adotaria o rugby. Com isso, a rivalidade nacional entre as duas grandes cidades australianas, Sydney e Melbourne, ganhou sua cara esportiva: rugby versus aussie rules.

Porém, as zonas dominadas pelo rugby teriam, a partir de 1908, o racha da modalidade, com o surgimento do Rugby League. A convivência entre Union e League na Austrália sempre foi menos turbulenta do que na Inglaterra e a principal diferença era social: enquanto o League está nas escolas públicas, o Union está nas escolas privadas.

Campeonatos regionais de clubes sempre constituírem a base do rugby na Austrália, que nunca teve um campeonato nacional propriamente. A única competição nacional passou a ser a partir de 1982 o confronto entre os clubes campeões de New South Wales e Queensland. O mais importante, na verdade, sempre foram os jogos das seleções desses dois estados – e elas contra equipes visitantes.

Com isso, o rugby (Union) se desenvolveu na Austrália fortemente apenas nas regiões do rugby e somente dentro das classes mais ricas. Porém, a constante imigração das ilhas do Pacífico, assim como a presença de ingleses, sul-africanos e neozelandeses na Austrália, foi crucial para se quebrar tais barreiras sociais e quando os Wallabies passaram a fazer sucesso e o profissionalismo passou a ser permitido no Union (em 1995), o rugby australiano passou a ser mais representativo – e os Wallabies uma das mais cultuadas seleções esportivas do país, por conta da Copa do Mundo.

Na era profissional, o rugby australiano foi transformado pelo Super 12 (atual Super Rugby), competição entre franquias de Austrália, Nova Zelândia e África do Sul. Em 1996, a Austrália entrou na competição com 3 equipes; Waratahs (a seleção de New South Wales), Reds (a seleção de Queensland) e Brumbies (a nova seleção do sul de New South Wales e Canberra). Western Force (em 2006), representando Western Australia (Perth), e Melbourne Rebels (em 2011) se somaram à competição.

Porém, para os australianos, a concorrência com a NRL (a liga de Rugby League) e a AFL (a liga de futebol australiano) sempre foi cruel e o Super Rugby entrou em declínio econômico nos últimos anos. O efeito foi a exclusão do Force ao final de 2017, com a equipe liderando a criação para 2020 de uma nova liga da Ásia-Pacífico, a Global Rapid Rugby. Enquanto isso, sem uma competição nacional para alimentar as equipes do Super Rugby, a federação australiana criou em 2007 o Australian Rugby Championship, que foi um fracasso, encerrado após uma temporada. O projeto só foi refeito em 2014, com o lançamento do National Rugby Championship, que segue até hoje.

Pontos fortes

Os Wallabies irão ao Mundial de 2019 com um time extremamente habilidoso com a bola em mãos. A equipe tem uma terceira linha poderosa no breakdown e qualidade nos 3/4s como poucos times do mundo. Mas, talvez, neste momento, o maior ponto forte da Austrália seja o peso de sua camisa e a qualidade individual existente no elenco – acima da qualidade co conjunto.

 

Pontos fracos

O ambiente dos Wallabies andou conturbado, chegando ao momento mais grave com a exclusão de Israel Folau. A equipe demorou demais para encontrar seu rumo e segue com graves problemas defensivos. A Austrália do técnico Michael Cheika oferece a sensação de ter chegado a um limite alguns anos atrás e desde então não consegue mais ser um time estável. Sem resultados animadores antes do Mundial, os Wallabies são mais fonte de dúvidas do que de certezas.

 

Olho neles!

David Pocock é o grande nome do time e o dono da terceira linha. Se ele reencontrar sua melhor forma física, a Austrália passará a ter com ele e o capitão Michael Hooper um breakdown estrelado. Na linha, Christian Lealii’fano é o abertura que a Austrália precisava para dar estabilidade ao time, ao passo que Kurtley Beale segue sendo o grande talento da linha, sempre capaz de inventar espaços na defesa adversária. Os fijianos Koroibete, Kerevi e Kuridrani são duas máquinas de quebras impressionantes, ao passo que o retorno de James O’Connor, focado, foi muito celebrado por oferecer uma linha de altíssima qualidade.

 

Foto: Rugby.com.au

Horários de Brasília

Fonte: R7

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