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As Seleções da Copa do Mundo: Escócia

The Flower of Scotland, um dos hinos mais arrepiantes do mundo do rugby, será entoado logo no início do Mundial, quando a Escócia entrar em campo no dia 21 contra a Irlanda, pelo Grupo A, onde também estão Japão, Rússia e Samoa. A Escócia vai à Copa do Mundo com a expectativa de voltar a encantar, mas com o peso da pressão por não se tornar vítima do ascendente Japão e cair na primeira fase do Mundial. Seleção tradicional, que já alcançou a semifinal uma vez, a Escócia é o assunto de hoje!

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Símbolo

O símbolo do rugby escocês é a flor de cardo (thistle, em inglês), ícone nacional desde o século XIII. No entanto, os escoceses não usam um apelido oficial.

 

Histórico

Em 1871, Escócia e Inglaterra entraram em campo na capital escocesa Edimburgo naquele que foi o primeiro jogo entre seleções na história do rugby – e que acabou com vitória escocesa. O duelo se tornou uma tradição anual, com a criação em 1879 da Calcutta Cup (pela taça ser presenteada pelo extinto Calcutta FC, clube de britânicos radicados na Índia). Em 1883, Escócia, Inglaterra, Gales e Irlanda criaram o primeiro campeonato entre seleções do mundo, o Home Nations Championship (expandido para Five Nations em 1910 e Six Nations em 2000), e os escoceses ainda fundaram, junto de galeses e irlandeses, o International Rugby Board (IRB, atual World Rugby, a federação internacional), em 1886 (sendo abraçada pelos ingleses apenas em 1890). A Escócia ajudou a criar as principais instituições do rugby europeu.

E os primeiros anos da seleção escocesa foram promissores. A Escócia foi a maior campeã do Home Nations/Five Nations Championship até a Primeira Guerra Mundial (1914), vencendo o torneio sozinha 8 vezes (além de 3 títulos divididos, algo que ocorria até os anos 80 quando duas equipes empatavam na liderança). Foram outros 4 títulos entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial e depois disso veio a seca. Entre os heróis escoceses dos anos iniciais estão Bill Maclagan, capitão dos primeiros títulos, “Darkie” Bedell-Sivright (um dos primeiros ídolos do rugby) e Phil Macpherson (líder do time no período entre as guerras), todos no Hall da Fama do rugby mundial.

Apesar da produção de grandes jogadores, inclusive referências dos British and Irish Lions (entre os quais nomes hoje imortalizados pelo Hall da Fama como o terceira linha Jim Greenwood, o segunda linha Gordon Brown, o fullback Andy Irvine e o abertura Ian McGeechan), a Escócia só voltou a ser campeã (sem divisão de taça) do então Five Nations em 1984, liderada pelo brilhante scrum-half Roy Laidlaw (tio do atual scrum-half escocês Greig Laidlaw). Antes disso, em 1983, os escoceses conseguiram seu único empate até hoje com os All Blacks, em famosos 25 x 25, que abriu o caminho do renascimento.

Com a quebra do jejum, a Escócia apresentava uma geração talentosa, que entrou na Copa do Mundo de 1987 esperançosa de uma boa campanha, após dividir o título do Five Nations em 1986 com a França (no último ano que a divisão de títulos era permitida). A Escócia abriu o Mundial justamente com um empate em 20 x 20 com a França (que seria a vice campeã), mas caiu nas quartas diante dos All Blacks (futuros campeões). A Escócia voltou a falar alto em 1990 conquistando o Five Nations, sob a liderança do icônico fullback Gavin Hastings, considerado um dos maiores da história.

Com essa confiança, a Escócia entrou entre as favoritas na Copa do Mundo de 1991 e, jogando em casa, venceu a Irlanda para ficar em primeiro lugar em seu grupo e derrotou nas quartas de final Samoa para ir a uma muito aguardada semifinal contra a Inglaterra. Gavin Hastings teve a chance de levar os escoceses à grande final, mas desperdiçou penal crucial e os ingleses celebraram uma dura vitória sem tries por 09 x 06.

A Escócia ainda voltaria a desempenhar bem em 1995, ao perder apertado para França e Nova Zelândia, caindo nas quartas de final em um jogaço de 48 x 30, em jogo que os All Blacks de Jonah Lomu precisaram mostrar seu melhor.

E o momento dourado do rugby escocês durou até 1999, quando o Cardo conquistou pela última vez um título, o do derradeiro Five Nations, com uma seleção liderada pelo genial 3/4s Gregor Townsend (atual técnico da Escócia), que marcou contra todos os oponentes naquele torneio. Porém, na Copa do Mundo daquele ano, novamente a Nova Zelândia aparecia no caminho escocês nas quartas de final.

O declínio do Cardo se fez sentir nos anos 2000, com a seleção voltando a colecionar colheres-de-pau no Six Nations (alternando-se com a Itália). Em 2003, o Mundial acabou de novo nas quartas para os azuis, com derrota para a Austrália, e em 2007 a Escócia suou frio para não ser eliminada na fase de grupos pela Itália, mas logo caiu nas quartas diante da Argentina, em jogo apertado, 19 x 13, com a Escócia contando com o exímio chutador Chris Paterson, que assombrava o mundo com uma rotina de 100% de acertos em tentativas de conversões e penais ao longo do Mundial.

Em 2011, o declínio se consumou com os escoceses sendo pela primeira vez eliminados na fase de grupos, com derrotas para Inglaterra e Argentina, mas a recuperação começou nos anos seguintes, com uma nova geração talentosa emergindo. Em 2015, a Escócia afastou a zebra Japão e por muito pouco não avançou às semis, caindo nas quartas contra a Austrália por épicos 35 x 34 em jogo de penal polêmico a favor dos Wallabies no finzinho.

O Rugby por lá

O rugby se difundiu cedo na Escócia, mas ao longo de todo o século XIX sofreu a concorrência do futebol. Vinculado às escolas da elite, o rugby na Escócia se tornou um esporte socialmente distinto do futebol e a divisão se tornou inclusive geográfica no país. Operária, abarrotada de indústrias e imigrantes pobres vindos da Irlanda, a cidade de Glasgow, maior do país, se tornou o grande bastião do futebol escocês (casa dos clubes Celtic e Rangers), ao passo que Edimburgo (Edinburgh), a capital, aristocrática, burocrática e de economia ligada fortemente ao sistema financeiro, se tornou a casa do rugby. Não por acaso, a União Escocesa de Rugby ergueu lá sua casa: o monumental estádio de Murrayfield.

Fora de Edimburgo, o rugby se manteve um esporte minoritário, com alguns clubes da alta sociedade de Glasgow se destacando – mas com o norte do país, mais frio, sendo até hoje coadjuvante. Foi o desenvolvimento do rugby na região da Scottish Border, a zona sul, de fronteira com a Inglaterra, que ofereceu um importante contraponto. No sul, pequenas cidades rurais passaram a desenvolver uma forte indústria têxtil e o rugby floresceu como um esporte do povo nessa zona, que entrou de vez para o mapa do rugby mundial em 1883 com o Melrose Rugby Club, liderado pelo açougueiro Ned Haig, e que criou o seven-a-side. Desde então, os torneios de sevens são tradicionais na região, unindo as pequenas cidades da Border, famosas pelo rugby – Hawick, Gala, Jed-Forest, Kelso, estão entre os famosos clubes da região. Porém, apesar do sevens, o Sul escocês se tornou famoso pela produção de poderosos forwards, que passaram a dominar o estilo de jogo da seleção.

Uma das maiores defensoras do amadorismo no rugby, a Escócia só foi criar seu campeonato nacional em 1953, com a instituição de quatro seleções regionais: Edinburgh, Glasgow, South (Border) e North (Caledonia), além dos Exiles (a equipe de escoceses radicados na Inglaterra). Edinburgh e South foram os maiores vencedores ao longo das décadas e os quatro times foram profissionalizados em 1995, com a competição escocesa sendo encerrada em 2000 com a entrada dos times do país no Campeonato Galês. Depois, em 2003, já com o time do Norte (Caledonia Reds) encerrado, Glasgow, Edinburgh e Border entraram para a nova Liga Celta (Celtic League, atual PRO14). A situação financeira do Border se tornou insustentável com o tempo e o time foi extinto em 2007. Desde então, a Escócia conta apenas com 2 times profissionais, Glasgow e Edinburgh, que após alguns anos discretos, passaram a ser fortes competidores no PRO14, com Glasgow se tornando o primeiro escocês campeão da liga em 2015 – sob o comando de Gregor Townsend, e sendo instrumental na modernização do rugby escocês, que deixou de ser exclusivamente físico para se tornar mais dinâmico.

Pontos fortes

A Escócia conta hoje com uma linha de destaque, liderada pela veterano scrum-half Greig Laidlaw, exímio condutor da dinâmica de sua equipe, e pelo abertura genial Finn Russell. A eles se soma um dos melhores fullbacks da atualidade, Stuart Hogg. Com pontas igualmente competentes, a Escócia tem hoje um time extremamente capaz com a bola em mãos e uma capacidade notável de reação, como demonstrada na vitória deste ano sobre a Inglaterra.

Pontos fracos

Contra sua tradição, a Escócia sofre hoje no pack de forwards, com a primeira e a segunda linha ainda precisando evoluir para baterem de frente com os melhores times do mundo. A dupla de centros também vem sendo um problema para Townsend em alguns jogos e a profundidade do elenco também deixa a desejar quando a Escócia precisa de mudanças táticas.

 

Olho neles!

Greig Laidlaw, Finn Russell e Stuart Hogg são as peças chave da linha azul e os homens capazes de criar em momentos críticos. Mas as atenções também estão no jovem abertura Adam Hastings (filho do ídolo Gavin Hastings), cada vez mais presente nas escalações. No pack, o hooker Stuart McInally é um jogador moderno e bastante móvel, enquanto o segunda linha Ben Toolis e o asa Hamish Watson são nomes que fizeram grande temporada recente.

Foto: Scottish Rugby Union

Horários de Brasília

Fonte: R7

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