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As Seleções da Copa do Mundo: França

Allez Les Bleus! Tri-vice-campeã do mundo e ainda em busca de seu primeiro título mundial na bola oval. A França é uma das gigantes do mundo do rugby, porém viveu maus momentos recentemente. Agora, às vésperas da Copa do Mundo, o “XV de France” está voltando a mostrar que pode sonhar alto, mas pegou um grupo complicado no Mundial: o Grupo C, com Inglaterra, Argentina, Tonga e Estados Unidos.

Embalada pela Marselhesa e sempre criando a expectativa de um rugby aberto e envolvente, o “Rugby Champagne”, ou, como dizendo os britânicos, o “French Flair”, a França é uma das almas da Copa do Mundo – e se imortalizou pelos jogos famosos contra os All Blacks.

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Símbolo

O galo vermelho é o símbolo do rugby francês desde 1911. O galo é um símbolo não oficial da França, associado à região desde tempos romanos (em latim, a palavra “gallus” significava tanto galo como gaulês, isto é, o povo celta que habitava em tempos romanos a França, chamada de Gália na época). O símbolo ganhou força como ícone nacional depois da Revolução Francesa (1789). Porém, apesar de ter o galo no peito, a seleção da França é conhecida como Les Bleus, isto é, “Os Azuis” (nome dado a todos os selecionados esportivos do país).

Histórico

Fora do Império Britânico, o país que primeiro adotou mais seriamente o rugby foi a França, com a difusão do esporte no início do século XX sendo acompanhada pela formação da primeira seleção em 1906, para receber os All Blacks, que viajavam pelo Hemisfério Norte. Por conta de seu desenvolvimento rápido, a França foi convidada a enfrentar os britânicos todos os anos, levando à criação em 1910 do Five Nations Championship. Porém, o desnível ainda era evidente e os anos iniciais da França no torneio foram penosos, com muitas derrotas e poucas vitória. Em 1920 e 1924 a França liderou a realização dos torneios de rugby nos Jogos Olímpicos e a popularidade do esporte no país já era clamorosa a ponta de uma multidão encher o Estádio Olímpico de Colombes (Paris) em 1924, mas a seleção ainda não correspondia às expectativas, ficando com a prata nos dois torneios, ambos com derrotas para a obscura seleção dos Estados Unidos.

E em 1931, quando a evolução parecia evidente e a primeira vitória sobre a Inglaterra foi obtida, a França foi excluída do Five Nations, acusada de profissionalismo ilegal e excessiva violência. Com isso, os franceses lideraram nos anos 30 a criação da FIRA (a Federação Internacional de Rugby Amador), focando-se no desenvolvimento do rugby na Europa Continental, com os franceses enfrentando regularmente alemães, italianos e romenos.

A volta da França ao Five Nations ocorreu com o fim da Segunda Guerra Mundial e com visível evolução. Em 1954, os franceses pela primeira vez dividiam o título da competição e liderados pelo asa Jean Prat naquele mesmo ano venceram os All Blacks pela primeira vez na história. E em 1959 os Bleus finalmente conquistavam seu primeiro título pleno – com um histórico time do segunda linha e capitão Lucian Mias, do abertura Pierre Albadalejo e do mágico centro André Boniface. Seu irmão, Guy Boniface, se somaria aos Bleus nas temporadas seguintes, em um brilhante time que seria campeão em 1960 e 1961 novamente, marcando época com uma seleção que ainda seguraria os poderosos Springboks por 00 x 00 em Paris, em um jogo marcado pela violência, e venceriam os sul-africanos pela primeira vez em 1964.

Novos títulos do Five Nations viriam em 1967 e 1968, com o brilhante abertura Jo Maso, e finalmente voltaria a vencer a Nova Zelândia em 1973. Em 1977, já sob a liderança daquele que é considerado por muitos o maior jogador francês da história, o implacável asa Jean-Pierra Rives, a França voltou a ser campeã do Five Nations e, em 1979, conquistou seu grande feito: uma vitória histórica sobre os All Blacks em Auckland.

Com mais títulos europeus em 1981 e 1987, os franceses foram à primeira Copa do Mundo (de 1987) inspirados e confiantes. O time era brilhante, com nomes do calibre do fullback Serge Blanco, o centro Phillippe Sella ou o scrum-half Pierre Berbizier, todos ícones da geração. A França encantou o mundo com uma linha genial, vencendo a Austrália, em Sydney, na semifinal (com famoso try de Blanco), para cair na decisão contra o mítico time dos All Blacks.

O Five Nations foi francês de novo em 1989, mas na Copa do Mundo de 1991 a derrota foi prematura, nas quartas diante da Inglaterra. Em 1993, os franceses recuperaram o título europeu e em 1994, os Bleus, renovados, venciam a Nova Zelândia duas vezes em solo neozelandês (incluindo a última derrota dos All Blacks até hoje no Eden Park), fazendo história e indo confiante ao Mundial de 1995, com craques como Romain Ntamack e Phillippe Saint-André. Mas, a África do Sul, acabou eliminando os franceses na semifinal, debaixo de muita chuva.

Com mais títulos do Five Nations em 1997 e 1998, a França foi ao Mundial de 1999 com um time que ainda faria história, ao produzir na semifinal a maior virada da história da Copa do Mundo, batendo os All Blacks por famosos 43 x 31, imortalizando nomes como Xavier Garbajosa, Christophe Dominici e Christophe Lamaison. Mas os Bleus perderiam novamente uma final, caindo contra os Wallabies.

Em 2003, a França cairia na semifinal contra a Inglaterra, mas a década de 2000 também fora positiva para os Bleus, que venceram 5 vezes o Six Nations (2002, 2004, 2006, 2007 e 2010) e ainda produziram outro choque na Copa do Mundo de 2007 ao derrubarem os All Blacks nas quartas em outra virada épica – 20 x 18, com Fred Michalak dando o passe mais polêmico da história dos Mundiais para Jauzion sepultar os neozelandeses. O Mundial era na França, mas os Bleus acabaram sendo frustrados com derrota na semifinal para a Inglaterra.

Em 2011, no entanto, a França chegou cambaleante ao Mundial, sofreu uma improvável derrota para Tonga na fase de grupos, mas milagrosamente alcançou sua terceira final na história, liderada pelo icônico capitão Thierry Dusautoir, com os franceses passando aos trancos e barrancos pela Inglaterra nas quartas e por Gales nas semis – no famoso jogo da expulsão de Sam Warburton. Porém, na final, no Eden Park, a França produziu um jogo dramático, sendo derrotada por apenas 08 x 07 e fazendo a torcida neozelandesa suar frio até o fim.

Desde então, a França foi puro desgosto para seu torcedor. Mais nenhum título do Six Nations na década e um Mundial fraquíssimo em 2015, com atropelo frente aos All Blacks nas quartas.

 

O Rugby por lá

O rugby francês inicialmente se desenvolveu em Paris, liderado por dois clubes da elite parisiense, o Stade Français e o Racing, influenciados pelos ideais do amadorismo olímpico de homens como o Barão Pierre de Coubertin – criador dos Jogos Olímpicos e entusiasta do rugby e do sistema educacional britânico, que o inspirava como ferramenta para a construção de uma nação francesa forte física e mentalmente. Coubertin foi um dos criadores da USFSA, entidade que liderou a difusão dos esportes modernos na França e que foi particularmente bem sucedida nas cidades do Sul do país.

No início do século XIX, diferenças ideológicas entre as entidades que promoviam os esportes no país criaram diferenças regionais na difusão do futebol e do rugby, com o futebol dominando o norte do país e o rugby o Sul. Cidades como Bordeaux e Toulouse cedo se tornaram bastiões do rugby no país e nas primeiras décadas do século XX o rugby se popularizou para além dos círculos da elite, ganhando as massas nas cidades do Sul, que nutriam rivalidades históricas entre si e, sobretudo, contra Paris.

O Sudoeste francês, a chamada Occitânia, tem uma identidade regional forte, e até o século XIX tinha na língua occitana (mais próxima do catalão do que do francês) sua língua identitária. No entanto, o estado centralista francês impôs a língua parisiense como a língua nacional, combatendo a identidade occitana. O rugby se tornou a expressão occitana – e também basca e catalão, outras duas minorias importantes da região de fronteira com a Espanha – a nível nacional, aquecida pela rivalidade com os clubes de Paris. O “rugby des villages”, isto é, o rugby dos vilarejos, se tornou onipresente no Sudoeste, que ganhou o apelido de “Ovalie”, a terra da ovalada. Pelo fato do rugby ser amador, pequenas cidades puderem criar times fortíssimos.

O crescimento do rugby popular na França levou nos anos 30 à sedução pelo profissionalismo, com muitos clubes migrando brevemente para o rugby league – processo interrompido com a Segunda Guerra Mundial. No pós Guerra, muitos clubes franceses praticavam amadorismo “marrom”, isto é, pagamentos a atletas, sob vistas grossas da federação. O esporte se firmou como uma paixão nacional e, com a liberação do profissionalismo, em 1995, os clubes franceses, que já estavam acostumados a grandes públicos, transformaram seu campeonato no mais rico do mundo.

Hoje, o Top 14 é a liga que melhor paga no mundo do rugby e está cada vez mais recheada de grandes craques do mundo todo – algo que vem criando intenso debate pela qualidade da liga não se refletir em uma seleção nacional competitiva na mesma medida.

Pontos fortes

A França tem uma longa tradição de dominantes terceiras linhas e 3/4s geniais. A equipe havia perdido suas características nos últimos tempos, mas o técnico Jacques Brunel, com um processo intenso de renovação do elenco, parece estar retomando tais atributos, com uma linha jovem e talentosa, que vem provando ser confiável do ponto de vista ofensivo. As formações fixas francesas estão positivamente ajustadas, com o scrum sendo uma importante força dos Galos.

Qualidade individual não falta aos Bleus, que sempre vivem ao redor da mítica de “serem capazes de tudo”, isto é “do melhor e do pior”. Um dos indícios de melhora na França é que o maior clube do país, o Toulouse, voltou a ser um produtor de jovens e talentosos 3/4s. Diz o ditado que quando o Toulouse está bem, o XV de France também está.

 

Pontos fracos

Os últimos anos foram destrutivos mentalmente para o rugby francês, que sofre de sérios problemas de confiança. Além disso, os elencos dos Bleus sofreram recentemente com profunda desunião e ainda é preciso ver se a atual gestão conseguiu mesmo superar tais problemas. Defensivamente, a França ainda não é dos times mais confiáveis e sua preparação para a Copa do Mundo não foi antecedida de anos positivos. Trata-se de um time que somente às vésperas do Mundial parece ter encontrado sua identidade, algo que não costuma bastar no torneio. Isso se reflete ainda em algumas posições, que demoraram a encontrar seus verdadeiros donos – como, por exemplo, a camisa 10.

 

Olho neles!

Jacques Brunel depositou suas apostas em uma coleção promissora de jovens atletas. Antoine Dupont, Romain Ntamack e Thomas Ramos estão chamando as atenções no sistema criativo do Toulouse e da seleção, ao passo que Penaud é o jovem ponta matador do Clermont que a França tanto precisava. A eles soma-se ainda o terceira linha Grégory Alldritt de 22 anos do La Rochelle e Camille Chat, o hooker de 23 anos do Racing, ambos com um futuro muito promissor.

Entre os veteranos, Louis Picamoles, Guillaume Guirado, Maxime Médard e Yoann Huget seguem sendo atletas de confiança que podem entregar muito se o coletivo estiver funcionando bem.

Foto: France Rugby

Horários de Brasília

Fonte: R7

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