fbpx

As Seleções da Copa do Mundo: Irlanda

Bandeira do rugby irlandês

Shoulder to Shoulder! A Irlanda é uma das nações mais tradicionais do rugby e vai para mais uma Copa do Mundo com a eterna esperança de que, finalmente, poderá chegar ineditamente à semifinais. Vivendo uma das suas melhores gerações de todos os tempos, os Homens de Verde sempre são promessa de multidões peregrinando aos estádios em clima festivo.

CLIQUE AQUI PARA VER OUTRAS SELEÇÕES

Porém, de qual Irlanda estamos falando? Da República da Irlanda ou da Irlanda do Norte? Das duas! No rugby, ao contrário do futebol, as duas Irlandas jogam juntas, como uma única seleção.

Mas, como assim, duas Irlandas? Até o início do século XX, a Irlanda fazia parte do Reino Unido (chamado de Reino Unido da Grã Bretanha e Irlanda), estando sob domínio da monarquia inglesa. A Irlanda se diferia de Inglaterra, Escócia e Gales pela religião, sendo a maioria de sua população católica – e não protestante. Durante a Primeira Guerra Mundial, as regiões irlandesas de maioria católica se rebelaram e proclamaram independência, reconhecida oficialmente em 1922. Nascia, assim, a República da Irlanda. No entanto, a porção nordeste da ilha, de maioria protestante (mas também com grande população católica), se manteve unida à Grã Bretanha. A chamada Irlanda do Norte se tornou o palco de intermináveis conflitos religiosos e políticas, entre os que defendem a união com ingleses, escoceses e galeses e os que defendem a união com a República da Irlanda – e, por isso, a união promovida pela seleção de rugby é tão celebrada.

– Continua depois da publicidade –

Com a entrada da República da Irlanda para a União Europeia (e seu acordo de livre transito de pessoas de 1985, o chamado Tratado de Schengen) e o Acordo de Belfast (de 1998, entre irlandeses e britânicos) pacificaram a Irlanda do Norte, mas a saída do Reino Unido da União Europeia (o brexit) trouxe o debate sobre o futuro da ilha à pauta novamente.

A capital da República da Irlanda é Dublin e da Irlanda do Norte é Belfast.

 

Símbolo

Por representar toda a ilha, a bandeira utilizada no rugby pela Irlanda não é a bandeira da República da Irlanda e sim uma bandeira própria do rugby, que exibe a cor verde (a cor nacional) e os escudos das quatro regiões históricas da ilha: Leinster, Munster, Connacht e Ulster (que são representadas pelas quatro equipes profissionais  do rugby irlandês).

Bandeira da República da Irlanda
Bandeira da Irlanda do Norte usada no futebol

Assim como as demais nações das Ilhas Britânicas, a Irlanda não tem um apelido oficial no rugby. Seu símbolo é o símbolo da nação irlandesa, o trevo (shamrock, em inglês) que muitas vezes é usado para designar a seleção. Men in Green (Homens de Verde) também é outro termo usado para se referir à equipe.

 

Histórico

A Irlanda é uma das seleções mais antigas do mundo do rugby, criado na época que a ilha toda fazia parte do Reino Unido. O primeiro jogo oficial foi 1875 contra a Inglaterra e em 1883 os verdes estavam entre os fundadores do Home Nations Championship (transformado em 1910 em Five Nations e em 2000 em Six Nations), para depois, em 1886, fundarem o IRB (atual World Rugby, a federação internacional). A entidade máxima do rugby mundial foi fundada justamente em Dublin, na Irlanda, e tem sua sede lá até hoje.

Após ser campeã 3 vezes do Home Nations Championship durante o século XIX ainda, a Irlanda não teve uma história particularmente bem sucedida no Five Nations. Depois de 1899, o próximo título inteiro (excluindo os títulos divididos, que eram possíveis na época) foi em 1935. A Irlanda foi a principal força nos anos imediatamente seguintes à Segunda Guerra Mundial, vencendo o Five Nations em 1948, 1949 e 1951, com os verdes liderados pelo brilhante abertura Jack Kyle.

Mas o jejum veio e o irlandeses se tornaram constantes detentores da colher de pau (o último lugar) da competição (e até hoje a Irlanda é o país com mais colheres de pau na história, 29). A glória nos anos 60 foi uma inédita vitória sobre os Springboks em 1965, feito que não seria repetido até 2004. O próximo título viria somente em 1974, liderada pelo famoso segunda linha Willie John McBride, líder dos British and Irish Lions naquela década, e pelo habilidoso centro Mike Gibson. O título foi especial, símbolo de unidade, pois a Irlanda do Norte vivia naquele momento conflitos intermináveis e sangrentos entre católicos e protestantes. Os verdes ainda seriam campeões em 1982, capitaneados pelo asa John Fergus Slattery, e 1985, sob comando do hooker Ciaran Fitzgerald. No ano seguinte, no entanto, a Irlanda ficou com a colher de pau e foi à Copa do Mundo de 1987 com baixas expectativas, com o Trevo caindo nas quartas diante da Austrália.

O novo jejum de título no Five/Six Nations perduraria até 2009 (24 anos) e a Irlanda até hoje jamais passou das quartas de final do Mundial. Mas nesse período os verdes tiveram alguns bons momentos. Na Copa do Mundo de 1991, esteve muito próxima das semis, fazendo um dos mais famosos jogos de quartas de final da história, quando perdeu por 19 x 18 para a Austrália, em Dublin, após Gordon Hamilton fazer no finzinho da partida o try que daria a vitória aos irlandeses, mas com David Campese fazendo o try da vitória dos Wallabies no apagar das luzes.

Em 1995, a Irlanda eliminou Gales na fase de grupos, mas perdeu para a França nas quartas. Já em 1999 sequer chegaram às quartas, caindo diante da Argentina, em famosos 28 x 24, com try de Albanese para os Pumas aos 73′. Em 2003, no entanto, a Irlanda, liderada pelo hooker Keith Wood (primeiro jogador a ganhar o recém criado prêmio de melhor jogador do mundo) deu o troco sobre os Pumas, mas caíram nas quartas diante da França. Naquele time irlandês já despontavam craques como Ronan O’Gara e Brian O’Driscoll, que fariam história com a seleção verde.

O profissionalismo fez bem ao rugby irlandês, que investiu de maneira bem sucedida nas categorias de base e se beneficiou do crescimento de suas equipes profissionais, com Leinster, Munster e Ulster sendo campeões europeus e apresentando grandes jogadores, além de impulsionarem a popularidade do rugby na ilha.

A rivalidade com os argentinos seguiu e em 2007 a Irlanda teve nova decepção perdendo para a Argentina e França de novo e caindo na fase de grupos. Porém, a geração era muito boa e em 2009 chegou a seu auge, quebrando o jejum de títulos do Six Nations. Era o início da era de ouro do rugby irlandês, que voltaria a ser campeão europeu em 2014, 2015 e 2018, sob o comando do técnico Joe Schmidt e a liderança nesse período de homens como Paul O’Connell, Rory Best, Sean O’Brien e Jonny Sexton.

Todavia, o sucesso na Copa do Mundo de novo não aconteceu, com derrotas nas quartas de 2011 para Gales, no último Mundial de Brian O’Driscoll (para muitos o maior atleta da história do Trevo) e de 2015 para a Argentina.

O último grande tabu quebrado pelos irlandeses foi em 2016, ao vencerem pela primeira vez na história os All Blacks – feito repetido em 2018.

O Rugby por lá

O rugby na Irlanda, seja na República (de maioria católica), seja na Irlanda do Norte (de maioria anglicana), sempre esteve mais associado às elites (em geral, de maioria anglicana). Não por acaso, durante a época amadora, o maior campeão do Campeonato Irlandês Interprovincial (criado em 1947 envolvendo as seleções de Leinster, Munster, Ulster e Connacht, além dos Exiles, selecionado de irlandeses radicados na Inglaterra, Escócia e Gales) foi justamente Ulster (a equipe que representa a Irlanda do Norte). Além disso, o rugby em Dublin (capital de Leinster e da República da Irlanda) sempre foi forte entre a minoria anglicana, com o estádio do Leinster estando hoje baseado na Royal Dublin Society (como o nome diz, um clube ligado aos anglicanos, devotos da monarquia britânica). Em Dublin, clubes com origens estudantis, como Old Belvedere, St. Mary’s e o famoso Blackrock College (onde estudou Harry Donovan, um dos pioneiros do rugby no Brasil), sempre foram fortes.

Ulster, Leinster e Munster sempre tiveram grande equilíbrio de forças e certamente é em Munster que o rugby tem características diferentes. Na cidade de Limerick, segunda maior de Munster, terceira maior da República e importante porto do sul da Irlanda, o rugby se tornou o esporte mais importante da classe operária local, católica e com forte senso de identidade local. Munster foi ao longo das décadas considerado o coração do rugby irlandês e casa da torcida mais apaixonada – e barulhenta – da Irlanda. Clubes como Garryowen e Shannon, ambos de Limerick, e o Cork Constitution, de Cork, estão entre os mais famosos de Munster.

Quando o profissionalismo começou, em 1995, o domínio inicial do Ulster (campeão europeu de 1999, muito festejado por ser o primeiro título do país desde o Five Nations de 1985) foi substituído pela geração dourada do Munster, de O’Connell e O’Gara, campeões europeu em 2006 e 2008, quando a Liga Celta (Celtic League, atual PRO14) já havia sido formada. E o Munster foi substituído pelo Leinster, de O’Driscoll e Sexton, campeão europeu de 2009, 2011, 2012, 2018 e 2019 (tornando-se o maior campeão europeu).

A popularidade que o rugby atingiu na Irlanda nos anos 2000 tornou o esporte de fato nacional, acompanhado por todos os irlandeses, como a principal modalidade profissional do rugby. E o crescimento foi até sentido em Connacht, a menor das quatro regiões, que foi campeão do PRO14 ineditamente em 2016.

Pontos fortes

A Irlanda de 2019 é dono de um dos elencos mais poderosos do rugby mundial. O Trevo é forte em todas as posições, com atletas de classe mundial, e confiança obtida com grandes vitórias obtidas nos últimos anos.

Joe Schmidt tem na dupla de scrum-half e abertura, Connor Murray e Jonny Sexton (eleito melhor jogador do mundo em 2018), uma das melhores do planeta, munindo uma linha de altíssimo nível. Já o pack de forwards é dominante, com poderio no scrum e no breakdown como poucos times no mundo. Metódico, Schmidt é um dos segredos do time verde, capaz de armar equipes extremamente constantes e pragmáticas, disciplinadas com relação ao plano de jogo sempre sólido.

Pontos fracos

O time irlandês hoje conta com dois pontos de preocupação, que são os reservas para as camisas 9 e 10 e a ausência de Devin Toner na segunda linha, que pode enfraquecer o lateral. A Irlanda mostrou recentemente dificuldades em mudar seu jogo quando em desvantagem, expondo um perigoso declínio em 2019, após a apoteose em 2018. Porém, mas importante, é o tabu de nunca ter passado das quartas de final, algo que terá influência psicológica no Trevo ao longo do Mundial.

 

Olho neles!

Conor Murray e Jonny Sexton estão entre os maiores nomes de suas posições no mundo do rugby, ao passo que o ponta Jacob Stockdale é hoje um dos atletas mais letais de toda a Copa do Mundo. Garry Ringrose e Bundee Aki ainda formam uma sólida dupla de centros, ao passo que entre os avançados a experiência de Rory Best com a camisa 2 e os terceiras linhas CJ Stander e Peter O’Mahony estão entre os nomes mais confiáveis da atualidade.

Foto: ©INPHO/Ryan Byrne/IRFU Divulgação

Horários de Brasília

Fonte: R7

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!