Banco Central aponta maior conforto com a inflação, mas vê reforma da Previdência como preponderante

(Pedro França/Agência Senado)

SÃO PAULO – O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicou hoje, durante apresentação na Expert XP 2019, em São Paulo, maior conforto com as taxas de inflação, apontou a reforma da Previdência como “preponderante” e destacou que o cenário externo se encontra menos adverso, embora haja novos desafios, em um contexto de desaceleração global.

“Estamos mais confortáveis com a inflação. Vamos aguardar até a próxima reunião para ver como os fatores se comportam”, disse Campos Neto. “Agora é um debate da intensidade, de avaliar todos os fatores e qual o passo a ser dado para garantir a inflação de longo prazo na meta, com credibilidade.”

Em apresentação intitulada “Os desafios da condução de política monetária na atual conjuntura econômica”, Campos Neto afirmou que a inflação está bem ancorada, com inflação implícita e juros longos muito mais baixos. “Acho que tem alguma credibilidade ao que tem sido feito”, disse.

No texto preparado para o evento, o presidente reforçou, contudo, que, “apesar da evolução favorável do balanço de riscos para a inflação, neste momento, ainda existem riscos inflacionários relevantes”.

Em relação à meta de inflação de 3,5% para 2022, o presidente do BC afirmou já enxergar um movimento de conversão de parte do mercado e disse haver espaço para conviver com uma inflação mais baixa, como parte de um programa de longo prazo.

Riscos

Na cena externa, o cenário se encontra “menos adverso”, diante de mudanças nas perspectivas para a política monetária nas principais economias, mas há novos desafios. Há uma preocupação de que mecanismos existentes não funcionem, em um contexto de taxas de juros baixas ou até negativas.

Já no Brasil, a maior incerteza parte hoje da reforma da Previdência. Embora tenha ressaltado que outras reformas são  importantes para o país e que a instituição está atenta a outras formas de ruído sobre a inflação, o presidente destacou que a previdenciária é a principal no momento.

Há também um monitoramento do hiato do produto (a diferença entre o PIB corrente e o potencial), e o presidente do Banco Central disse que a instituição tem tentado comunicar a todos a forma como está analisando a questão. “O Banco Central tem enorme preocupação com crescimento, não existe dizer que não tem”, salientou Campos Neto, para quem a receita para um crescimento no longo prazo é uma inflação sob controle num regime de credibilidade.

Agenda do BC

O presidente do BC reiterou ainda que a taxa Selic está estimulativa para o médio prazo, o que explica a economia ainda não esboçar reação em termos de crescimento, e defendeu as microreformas em curso.

“Por que a gente insiste tanto nas microreformas? Porque realmente acredito que temos um problema macro que vamos resolver, mas um problema micro que é fundamental”, disse Campos Neto, reforçando o peso dessa agenda sobre a atividade econômica.

A reforma do sistema financeiro, com maior inclusão em termos de crédito, com mais transparência, diminuição de custos de intermediação e mais tecnologia, está no foco.

A chamada “Agenda BC#” visa democratização do setor financeiro, e conta ainda com propostas de microcrédito, Cadastro Positivo, divulgação de requisitos para implementação do open banking, iniciativa de mercado de capitais e a própria racionalização do compulsório, recentemente anunciada. “Gostaria de enfatizar que são mudanças estruturais, não estão ligadas a política monetária”, frisou o presidente do Banco Central.

Cena externa

Após encontro recente com dirigentes de bancos centrais na Suíça, Campos Neto destacou que o grande debate esteve no tema da desaceleração global, com mudanças nas expectativas de juros nos Estados Unidos, na Europa e no Reino Unido. O presidente do BC destacou ter havido uma reprecificação “bastante grande, rápida e sincronizada das taxas de juros”.

Há uma conexão, por parte do mercado, da desaceleração com a questão da guerra comercial, travada principalmente entre Estados Unidos e China. Dentre os efeitos da guerra no médio prazo, Campos Neto citou o deslocamento de parte das cadeias produtivas, com empresas alterando plantas de lugar, o que preocupa o presidente, por sinalizar que as mudanças estão sendo percebidas como de mais longa duração.

Em relação ao impacto da guerra comercial sobre a economia brasileira, Campos Neto observou que, ainda que o Brasil seja um país relativamente fechado, ele pode sofrer o efeito da questão, dado que decisões estão sendo adiadas por conta dos conflitos.

Fonte: INFOMONEY

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