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Brasil e Austrália seguem caminho diverso no mercado de minério durante a pandemia

(Bloomberg) — O mercado global de minério de ferro agora opera com dois exportadores muito diferentes. Enquanto as maiores mineradoras da Austrália estão a todo vapor e o país dá sinais de exportações recordes, o fluxo do Brasil encolheu devido ao impacto da pandemia de coronavírus nas operações.

O contraste entre os dois países – que respondem por mais de 80% das exportações globais – coincide com o aumento da demanda na China, o que ajudou a elevar os preços spot para US$ 100 a tonelada. O Goldman Sachs estima que, com a força da produção de aço na China e o desempenho abaixo do esperado no Brasil, o mercado deve continuar com déficit neste mês e em julho, antes de voltar a registrar superávit.

As exportações da Austrália totalizaram 79,7 milhões de toneladas em maio, segundo números preliminares da Global Ports compilados pela Bloomberg. O volume supera as 76,5 milhões de toneladas no mesmo período do anterior e seria o mais alto já registrado, de acordo com dados oficiais até março deste ano. A Austrália é sede de gigantes da mineração como BHP, Rio Tinto e Fortescue Metals.

A história é bem diferente no Brasil, onde os fluxos são dominados pela Vale (VALE3). No acumulados no ano, os volumes mostram baixa de 13% em relação a 2019, segundo dados do governo. Segundo o relatório mais recente, as exportações foram de apenas 21,5 milhões de toneladas em maio em comparação com 29,9 milhões de toneladas no mesmo mês do ano passado.

Enquanto o Covid-19 “pareça ter tido pouco impacto sobre mineradoras australianas”, os volumes brasileiros “ainda estão um pouco abaixo”, embora tenham se recuperado nas últimas duas semanas, de acordo com a Macquarie Wealth Management. Para que a Vale consiga cumprir o guidance, precisa exportar mais de 6 milhões de toneladas por semana no resto do ano, um ritmo que ainda não foi conseguido em 2020, disse a Macquarie em relatório de 2 de junho.

Visão do Goldman

Os embarques globais devem se recuperar no segundo semestre, criando superávit transatlântico e pressão de preços, de acordo com o Goldman, cuja previsão era de que as exportações do Brasil aumentariam de 83 milhões de toneladas no segundo trimestre para mais de 100 milhões de toneladas em cada um dos trimestres seguintes.

“Agora vemos 2020 se desenrolando como 2019: grande déficit no primeiro semestre, seguido de superávit no segundo semestre”, disseram analistas do Goldman como Paul Young em relatório na quarta-feira. O banco projeta os preços do minério em US$ 90 neste trimestre, US$ 85 no terceiro trimestre e US$ 80 nos últimos três meses do ano.

As ações da BHP e da Rio Tinto avançaram em Sydney na quarta-feira, enquanto os papéis da Fortescue perderam força, reduzindo o ganho no ano para 37%.

Fonte: Infomoney

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