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Braskem tem prejuízo de R$ 2,5 bi, SulAmérica tem lucro 91% maior e mais balanços; Magalu e Minerva fazem aquisições e outros destaques

Dentro da temporada de balanços, os destaques são os resultados do Banco do Brasil e da Braskem. O banco público viu seu lucro ajustado cair 25,3%. Assim como nos pares privados, o recuo foi motivado pelas maiores provisões para lidar com eventual aumento do calote. Na Braskem, a variação cambial contribuiu para o prejuízo bilionário de R$ 2,5 bilhões.

Ainda sobre as empresas que divulgaram seus resultados, estão a AES Tietê e a SulAmérica.

Tenda, Multiplan, Notre Dame Intermédica, Burger King Brasil, Ouro Fino e Valid divulgam o balanço após o fechamento dos mercados.

Já o Magazine Luiza anunciou a compra do Canaltech e da plataforma Inloco Media, o que leva a empresa para o segmento de publicidade online.

E a Minerva, por meio da Athena Food, comprou uma planta de abate de bovinos na Colômbia por US$ 26 milhões.

Banco do Brasil (BBAS3)

O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,31 bilhões no segundo trimestre de 2020, queda de 25,3% na comparação com igual período do ano passado, informou a companhia nesta quinta-feira (6).

Já o lucro líquido contábil totalizou R$ 3,2 bilhões no 2º trimestre, 23,7% menor em relação ao mesmo período do ano passado (R$ 4,2 bilhões).

Além do efeito do coronavírus, o lucro do Banco do Brasil foi impactado por uma baixa contábil – impairment – no valor de R$ 1,3 bilhão em decorrência de operações realizadas com grandes empresas que já eram classificadas como ativos problemáticos, segundo o BB. Veja mais clicando aqui.

A instituição também vai investir R$ 200 milhões em fintechs, segundo reportagem do jornal “O Estado de São Paulo”.

A petroquímica Braskem registrou prejuízo de R$ 2,5 bilhões no segundo trimestre, ante lucro de R$ 57 milhões em igual período do ano passado. A queda nas receitas devido à crise da Covid-19, despesas ligadas a um dano geológico em Alagoas e pressão financeira devido à alta do dólar estão entre os fatores que justificam a queda.

Em relatório, o Morgan Stanley afirmou que embora a liquidez não seja uma preocupação para a Braskem no momento, o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) demonstra excesso e deve permanecer em patamar elevado até 2022. “Os índices de alavancagem estão atingindo um nível desconfortável, com a relação dívida líquida e Ebitda subindo para 8,5 vezes”, alertou, em relatório, o banco americano.

SulAmérica (SULA11)

A seguradora SulAmérica registrou um lucro líquido de R$ 498,3 milhões no segundo trimestre do ano, um crescimento de 91% na comparação com igual período de 2019.

As receitas operacionais de seguros apresentaram alta de 5,7%, para R$ 4,587 bilhões. Veja mais clicando aqui. 

AES Tietê (TIET11)

A AES Tietê registrou lucro líquido de R$ 119 milhões no segundo trimestre de 2020, avanço de 235,7% na comparação com igual período do ano anterior.

O Ebitda ficou em R$ 275,6 milhões, alta de 21,8% no comparativo anual. A receita líquida foi de R$ 475,2 milhões, queda de 2%.

No final de julho, a AES Corp adquiriu uma fatia do BNDESPar na empresa e passou a deter participação de 42,9% na AES Tietê, depois de uma disputa com a Eneva.

Ainda no radar da companhia, ela divulgou fato relevante afirmando que adquiriu um complexo de geração eólica da J. Malucelli Energia S.A., localizada no estado do Rio Grande do Norte.

“Temos uma avaliação positiva da transação para a AES Tietê, uma vez que estimamos taxas de retorno reais atrativas para os acionistas da companhia com base nos modelos que elaboramos para o complexo”, aponta Gabriel Francisco, analista da XP Investimentos, que reitera recomendação de compra para a unit da companhia, com preço-alvo de R$ 17 por ativo. “Notamos que nossas estimativas e preço-alvo não levam em consideração a aquisição do Complexo Eólico Ventus”, avaliam.

O lucro líquido da Enauta atingiu R$ 127,8 milhões no segundo trimestre do ano, número mais de 6 vezes (ou 526,2%) superior ao registrado em igual período de 2019.

Já a receita líquida da empresa ficou em R$ 243,8 milhões, com crescimento de 32,6% no comparativo atual. O Ebitdax (Ebitda que considera a exploração de poços secos chegou a R$ 310,4 milhões, um crescimento de 215,6%

Os analistas do Itaú BBA consideraram o resultado neutro, apontando que o Ebitdax ficou abaixo da expectativa, “em grande parte devido a um desconto acima do esperado no petróleo do campo de Atlanta”. Afirmaram ainda que os investidores devem se concentrar nas discussões sobre a implementação do Sistema de Desenvolvimento Integral em Atlanta, onde a companhia irá furar o quarto poço.

A Totvs apresentou um lucro líquido de R$ 58,3 milhões no segundo trimestre de 2020, uma leve alta de 1,4% na comparação com igual período do ano passado.

Entre abril e junho, a receita líquida totalizou R$ 627,4 milhões, alta de 11,2%. Já o Ebitda ficou em R$ 137,3 milhões, alta de 18,1% no comparativo anual. A margem Ebitda passou de 20,6% no segundo trimestre de 2019 para R$ 21,9% no segundo trimestre de 2020.

O Credit Suisse viu os resultados como positivos, destacando o crescimento das receitas com software, que avançaram 7% nco comparativo anual. “O Ebitda ficou acima da nossa estimativa, apesar das provisões muito mais altas para devedores duvidosos, devido às boas vendas e às despesas de vendas e marketing muito menores que o esperado.”

O Bradesco BBI espera que o crescimento da receita recorrente volte para a casa dos dois dígitos. “Reforçamos a Totvs como nossa Top Pick na América Latina com classificação “outperform” e preço-alvo de R$ 22,00″, afirmaram.

BR Properties (BRPR3)

A BR Properties registrou um lucro líquido de R$ 19,9 milhões, uma queda de 65% na comparação com igual período do ano passado.
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Entre abril e junho, a receita líquida da companhia foi de R$ 75,5 milhões, queda de 23% no comparativo anual. As despesas gerais e administrativas ajustadas, que excluem despesas por vacância, totalizaram R$ 14,7 milhões, leve alta de 2%. Copm isso, o Ebitda ajustada foi de R$ 52,1 milhões, queda de 27%.

Para os analistas do Itaú BBA, a atividade de arrendamento mercantil se mostrou resiliente para a empresa. “Embora prevamos um impacto limitado nos ganhos de curto prazo devido à Covid-19, vamos manter a recomendação neutra devido ao cenário pouco claro para os spreads de arrendamento mercantil”, avaliaram.

O Credit Suisse também decidiu manter a recomendação de neutro para as ações da BR Properties pela ausência de fatores que possam impulsionar maiores ganhos. “Nesse sentido, esperamos que a empresa continue a reportar bem, mas com desempenho à margem.”

A Tegma registrou um prejuízo líquido de R$ 4,36 milhões no segundo trimestre do ano, ante um lucro líquido de R$ 32,5 milhões em igual período do ano passado.

A receita líquida atingiu R$ 131,1 milhões, um recuo de 61% no comparativo anual e abaixo do esperado por analistas.

O Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 4,7 milhões, ante positivo de R$ 17,2 milhões entre abril e junho de 2019. A margem Ebitda, que era positiva em 15,4% no ano passado, ficou negativa em 3,6%.

Magazine Luiza (MGLU3)

O Magazine Luiza informou as compras da Unilogic Media Group e do Canal Geek, que operam o portal Canaltech, e da plataforma Inloco Media, o que leva a empresa para o segmento de publicidade online. A companhia não informou o valor das duas aquisições.

Segundo a varejista, será possível combinar geração de conteúdo e audiência com a plataforma para comercialização de mídia digital.

O Canaltech aborda, entre outros assuntos, lançamentos de produtos e atinge mensalmente 24 milhões de visitantes únicos, além de 2,5 milhões de inscritos no YouTube. O Magazine Luiza espera, por meio do MagaluAds, ampliar a divulgação dos produtos à venda na plataforma da varejista.

Já a Inloco Media faz comercialização de publicidade digital.

O Credit Suisse considerou a aquisição das duas empresas como estratégica. “Os negócios de publicidade ainda são incipientes para o comércio eletrônico do Brazil, mas são uma peça importante para o ecossistema. Mais fusões e aquisições por vir”, avaliaram os analistas.

O frigorífico Minerva informou que sua subsidiária Athena Food comprou a aquisição de uma planta de abate na Colômbia por US$ 26 milhões.

A unidade, pertencente ao Frigorifico Vijagual, está localizada na cidade de Bucaramanga. O valor do desembolso envolve US$ 14 milhões por ativos, US$ 7 milhões a título de capital de giro e US$ 5 milhões para modernização das instalações.

A planta de processamento de bovinos tem capacidade para abate e desossa de 700 cabeças ao dia e deverá dobrar o volume das operações na Colômbia no ano de 2021. A expectativa é que a Athena Foods comece a operar a planta em 1º de setembro.

Segundo informações do Valor, insatisfeitos com a proposta da Oi de alteração Do plano de recuperação judicial aprovado em 2017, Itaú Unibanco, Santander, Banco do Brasil e China Development Bank (CDB) protocolaram na Justiça objeções contra o aditamento que será submetido entre o fim de agosto e o início de setembro ao crivo de uma assembleia de credores. Entre outros pontos, as instituições financeiras questionam a previsão de que aproximadamente R$ 2,5 bilhões provenientes da futura venda de ativos da companhia sejam usados para quitar dívidas da Oi Móvel junto à Telemar.

Segundo Guilherme Marcondes Machado, especialista no tema, a viabilidade da recuperação judicial da Oi estaria ameaçada caso houvesse uma decisão da Justiça favorável a esses credores, destaca o jornal. Isso porque o aditamento prevê a venda de ativos como forma de pagar credores e financiar a expansão da rede de fibra óptica da Oi. No aditamento, a Oi prevê um desconto de 60% sobre o valor de face da dívida com bancos e agências de crédito à exportação.

O Bradesco BBI, antes de dar sua opinião sobre o tema, ressalta que a notícia contém algumas imprecisões,  como a inclusão do Santander entre os bancos contra o plano de recuperação da Oi ao invés da Caixa. “Como esse é um processo complexo, com muitas partes, precisamos ser cautelosos com a interpretação das notícias”, avaliam.

De qualquer modo, os analistas apontam que esse movimento pode ser interpretado como uma tentativa de pressionar a Oi para evitar o haircut relacionado aos bancos.

“É importante lembrar que o resultado do processo de mediação com os Bancos (Itaú, Caixa e Banco do Brasil) deve sair hoje, o que reforça nossa visão de pressão por parte dos bancos. Outro tópico importante é que, se por algum motivo o aditamento não for aprovado, não será possível a venda de ativos que impactariam a capacidade financeira da Oi de quitar dívidas, inclusive as relacionadas aos bancos. Nosso caso-base permanece de aprovação até o final de agosto, mesmo em um cenário de bancos contrários, uma vez que os detentores de títulos têm poder de voto de cerca de R$ 29 bilhões versus R$ 9 bilhões para os bancos”, avaliam.

O Bradesco BBI elevou a recomendação para as ações da BRF para outperform (desempenho acima da média do mercado), com o preço-alvo sendo elevado de R$ 25 para R$ 28, o que configura um potencial de valorização de 36% em relação ao fechamento da véspera.

Segundo os analistas do banco, enquanto os resultados do segundo trimestre do setor estão superando as estimativas até o momento, eles avaliam que o mercado está subestimando os ganhos de receita para o negócio de alimentos processados ​​da BRF (45% das vendas) e as mudanças no comportamento do consumidor em meio à pandemia de coronavírus.

Os analistas elevaram a sua previsão para o Ebitda de 2020-2021 em 7% e esperam ver um momentum melhor de lucro no segundo semestre, com alta de 20% do Ebitda na comparação anual.

“As ações da BRF têm registrado um desempenho abaixo aos nomes de proteínas brasileiros em 30 pontos percentuais e 22 pontos percentuais abaixo do Ibovespa desde o início do COVID-19, devido a problemas de liquidez, preocupações com excesso de oferta de frango e o impacto negativo de reduções forçadas na capacidade devido à pandemia. No entanto, o Ebitda deve atingir o ‘fundo do poço’ no segundo trimestre (também impactado negativamente pelos hedges) e, com base nos resultados do segundo trimestre das empresas de alimentos industrializados, acreditamos que o mercado esteja excessivamente conservador no negócio de alimentos processados ​​da BRF (cujas principais marcas são Sadia, Perdigão e Qualy), devido a mudanças no comportamento do consumidor”, avaliam os analistas.

A companhia aérea Azul afirmou que espera operar 407 decolagens diárias nos dias de maior demanda em setembro. O número representa cerca de 55% do ritmo das operações domésticas de um ano antes e 45% da capacidade total.

A companhia vem retomando gradualmente suas operações desde abril, quando as medidas de isolamento social tomadas para tentar conter a pandemia do coronavírus paralisaram quase totalmente as viagens aéreas no país.

Ainda no radar do setor, o presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou, com três vetos, a conversão em lei da medida provisória de socorro ao setor aéreo. Apesar de ter vetado a possibilidade de saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para aeronautas e aeroviários, Bolsonaro manteve no texto a previsão de uso do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) para empréstimos ao setor e o fim do adicional de US$ 18 cobrados na Tarifa de Embarque Internacional a partir do ano que vem. A nova lei está publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira.

Positivas para o setor e inseridas na MP pelo Congresso, as duas iniciativas mantidas na lei não tinham destino certo durante as discussões sobre a sanção da medida, pois precisavam passar pelo crivo da equipe econômica. Veja mais clicando aqui. 

Bancos

Para a tarde desta quinta-feira, o Senado convocou sessão para votar um dos projetos que vêm impactando as ações do setor financeiro desde o início da pandemia do novo coronavírus. O projeto em questão é de número 1166, de 2020, do senador Álvaro Dias (PODE-PR), que limita taxas de juros do cheque especial e do cartão de crédito durante a pandemia. A proposta é o primeiro item da pauta.

O projeto limita a cobrança de juros no cheque especial e no cartão de crédito em 30% ao ano. A proposta valerá para dívidas contraídas entre março e dezembro de 2020. O governo do presidente Jair Bolsonaro tentará barrar a aprovação. Se passar, ainda dependerá de aval da Câmara e de sanção. Confira o que esperar clicando aqui. 

(Com Agência Estado e Bloomberg)

Fonte: Infomoney

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