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CACD 2019 – Correção detalhada da prova de Geografia

Correção comentada e detalhada da prova de Geografia do CACD 2019, a primeira elaborada pelo IADES.

Olá, CACDistas! Tudo bem?

Gostaria de compartilhar com vocês meus comentários sobre a
tão esperada prova de Geografia para o Instituto Rio Branco. Por ser a primeira
elaborada pelo IADES, gerou apreensão em muitos alunos que, com toda a razão,
se preocuparam (e muito!) por não conhecerem a nova banca.

A boa notícia é que no geral, foi uma prova justa, honesta e previsível, seguindo praticamente o mesmo formato das avaliações anteriores da CESPE e fazendo jus aos estudos de vocês – ainda que tivesse tido a cobrança de alguns aspectos específicos demais, conforme veremos adiante.

A primeira questão (número 23) versou sobre o planejamento territorial da Região Nordeste, um assunto que tratamos exaustivamente em nosso curso e que vocês poderiam responder tranquilamente sem grandes traumas.

A segunda questão (número 24) já era mais complicada, pois exigiu conhecimentos de Atualidades e Política Internacional, sobretudo sobre as relações Brasil-China. Não é nenhuma surpresa que a prova de Geografia dialoga intensamente com estas duas áreas, porém, houve alguns problemas de redação que poderiam facilmente confundir o aluno (veja abaixo as possibilidades de recurso e anulação).

A terceira questão (número 25) cobrou basicamente o REGIC do IBGE, aquele estudo sobre as redes de cidades do Brasil que mesmo sendo antigo, ainda continua sendo cobrado nas provas do CACD. Já foi um tema muito frequente, mas que caiu em desuso relativo nos últimos cinco anos. A julgar pela prova de 2019, parece que há uma tendência de retomada do assunto.

A quarta questão (número 26) foi sobre metropolização e desmetropolização do Brasil, um tema bastante frequente nas últimas provas. No entanto, é a primeira vez que a formação de metrópoles é cobrada do ponto de vista normativo. Sempre estudamos a parte teórica, porém, até então, nunca havia caído. Repare que foi a segunda questão de Geografia Urbana.

A quinta questão (número 27) foi a mais complexa da prova. Não necessariamente por ser difícil, mas sim, por exigir uma grande quantidade de informações, desde a dicotomia entre Mackinder e Mahan (um assunto já frequente para os CACDistas), até especificidades locais como, por exemplo, as fronteiras entre China e Índia ou o relevo dos Estados Unidos, que são conteúdos pouco usuais. Apesar de difícil, eu particularmente achei uma questão bem elaborada, pois sintetizou bem o papel do geógrafo na compreensão integrada dos aspectos físicos e geopolíticos.

A sexta questão (número 28) versou sobre a transição demográfica no Brasil, um assunto muito frequente nas provas do CACD. A grande surpresa negativa foi a cobrança de aspectos específicos como, por exemplo, as datas de transição no Brasil. Porém, no geral, foi uma boa questão.

Vejamos os detalhes abaixo.

QUESTÃO 23

No que se refere às transformações recentes na Região
Nordeste, considerando as iniciativas de planejamento regional, julgue (C ou E)
os itens a seguir.

1) Nas primeiras
décadas do século 21, a Região Nordeste desenvolveu uma maior capacidade de
resiliência frente ao fenômeno da seca. Contribuíram para esse quadro, entre
outros fatores, os investimentos em infraestrutura, permanência de políticas
hidráulicas, novas políticas de convivência com a seca, urbanização da
sub-região semiárida, maior capilaridade das políticas sociais de transferência
de renda e políticas de crescimento econômico.

Nessa questão, o IADES manteve uma postura que a CESPE já
tinha e que já comentamos aqui.  Ambas as
bancas possuem uma abordagem possibilista e consideram que os problemas
naturais – como, por exemplo, a seca – não são justificativas para os problemas
sociais. Uma vez que os problemas da seca foram contornados, pelo menos em
parte, pelo poder público, as condições de vida no nordeste melhoraram.

Nas primeiras décadas do século XXI, o governo federal
protagonizou uma série de programas sociais na região (Bolsa família, PRONAF,
seguro-safra, luz para todos, etc.). Do mesmo modo, realizou investimentos em
infraestrutura do qual o exemplo mais importante é a transposição do Rio São
Francisco.

A questão também aponta um fenômeno que é “figurinha
carimbada” no CACD – isto é, aquilo que cai praticamente todos os anos – que é
o crescimento das cidades médias no Brasil, um fenômeno provocado
principalmente pela desconcentração industrial e pelo fortalecimento da
agroindústria. No caso do nordeste, esse fenômeno também teve influência desses
programas sociais que ajudaram a manter o sertanejo na região.  Gabarito: Certo.

2) O modelo de
desenvolvimento industrial empregado por muitos estados da Região Nordeste
priorizou a adoção de estratégias de atração de indústrias externas com
financiamentos públicos via benefícios fiscais para a atração de unidades
industriais.

De fato, esse foi o modelo de crescimento industrial
empregado não somente na Região Nordeste, como também, em todo o território
brasileiro. Isso caracteriza o que o Prof. Amado Cervo chamou de “Estado
Logístico”, um modelo de desenvolvimento implantado no Brasil no início do
século XXI, com o Estado fornecendo o suporte logístico e financeiro para a
atuação do capital privado. Isto é, um Estado não tão enxuto como no modelo
neoliberal, porém, não tão forte como no modelo desenvolvimentista.

Além disso, essa questão deixa bem evidente a questão da guerra
fiscal e da integração das cadeias de produção global, aquilo que estudamos no
fenômeno de globalização. A partir do momento que o capital pode circular com
maior fluidez, é necessário, cada vez mais, que os Estados garantam a sua
permanência. E esses benefícios fiscais são uma estratégia nesse sentido.
Gabarito: Certo

3) Criada no Governo de
Juscelino Kubitschek, a Superintendência de Desenvolvimento da Região Nordeste
(Sudene) foi extinta definitivamente no Governo Fernando Henrique Cardoso. O
encerramento das atividades da Sudene representou o fim de um ciclo de
políticas públicas voltadas para o combate às disparidades regionais no Brasil.

De fato, A SUDENE foi criada durante o governo de JK e
extinta durante o governo de FHC. Isso em dois contextos diferentes. Na época
de sua concepção, havia a ideia de “crescer 50 anos em 5”, uma máxima adotada
pelo “Plano de Metas” de Juscelino, um programa nitidamente
nacional-desenvolvimentista. Sob essa perspectiva, a SUDENE serviria para
orientar o desenvolvimento e o crescimento da região nordeste que já naquela
época, apresentava inúmeros problemas sociais. No início do século XXI, ainda
na gestão de FHC, a SUDENE foi extinta, dando lugar a Agência do
Desenvolvimento do Nordeste (ADENE). Até aí, a questão está correta, porém, há
dois erros que devemos comentar.

Primeiramente, a SUDENE não foi “extinta definitivamente”. Na verdade, o órgão foi recriado em 2007, na gestão de Lula. Portanto, foi uma extinção temporária e não definitiva. Em segundo lugar, não é verdade que a extinção da SUDENE marcou o “fim de um ciclo de políticas públicas voltadas para o combate às disparidades regionais no Brasil”. Afinal, conforme vimos no item anterior, foi justamente nas primeiras décadas do século XXI que o Estado brasileiro procurou implantar programas para sanar esses problemas. Gabarito: Errado.

4) Os focos dinâmicos
da agricultura moderna no sertão nordestino estão diretamente associados à
construção de perímetros públicos irrigados, tais como o de Nilo Coelho (PE),
Curaçá (BA) e Tabuleiro de Russas (CE).

Agricultura irrigada no Nordeste é outra “figurinha
carimbada”, um assunto que costuma cair muito no CACD. De fato, embora as
condições pluviométricas não sejam favoráveis, o sertão do nordeste é um dos
principais polos produtores de frutas do Brasil, inclusive, responsável por um
grande volume de exportações. Até aí, questão tranquila.

A maior dificuldade dessa questão é identificar os perímetros
públicos irrigados que são citados (Nilo Coelho, Curaçá e Tabuleiro de Russas).
De fato, são três exemplos de irrigações provenientes do Rio São
Francisco.  A boa notícia é que não era
necessário conhecer estes exemplos para acertar a questão. Nesse caso, a banca
foi justa e não se preocupou com especificidades pequenas.  Gabarito: Certo

QUESTÃO 24

O agronegócio no Brasil é bastante dependente da
comercialização de commodities em mercados internacionais. A respeito da
balança comercial de produtos agropecuários entre Brasil e China, julgue (C ou
E) os itens a seguir.

1) A guerra comercial
envolvendo China e Estados Unidos causou repercussões diretas no comércio
bilateral de produtos agropecuários do Brasil com o país asiático. O efeito
mais visível foi o aumento substancial da comercialização de grãos (soja) a
partir de 2018.

Para essa questão, conhecimentos de Geografia não bastavam. O
aluno precisava estar informado sobre atualidades. O que é importante entender
aqui é que o Brasil foi um dos países que se aproveitou da guerra comercial
entre Estados Unidos e China.

Os Estados Unidos e o Brasil são, respectivamente, o primeiro
e o segundo maior produtor de soja do mundo – de certa forma, portanto, são
concorrentes em âmbito global. Como por conta da guerra comercial, os produtos
norte-americanos passaram a serem taxados na China, os produtos brasileiros
ficaram mais baratos. Por conta disso, a soja brasileira passou a ser a
preferida de Pequim. Gabarito: Certo.

2) O comércio bilateral
entre Brasil e China envolvendo produtos agropecuários é bastante longevo. Não
obstante o aumento dos volumes e dos valores exportados, o patamar de
exportações brasileiras manteve-se estável no século 21 com variação entre 5% e
10% do total exportado para a China. Ou seja, as principais modificações
ocorridas estão relacionadas mais diretamente à diversificação de produtos com
destaque para o crescimento explosivo da exportação de soja em grão em
detrimento do açúcar e do café.

Ao contrário do afirmado na questão, as exportações do Brasil
para a China não se mantiveram estáveis no século XXI. Na verdade, foi justamente
o aumento desse fluxo que possibilitou o grande crescimento econômico que o
Brasil encarou na primeira década do século, aquilo que os especialistas chamam
de “efeito-China”. O que ocorreu, na verdade, foi um aumento expressivo das
exportações do Brasil para o país asiático, tanto em percentuais quanto em
valores absolutos. Foi nesse período, por exemplo, que a China ultrapassou os
Estados Unidos como nosso maior parceiro comercial.

Além disso, a questão erra ao afirmar que há uma
diversificação de produtos nessa relação. Na verdade, apesar do aumento do
fluxo, o Brasil ainda continua exportando commodities para a China,
especialmente soja e minério de ferro. Gabarito: Errado

3) A China exerce um
papel importante no comércio internacional de alimentos no mundo e é o quarto
país no ranking de exportação. No entanto, as trocas comerciais de produtos
agropecuários com o Brasil ainda não apresentam valores significativos.

Uma questão extremamente complicada e mal escrita que, na
minha humilde opinião, deveria ser anulada. O gabarito está “correto”, porém,
há alguns erros. 

Primeiramente, não está claro em qual “quarta posição” a
China estaria. Levando em consideração dados do CIA Factbook, a China não é o
quarto, mas sim o primeiro país no ranking de exportação global. Além disso, a
China também é o país que o Brasil mais exporta, de acordo com dados do
Observatório de Complexidade Econômica. Sendo assim, o país asiático está em
primeiro lugar, tanto no volume de exportações global quanto no volume de
exportações do Brasil.

Além disso, a questão diz que as trocas comerciais de
produtos agropecuários com o Brasil “ainda não apresentam valores
significativos”. Isso contradiz a própria questão anterior que afirma que o
Brasil passou a exportar mais soja para a China a partir de 2018 por conta da
guerra comercial. Na verdade, é bastante evidente para qualquer CACDista que há
uma intensa troca comercial de produtos agropecuários entre os dois
países. 

Surpreenda-me que esse gabarito esteja “correto”. Minha sugestão é que entrem com recurso.  Gabarito: Correto (?)

4) O escândalo da Carne
Fraca não foi suficiente para abalar a liderança e o protagonismo do setor na
balança comercial de produtos agropecuários entre Brasil e China. Uma
explicação direta do sucesso da exportação de carnes para o país asiático é o
aumento contínuo da demanda por proteína animal, bem como o avanço recente do
número de casos da peste suína em 2019.

Mais uma questão de atualidades, desta vez, com uma pegadinha
embutida. A questão tem algumas premissas corretas. Primeiramente, acerta ao
dizer que o escândalo da Carne Fraca (uma operação da Polícia Federal em 2017
que investigou e puniu empresas do ramo que adulteravam a qualidade das carnes
no país) não afetou significativamente as exportações do Brasil para a China.

Em segundo lugar, acerta ao dizer que o aumento de casos da
peste suína – outro item de atualidades – estimulou a compra de carnes
brasileiras. De origem africana, a doença chegou à China em 2018 e dizimou
grande parte do rebanho suíno do país. 
Vale ressaltar que a carne de porco é a principal origem da proteína
consumida no país asiático.

No meio de tantos acertos, é difícil encontrar o erro que
caracteriza a “pegadinha” da questão. O gabarito está errado simplesmente
porque embora o Brasil seja um dos maiores produtores e exportadores de carne
do mundo, o setor de carnes NÃO exerce a “liderança” e o “protagonismo” na
balança comercial entre Brasil e China. As carnes estão longe de liderar as
nossas exportações para a China que são, em grande parte, caracterizadas pelo
enorme fluxo de soja e minério de ferro. Gabarito: Errado.

QUESTÃO 25

O avanço da divisão técnica e territorial do trabalho e as  transformações  decorrentes  das  novas  formas  de comunicação ampliaram a organização em redes – de produção e  distribuição,  de  prestação  de  serviços,  de  gestão  política  e econômica – cujos nós são constituídos pelas cidades.

Nesse contexto, a rede urbana brasileira definida pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir do estudo  Regiões 
de  Influência  das 
Cidades  –  REGIC 
(2007), destaca a concepção da complexidade das relações e interações
espaciais  entre  as 
cidades  brasileiras  em 
suas  diferentes tipologias e
redes de influência entre centros urbanos, em alguns contextos de proximidade
ou até mesmo de distância.

IBGE. REGIC. Rio de Janeiro, 2008, p. 9, com adaptações. Rede
Urbana do Brasil, 2007 IBGE. REGIC. Rio de Janeiro, 2008, p. 12. (Figura
ampliada na página 15)

A  esse  respeito, 
com  base  nas 
informações  do  texto 
e considerando  a  imagem 
da  rede  urbana 
brasileira apresentada, julgue (C ou E) os itens a seguir.

1) São Paulo e Rio de
Janeiro, maiores centros urbanos e principais centros financeiros e
empresariais do Brasil e  da América  do  Sul,  são 
denominados  metrópoles
internacionais  ou  cidades 
mundiais  pela  respectiva influência  sobre 
a  vasta  extensão 
do  território brasileiro e
sul-americano.

Embora seja antigo, esse estudo do IBGE já caiu em várias
provas do CACD, inclusive em questões discursivas. De acordo com o REGIC, São
Paulo é uma “grande metrópole nacional” e Rio de Janeiro e Brasília são
“metrópoles nacionais”. Isso significa que, dentro da hierarquização típica da
rede de cidades, possuem influência em todo o território nacional. Até aí, tudo
bem.

O erro da questão está em dizer que São Paulo e Rio de
Janeiro está no mesmo patamar de “metrópoles internacionais” ou “cidades
mundiais”. Embora sejam relevantes em âmbito nacional, estas duas metrópoles
não se projetam a nível global do mesmo modo que, por exemplo, Londres, Nova
York ou Tókio – ainda que alguns estudos incluam São Paulo nessa
categoria. 

Mesmo que o REGIC considerasse São Paulo como uma cidade
global, a questão estaria errada pelo fato de afirmar que uma “cidade mundial”
possui influência sobre os territórios brasileiro e latinoamericano, dando uma
ideia de restrição que não se aplica à realidade. Na verdade, cidades mundiais,
conforme o próprio nome sugere, exercem influência em todo o âmbito global (pelo
menos onde o meio técnico-científico-informacional faz-se presente) e não
somente em uma região específica. 
Gabarito: Errado.

2) As cidades são
economias abertas em que as estruturas produtivas  têm 
ampla  mobilidade  e 
capacidade  de transformação. A rede
urbana brasileira apresenta um conjunto expressivo de cidades de porte médio,
que desempenham papéis importantes na dinâmica atual do território brasileiro.

Mais uma questão fazendo jus a tradição do CACD de cobrar a
importância das cidades médias na rede urbana brasileira. De fato, a rede
urbana brasileira possui um grande número de cidades médias que, de acordo com
o Censo de 2010, estão crescendo acima da média nacional – uma tendência que
deverá se confirmar no Censo de 2020. Isso está vinculado aos fenômenos de
desmetropolização, desconcentração industrial e também a reversão dos fluxos
migratórios – como, por exemplo, a ruralização e a migração de retorno.
Gabarito: Certo.

3) Brasília, pela
própria função de capital da República, detém 
papel  importante  na 
gestão  federal  e  na
articulação  entre  as 
regiões  brasileiras,  sendo considerada uma metrópole de influência
nacional.

Perfeito. Ainda que metrópoles como São Paulo e Rio de
Janeiro sejam economicamente mais expressivas do ponto de vista financeiro, Brasília
é uma metrópole nacional justamente porque é o maior centro de decisão
política, territorial, orçamentária e legislativa do Brasil. As decisões que
dali partem possuem capacidade de influenciar todo o território nacional, daí o
título “metrópole nacional”. Apesar de a questão estar correta, devemos ter em
mente que do ponto de vista da rede urbana global, Brasília não possui o mesmo
peso de São Paulo, Buenos Aires ou Santiago. Gabarito: Certo

4) A ocupação rarefeita
da Amazônia brasileira apresenta urbanização limitada a duas grandes cidades
médias, Belém  e  Manaus, 
e  uma  rede 
dispersa  de  pequenas cidades de influência apenas local.

Essa questão é uma sequência de afirmações quase corretas. De
fato, a Amazônia brasileira possui ocupação rarefeita, sendo de modo geral
pouco povoada e populosa. Também é verdade que Manaus e Belém são, de longe, as
duas maiores cidades do bioma. Inclusive, para termos uma ideia da importância
delas, de acordo com o REGIC, toda a rede urbana da Região Norte (com exceção
de parte do Tocantins) é influenciada por estas duas metrópoles. Também é
verdade que há uma rede dispersa de pequenas cidades de influência local –
ainda que essa seja uma situação que ocorre no Brasil todo.

O erro da questão, bastante sutil, está em afirmar que a
urbanização da Amazônia está “limitada” a Manaus e Belém. Dentro dos próprios
estados de Amazonas e Pará, a urbanização também ocorre em centros regionais
como, por exemplo, Parintins e Santarém. Dentro da própria Amazônia, há outras
capitais estaduais como Porto Velho, Rio Branco, Boa Vista, entre outras. É um
erro, portanto, dizer que a urbanização da região norte é “limitada” a Belém e
Manaus.

Outro erro é dizer que Manaus e Belém são “cidades médias”,
pois são muito mais do que isso. Ainda que a questão não aponte qual o critério
para definir o que é “médio” e o que é “grande” – um tema de muita discussão
entre geógrafos – seria errado classificar duas enormes manchas urbanas em “cidades
médias”. Gabarito: Errado.

QUESTÃO 26

Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), o Brasil apresenta, no ano de 2019, uma população total de
aproximadamente 210 milhões de habitantes. Esse número expressivo revela
questões importantes a respeito da distribuição da população pelo território
nacional, bem como das implicações para a configuração intraurbana das cidades
brasileiras, já que cerca de 84% da população vive em espaços urbanos.

Com base nessa informação, julgue (C ou E) os itens a seguir.

1) As questões
relacionadas à mobilidade urbana têm afetado, de forma negativa, a gestão e a
capacidade competitiva das metrópoles brasileiras. A distância significativa
entre bairros residenciais e as áreas centrais, concentradoras da oferta de
postos de trabalho, tem gerado perdas de tempo e de recursos que afetam grande
parte da população nessas metrópoles.

Questão fácil, tranquila, sem pegadinhas. De fato, deficiências
na mobilidade urbana – que intensificam as migrações pendulares – são problemas
graves das grandes cidades. Não há nenhum mistério em dizer que as áreas
centrais concentram a oferta de postos de trabalho e que moradores das
periferias afetados pelas formas de segregação residencial sofrem mais com
transporte e locomoção. Gabarito: Certo.  

2) O fator
metropolitano ganha expressão na política pública brasileira na década de 1970,
com a criação das primeiras regiões metropolitanas no ano de 1973. A partir da
Constituição Federal de 1988, a criação das regiões metropolitanas passou do
âmbito federal para a competência dos estados.

De fato, foi a partir de 1973 que as primeiras metrópoles
foram criadas pelo Governo Federal. Dentre elas, São Paulo e Rio de Janeiro, as
duas mais importantes do país. Conforme vimos nas aulas, a partir da
Constituição de 1988, a criação de metrópoles passou a ser competência dos estados
da federação. Por isso, a partir desse período, houve uma “explosão” desse
fenômeno – inclusive, nos últimos anos, várias RMs foram criadas como, por exemplo,
as de Ribeirão Preto (SP) e Sobral (CE).

Essa questão é importante para entendermos que a metrópole é
uma unidade jurídica, algo normativo, diferentemente de uma área urbana concretamente
perceptível no espaço geográfico. No geral, o critério para estabelecimento de
uma metrópole é a dependência que os municípios-satélite têm de um município
central, tanto no âmbito econômico-social quanto no aspecto
territorial-ambiental. Gabarito: Certo.

3) Metrópole pode ser
definida conceitualmente como espaços urbanos complexos e de grande extensão
territorial e demográfica, acima de um milhão de habitantes e com diversos
municípios de diferentes tipologias, tamanhos e níveis de integração, o que
define o caráter metropolitano dessas aglomerações.

Ainda que não seja consenso entre os geógrafos que uma
metrópole deva, necessariamente, possuir mais de um milhão de habitantes, a
assertiva está correta. Mesmo que o limite populacional não fosse uma
exigência, dada a sua própria essência, a verdade é que muito dificilmente uma
metrópole teria menos que um milhão de habitantes.  De fato, conforme aponta a questão, metrópoles
possuem grande extensão territorial e demográfica, abrangendo diversos
municípios diversos e dependentes entre si. Gabarito: Certo

4) As metrópoles
brasileiras, em geral, têm apresentado um quadro de esvaziamento demográfico e
desconcentração produtiva, perdendo população para novos centros dinâmicos: as
cidades médias, que têm crescido em ritmo acelerado, recebendo infraestruturas
produtivas e fluxos migratórios provenientes das regiões metropolitanas.

Cuidado com essa questão, há uma pegadinha clássica das
provas de Geografia: a confusão entre desmetropolização e esvaziamento
demográfico no Brasil. É verdade que as cidades médias estão crescendo em ritmo
superior às grandes cidades – inclusive, as metrópoles de médio porte estão
crescendo mais do que as metrópoles tradicionais.

Apesar disso, não podemos afirmar que estas metrópoles
tradicionais estão perdendo população. O esvaziamento demográfico simplesmente
não existe no Brasil. O que está acontecendo é que centros tradicionais como
São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, estão tendo saldo migratório negativo,
porém, ainda estão crescendo demograficamente de forma orgânica, vegetativa.

É verdade que cada cidade brasileira está em uma fase
diferente de transição demográfica, mas isso não vem ao caso. O fato é que
apesar das metrópoles tradicionais apresentarem atualmente mais pessoas saindo
do que entrando nelas (desmetropolização e saldo migratório negativo), suas
populações continuam crescendo (não há esvaziamento demográfico) e aí está o
erro da questão. Gabarito: Errado

QUESTÃO 27

O terreno em que vivemos sempre nos moldou. Ele moldou as
guerras, o poder, a política e o desenvolvimento social dos povos que habitam
hoje todas as partes da Terra. A tecnologia talvez pareça superar as distâncias
entre nós no espaço mental e físico, mas é fácil esquecer que o terreno em que
vivemos, trabalhamos e criamos nossos filhos é importantíssimo, e que as
escolhas dos que dirigem os sete bilhões de habitantes deste planeta serão
sempre moldadas, em alguma medida, por rios, montanhas, desertos, lagos e mares
que nos restringem – e sempre o fizeram. […]

Em termos gerais, a geopolítica examina as maneiras pelas
quais os assuntos internacionais podem ser compreendidos por meio de fatores
geográficos; não somente a paisagem física – as barreiras naturais ou conexões
de redes fluviais, por exemplo –, mas também clima, dados demográficos, regiões
culturais e acesso a recursos naturais. Fatores como esses podem ter um
importante impacto sobre aspectos diferenciados de nossa civilização, de
estratégia política e militar a desenvolvimento social humano, incluindo
língua, comércio e religião.

As realidades físicas que sustentam a política nacional e
internacional são desconsideradas, com demasiada frequência, tanto quando se
escreve a respeito de história quanto na cobertura contemporânea da mídia
acerca dos assuntos mundiais. A geografia é claramente uma parte do “por quê”,
bem como de “o quê”. Ela pode não ser o fator determinante, mas, com certeza, é
o mais subestimado.

MARSHALL, Tim. Prisioneiros da Geografia: 10 mapas que
explicam tudo o que você precisa saber sobre política global. Rio de Janeiro:
Ed. Zahar, 2018, p. 12-13, com adaptações. Com base nas relações entre a
geografia e a política, julgue (C ou E) os itens a seguir.

1) A atual fronteira
sinoindiana é exemplo da falta de predominância de elementos naturais que
dificultam o avanço de grandes colunas militares pelo território, tendo em
conta que a rede hidrográfica que separa os dois países tem como sentido
predominante o noroeste-sudeste. No entanto, o peso demográfico, aliado ao
poderio nuclear desenvolvido por ambos os países a partir da segunda metade do
século passado, desestimulou conflitos armados de grande escala entre a China e
a Índia ao longo dos séculos 20 e 21, apesar de disputas fronteiriças
recorrentes no sul e sudeste da Ásia.

Por ser uma questão bastante específica sobre as fronteiras
da China e da Índia – algo que não costuma(va) cair no CACD – a banca “pegou
leve” na resposta. O enunciado é complicado, mas para respondê-la bastava saber
que entre os dois países existe a Cordilheira do Himalaia e que ambos disputam
a região da Caxemira junto com o Paquistão. Vejamos:

Em primeiro lugar, ao contrário do afirmado, a fronteira
sinoindiana NÃO é “exemplo da falta de predominância de elementos naturais que
dificultam o avanço de grandes colunas militares pelo território”. Não existe
essa “falta de predominância” porque a fronteira sinoindiana, em sua maior
parte, acompanha a Cordilheira do Himalaia com certa regularidade. Ou seja, neste
caso, o elemento natural exerce um papel bastante relevante: em ambos os
países, a irregularidade topográfica do Himalaia impede que a região seja densamente
povoada e militarizada.

Em segundo lugar, embora atualmente China e Índia se esforcem
para estabelecer cooperações geopolíticas – a exemplo dos BRICS, do BASIC e do
G20 – durante muito tempo, a relação entre os dois países não foi nada fácil,
principalmente por conta das disputas nas regiões da Caxemira e do Tibete do
Sul. Por isso, é errado dizer que o peso demográfico “desestimulou conflitos
armados de grande escala entre a China e a Índia ao longo dos séculos 20 e 21”.
Por muito tempo, a exemplo da Guerra Sino-Indiana, ambos os países têm se
enfrentado militarmente nas regiões fronteiriças. Gabarito: Errado.

2) A Rússia, o maior
país do mundo, é aproximadamente duas vezes maior que os Estados Unidos da
América (EUA) ou a China e cinco vezes maior que a Índia. Estendendo-se por
cerca de 170° de longitude, possui ampla fronteira terrestre com países
europeus e asiáticos, bem como fronteiras marítimas com o Japão e os EUA. A
profundidade territorial russa, que dificultaria ataques de potências
marítimas, aliada à existência de recursos naturais e energéticos e de um
relevo predominantemente plano, inspiraram Harlford Mackinder a formular a
teoria da Área Pivô.

Embora os dados territoriais da Rússia estejam corretos, não
é isso que explica o gabarito “correto” da questão (números muito raramente são
cobrados na prova de Geografia do CACD). O “pulo do gato” é saber é a teoria de
Mackinder, o geopolítico britânico que valorizava o poder terrestre da Rússia.

Ao contrário do norte-americano Mahan que valorizava o poder
naval (citado na questão abaixo), o britânico Mackinder valorizava o poder
terrestre. Para este, quem tivesse o domínio da maior parte das terras do
globo, teria o domínio do mundo todo. Como a maior parte dessas terras está na
Rússia, Mackinder estabeleceu o que ficou conhecido como “heartland” (coração
da terra) ou “área-pivô” que abrangia justamente partes do território da Rússia
e do Leste Europeu. A área geopolítica mais importante do planeta, portanto.

Por isso, quando a questão afirma que a “profundidade
territorial russa dificulta ataques de potências marítimas” e que esse é um
território rico em “recursos naturais e energéticos” está concordando com as
teorias de Mackinder. Por essa perspectiva, além de rico em recursos, o
heartland russo seria seguro devido à inacessibilidade. Gabarito: Certo

3) Os EUA consolidaram
a respectiva massa territorial ao longo do século 19 e desenvolveram, durante o
século seguinte, um poderio naval bioceânico, apoiado em bases navais e
militares em ilhas do Atlântico e do Pacífico. O desenvolvimento de uma
“marinha de águas azuis” estadunidense, inspirada pela teoria do poder marítimo
de Mahan, teve como meta impedir eventuais invasões, sobretudo pela costa do
Pacífico, região relativamente carente de barreiras físicas de porte, que
pudessem servir de obstáculo natural ao acesso às áreas produtoras de alimentos
do meio-oeste e aos grandes centros urbanos-industriais do leste.

Ao contrário de Mackinder, Mahan priorizava o poder naval
afirmando que o país que possuísse o controle dos oceanos, também possuiria o
controle do poder do global – a exemplo do que tivera sido o Reino Unido. Com
essa ideia em mente, Mahan conseguiu prever o crescimento econômico e político
dos Estados Unidos; afinal, por essa perspectiva, um país banhado por dois
grandes oceanos e com poucos vizinhos naturais teria grandes condições de dar
certo. De fato, com base nas ideias desse teórico, os Estados Unidos investiram
significativamente em marinha, tanto no Pacífico quanto no Atlântico, inclusive,
no próprio Canal do Panamá que possibilitaria a integração dessa grande frota. Até
aí, tudo bem.

O erro da questão está em dizer que a costa do Pacífico é “relativamente
carente de barreiras físicas de porte”. Na verdade, essa região é conhecida por
abrigar as Montanhas Rochosas, uma grande cadeia que se estende por Estados
Unidos e Canadá. Assim como no caso da Cordilheira dos Andes na América do Sul,
as Rochosas configuram-se como um grande obstáculo à invasão militar. Ou seja,
é errado dizer que a costa do Pacífico é “carente de barreiras físicas”.
Gabarito: Errado.

4) As fronteiras
modernas da China, com base em uma coerência geográfica – relevo e hidrografia
–, garantem ao país pressupostos defensivos e comerciais eficazes. A Iniciativa
Belt and Road, por sua vez, é uma estratégia para estabelecer fluxos de abastecimento
energético inter e intracontinentais eficientes, com o objetivo de contornar os
entraves físicos (estreitos, ilhas, entre outros) à navegação marítima chinesa,
uma vez que a política de defesa do país privilegia o poderio territorial em
detrimento de investimentos para o desenvolvimento de uma força naval capaz de
atuar em águas internacionais.

Embora não sejam claros os critérios que a banca utilizou para
definir o que seria “coerência geográfica”, a questão tem alguns erros nítidos.
Primeiramente, a Iniciativa Belt and Road – ou seja, a reativação da Rota da
Seda – não possui somente “objetivos energéticos”, conforme afirmado. Na verdade,
é um misto entre objetivos energéticos, econômicos, geopolíticos, de
infraestrutura, etc. Trata-se de um projeto de desenvolvimento em âmbito geral,
com o propósito de projetar a China como potência mundial, integrando-a
fisicamente aos demais países da Europa, África e Ásia.

Além disso, ao contrário do afirmado, os investimentos
chineses não privilegiam somente o poderio territorial. A verdade é que o país
também investe fortemente no poderio marítimo. Inclusive, a expansão marítima
chinesa tem causado inúmeros problemas geopolíticos com os países do ASEAN,
sobretudo no que diz respeito à construção de ilhas artificiais no Mar do Sul
da China. Ao contrário do que a questão dá a entender, a China está cada vez
mais atuante em águas internacionais.

QUESTÃO 28

A radical transformação ocorrida no padrão demográfico
constitui uma das mais importantes modificações estruturais verificadas na
sociedade brasileira, com reduções na taxa de crescimento populacional e
alterações na estrutura etária, o que implicou no crescimento mais lento do
número de crianças e adolescentes, paralelamente ao aumento da população em
idade ativa e da população idosa.

SIMÕES, Celso Cardoso da Silva. Relações entre as alterações
históricas na dinâmica demográfica brasileira e os impactos decorrentes do
processo de envelhecimento da população. Rio de Janeiro: IBGE, 2016.

Considerando o texto apresentado, com relação à estrutura e à
dinâmica da população brasileira, julgue (C ou E) os itens a seguir.

1) A fase atual de
transição demográfica, também chamada de novo padrão demográfico brasileiro, é
o resultado de intensas mudanças na dinâmica populacional – sobretudo no padrão
reprodutivo da mulher brasileira, mais especificamente nos baixos níveis de
fecundidade, o que deve ser visto como um fenômeno que ultrapassa o campo de
interesse apenas demográfico e tem impactos econômicos e nas políticas
públicas. Nesse sentido, nas últimas décadas, o que vem sendo observado é um
gradual decréscimo da taxa de crescimento da população brasileira.

Uma questão aparentemente difícil, mas tranquila para quem estudou
Geografia da População. Desde a década de 1960, o Brasil se encontra na
terceira fase de transição demográfica, caracterizada pelo aumento da
expectativa de vida, pela diminuição das taxas de fecundidade e natalidade e
principalmente, pela diminuição do ritmo de crescimento populacional. De acordo
com projeções da ONU, espera-se que o Brasil ingresse na quarta fase ainda no
século XXI. Isso significa que o Brasil deverá estabilizar sua população,
aumentar ainda mais a expectativa de vida e diminuir ainda mais as taxas de
natalidade e fecundidade. Diante desta mudança, os idosos serão a maioria da
população, o que deverá demandar políticas públicas específicas para a
população desta idade. Gabarito: Certo.

2) As grandes
transformações no padrão demográfico brasileiro começaram a ocorrer a partir da
década de 1920, quando se nota um acelerado declínio dos níveis gerais de
mortalidade, não acompanhado por um concomitante declínio da natalidade. Cabe
mencionar, entre as causas que levaram à rápida redução da mortalidade, o
impulso dado ao sistema de saúde pública, à previdência social, à
infraestrutura urbana e à regulamentação do trabalho nas principais regiões do
País a partir daquela década, bem como os avanços da indústria farmoquímica.

Aparentemente, a questão está certa, porém, há uma pegadinha
muito maldosa aqui. As mudanças elencadas na assertiva começaram a ocorrer a
partir da década de 1930 e não da década de 1920. Em decorrência da Crise de
1929 e da mudança de poder no Brasil da República Velha para a Era Vargas,
houve desemprego no campo e incentivos à industrialização e urbanização do país,
iniciando um longo período de êxodo rural que duraria até o final do século XX.

Foi na década de 1930 que o Brasil ingressou na segunda fase
de transição demográfica, caracterizada exatamente pelos aspectos elencados na
questão: o declínio das taxas de mortalidade sem necessariamente acompanhar a
queda das taxas de natalidade (isso aconteceria somente na terceira fase). Os
avanços elencados na questão – trabalhistas, farmacêuticos, etc – de fato
ocorreram, porém, não tendo a década de 1920 como base. Gabarito: Errado.

3) Ao final dos anos de
1960, e principalmente durante a década de 1970, as transformações em curso na
sociedade brasileira levaram a importantes alterações no comportamento
reprodutivo. Entre essas transformações na sociedade, destacam-se: os fortes
deslocamentos migratórios do campo para a cidade, levando à intensificação e à
diversificação da urbanização; os avanços do processo de assalariamento da
economia, com o engajamento crescente da mulher no mercado de trabalho urbano;
e a disseminação de um modelo econômico voltado para o consumo de bens
duráveis, em íntima associação com a generalização das relações de mercado e a
elevação dos custos de reprodução familiar e social.

Um assunto que estudamos exaustivamente nas nossas aulas e
que está plenamente correto. A partir da década de 1960, o Brasil se tornou
mais urbano do que rural, fazendo com que o país ingressasse na terceira fase
de transição demográfica. Essas transformações incluíram a intensificação dos
fluxos migratórios, o assalariamento da economia, a inserção da mulher no
mercado de trabalho e os demais aspectos corretamente elencados na questão. Gabarito:
Certo

4) Até o final da
década de 1970, a estrutura etária da população brasileira era sobretudo jovem.
A tendência de estreitamento da base da pirâmide etária nas próximas décadas
sugere que a participação do grupo de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos de
idade, que se manteve estável no total da população entre 1940 e 1970, iniciou,
a partir de então, um processo de declínio. Tal queda se contrapõe ao incremento
observado, não só nos grupos de idades adultas, mas também no grupo de idosos
de 60 anos de idade ou mais, cujas participações vêm crescendo, no transcorrer
dos últimos anos, apenas em termos absolutos.

Essa questão é aparentemente complicada, mas é só ler com
calma que conseguimos respondê-la. Para quem estudou Geografia da População,
fica fácil visualizar mentalmente as mudanças nos formatos de pirâmide etária
descritos. A diminuição dos jovens na população é verdadeira e teve como causa
dois fatores principais: o “estreitamento da pirâmide” mencionado na questão –
ou seja, diminuição da taxa de natalidade – e, além disso, o aumento da
expectativa de vida, o que manteve os idosos vivos por mais tempo.  Portanto, é correto dizer que a participação
do grupo de 60 anos de idade ou mais tem aumentado. Até aí tudo bem.

O erro da questão está na afirmativa de que a população de 0 a 14 anos de idade se manteve estável entre 1940 e 1970. Ora, se a população brasileira cresceu nesse período (primeiramente de forma expressiva entre 1930 e 1960 e, posteriormente, em ritmo menos elevado), isso significa que a quantidade de jovens e crianças também cresceu, pelo menos em número absoluto. Isso porque nem toda a população chega à velhice, mas todos foram crianças um dia. Uma questão quase correta, porém, com esse detalhe que “estraga” o resto. Gabarito: Errado.

Abraços e boa sorte!
Alexandre Vastella, professor de Geografia para o CACD do Estratégia Concursos.

Fonte: Google News

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