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Candidato à presidência do Conselho, Olten Ayres vê ‘mistura de forças’ na eleição do São Paulo – Esportes



As críticas ao presidente Leco têm sido comuns na corrida eleitoral do São Paulo. As duas chapas que disputarão o pleito fogem do rótulo de “situação” e falam em fazer transformações no clube. Olten Ayres de Abreu, candidato à presidência do Conselho Deliberativo na chapa “Juntos pelo São Paulo” e opositor antigo de Leco, vê uma mistura de forças políticas se desenhando. Leco não pode se reeleger e ainda não manifestou apoio a nenhum lado.

Ele e Julio Casares, candidato à presidência pela mesma chapa, inclusive, pertenciam a grupos diferentes e agora encabeçam o que chamam de “coalizão”. Do outro lado, uma convenção marcada para 8 de agosto definirá se o candidato à presidência será Marco Aurélio Cunha, Roberto Natel ou Sylvio de Barros. O postulante à presidência do Conselho, portanto rival direto de Olten, já é nome de consenso: Marcelo Marcucci Portugal Gouvêa, filho do ex-presidente Marcelo Portugal Gouvêa, morto em 2008.


– Foi na divergência de ideias que se deu essa união. Eu e Julio somos de correntes diferentes e temos pontos de vista diferentes, mas com respeito mútuo e com a paixão pelo São Paulo em comum. A junção de forças para a criação da coalizão simboliza exatamente isso: queremos construir caminhos para o São Paulo voltar a ser vencedor, acima de interesses pessoais ou posições políticas divergentes. E, para isso, é preciso de toda ajuda possível. Estamos juntos pelo São Paulo – diz Olten.

– É uma eleição em que há mistura de forças políticas dos dois lados da disputa. A coalizão Juntos Pelo São Paulo, que forma a Chapa Grafite, é a união de oito grupos de tendências políticas diversas. Há membros da situação e também críticos à gestão desde seu início, como eu e o ex-presidente José Eduardo Mesquita Pimenta. No grupo dos nossos adversários, os Chapa Branca, também há pessoas que integraram ou ainda integram a atual gestão – emendou, lembrando que Marco Aurélio foi diretor de futebol de Leco em 2016 e Roberto Natel, embora rachado com o mandatário, é vice-presidente.

As eleições do São Paulo estão marcadas para dezembro. Em novembro, haverá assembleia de sócios para escolher 100 conselheiros. No total, serão 253 conselheiros aptos a votar para definir o próximo presidente – há sete vagas para conselheiro vitalício que só serão preenchidas caso mais três morram ou renunciem, já que estas cadeiras são preenchidas de dez em dez.

Veja abaixo as outras respostas de Olten Ayres de Abreu, candidato à presidência do Conselho Deliberativo do clube. Ele aponta o “desequilíbrio financeiro” como pior herança da gestão Leco, fala com ressalvas de possíveis projetos para dar poder de voto a sócios-torcedores e para transformar o São Paulo em clube-empresa – pautas que não avançaram na atual administração – e avisa que pretende fazer novos ajustes do estatuto, mesmo que tenha ocorrido uma reforma durante a atual gestão.

Como foi a sua trajetória na política do São Paulo até este momento?

O São Paulo é a minha casa. Venho de uma família de são-paulinos que frequentam o clube desde sempre. Meu envolvimento foi natural. Desde jovem, recém-formado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em 1983, colaboro com o clube. A partir de 1988 passei a integrar a diretoria jurídica do São Paulo. Me tornei conselheiro em 2000 e, em 2014, após um período morando no exterior, voltei a ser eleito para ocupar uma vaga no Conselho. Ocupei a presidência da comissão legislativa do clube, em 2017 e, desde 2018, tenho a honra ser conselheiro vitalício do São Paulo.

Você costuma fazer críticas à gestão atual. Acha que ela deixará legados positivos também?

Muitos problemas serão deixados por esta gestão, com o desequilíbrio nas finanças sendo o principal deles. No futebol, foram realizadas contratações em que houve erros de avaliação a respeito de valores e tempo de duração de acordos que impactam essa situação. Nem sempre foi levado em conta o custo-benefício. E isso fica claro quando vemos que mesmo com todos os gastos que foram feitos os títulos ainda não voltaram. Tem sido uma gestão que não tem conseguido resultados.

Dentro das atribuições que você terá caso seja eleito presidente do CD, como colaborar para minimizar a crise financeira?

Com proposições construtivas e espaço para debates, mas sempre prezando por autonomia e independência do Conselho Deliberativo como um dos poderes do clube. A situação financeira do São Paulo não é simples e não será resolvida em um estalar de dedos. É um desafio que precisa ser encarado com ações em várias frentes de trabalho: implementação de política de austeridade, meritocracia, renegociação de prazos para pagamentos, entre outros pontos. Não será fácil e nem rápido, mas é um trabalho que será encarado com seriedade e com prioridade que ele requer.

Você tem em mente novas alterações estatutárias? Quais?

Temos propostas para fazer ajustes no estatuto. Embora ele tenha passado recentemente por uma reforma, é sempre importante haver aprimoramento. Costumo dizer que as normas não são boas ou são ruins, elas apenas precisam evoluir. Um exemplo disso é o Conselho de Administração. Defendemos mais transparência e autonomia para o órgão, sem concentração de poderes. Para que isso ocorra, o presidente da diretoria não deve acumular o cargo de presidente do CA, e essa é uma das alterações que nosso plano de reforma propõe.

A democratização do clube, com votos dos sócios ou até dos sócios-torcedores na eleição presidencial, é uma demanda muito popularizada entre os torcedores, mas pouco debatida internamente. O que pensa sobre isso?

É uma mudança que não depende só do Conselho Deliberativo. Além de ampla discussão dentro do órgão, também é preciso obter o aval dos sócios em Assembleia Geral. Caso haja o entendimento de que este seja o melhor caminho, ainda assim precisaria de muito cuidado e atenção antes de ser implementado. Em um processo eleitoral com participação direta de sócios-torcedores deve haver o estabelecimento de critérios rigorosos. Para o participante do ST estar habilitado a votar ele deveria, por exemplo, ser membro do programa por um período mínimo longo e ininterrupto. Este tipo de dispositivo serviria para prevenir, entre outras coisas, tentativas de uso de poder econômico para influenciar na eleição. Imagine um candidato que tenha apoio financeiro forte. Sem um pré-requisito rígido de habilitação do eleitor, ele poderia distorcer o processo fazendo milhares de inscrições de última hora no programa de sócio-torcedor para aumentar sua base eleitoral.

O mesmo vale para a transformação do SPFC em clube-empresa, outra pauta que não conseguiu avançar nas instâncias internas. Você acha que isso tem de ser debatido com mais afinco? E acha viável que seja colocado em prática a curto prazo?

O debate a respeito de quaisquer ideias deve ser constante, sobretudo dentro do Conselho Deliberativo. Mas é preciso analisar todos os pontos. Clube-empresa não é sinônimo de sucesso garantido. Há exemplos no futebol brasileiro de problemas em agremiações que adotaram esse formato. Temos que analisar o que é o melhor para o São Paulo, com profundidade, seriedade, transparência, colocando os interesses do clube em primeiro lugar.

Fonte: R7

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