Centrão é suficiente para mudar maré negativa de Alckmin nestas eleições?

Com Centrão, Alckmin aposta no establishment político. A questão é se isso é suficiente para a vitória

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21 jul 2018, 06h30

São Paulo  — Do dia em que deixou o governo de São Paulo para se lançar pela segunda vez na corrida pelo Palácio do Planalto até esta semana, a pré-candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) parecia um para raio de problemas. Mas a tendência pode mudar agora que o centrão anunciou apoio ao tucano. Foi a primeira vitória do ex-governador paulista nestas eleições —  e que vitória.

Juntos, DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade detém quase 25% do horário eleitoral e do fundo partidário. Somando com as alianças que o tucano já tinha forjado e com o tempo do próprio PSDB, as aparições da coligação na propaganda eleitoral podem dominar metade do total determinado para todos os candidatos.

A aliança, segundo Tiago Vidal, coordenador de análise política da consultoria Prospectiva, também traria capilaridade para o ex-governador paulista no Nordeste (uma região ainda pouco conquistada pelo PSDB), fortaleceria a chapa em Minas Gerais (onde a legenda patina) e ecoaria o nome do candidato entre os evangélicos, já que o PRB é ligado à igreja Universal.

Com esse acordo, Alckmin investe no establishment político como estratégia para ganhar estas eleições. A questão é se esse tipo de tática ainda é efetiva perante um eleitorado cada vez mais descontente com a classe política.

Para a consultoria Prospectiva, a resposta é sim. Segundo Vidal, nos últimos anos, as regras do jogo só foram fortalecidas em favor dos grupos já estabelecidos. Logo, apesar do apelo da narrativa dos outsiders, a vitória nestas eleições ainda depende de uma estrutura partidária robusta.

“São alguns dos maiores partidos do Brasil que colocam na rua toda uma estrutura partidária a favor do Alckmin. É isso que muda uma eleição”, afirma Vidal, da Prospectiva, para quem o tucano chega agora com facilidade a um eventual segundo turno.

Por outro lado, Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da consultoria Eurasia, lembra que a fidelidade dos eleitores do deputado federal Jair Bolsonaro, que hoje desbanca Alckmin em São Paulo, onde o tucano governou por mais deu uma década, não pode ser desconsiderada. “As chances de Alckmin dependem da desconstrução da imagem de Bolsonaro”, afirma.

Tempo na televisão para fazer isso, o ex-governador de São Paulo tem. Mas, em 2002 e 2006, o PSDB também abocanhou a maior parcela do horário eleitoral gratuito na TV, mas não foi o bastante para levar as eleições  — embora o partido tenha chegado ao segundo turno.

Neste ano, a campanha no rádio e na TV durará apenas 35 dias, os recursos serão mais escassos e há a expectativa de que as redes sociais desempenhem um papel relevante no debate eleitoral. Não se sabe até que ponto essas variáveis irão impactar o desempenho das campanhas mais tradicionais. A checar também a reverberação da própria imagem do tucano perante os eleitores. “Ele é visto como um político tradicional associado a alguns escândalos de corrupção. Não é um bom perfil para estas eleições”, diz Garman.

Em termos de narrativa, não ajuda muito se alinhar ao bloco que já foi liderado pelo ex-presidente da Câmara em um acordo costurado com o ex-deputado Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão. Mas nada do que um bom marketing político para resolver. Por ora, Alckmin é o presidenciável mais competitivo para investir nisso.

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Fonte: Exame

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