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CEO da PIMCO defende paciência para esperar oportunidades e vê grande incerteza sobre o Brasil

(Arte: Leonardo Albertino/InfoMoney)

SÃO PAULO – Impulsionadas pelo ambiente de juros baixos e estímulos fiscais sem precedentes na história recente, as bolsas americanas vêm renovando suas máximas dia após dia ao longo de 2021, o que tem feito muito investidor se debruçar em busca de teses de investimento ainda com alto potencial de retorno.

Para Manny Roman, CEO da gestora PIMCO, tão importante quanto estar atento para identificar e surfar as grandes tendências de mercado é saber a hora em que a melhor postura a ser adotada é não fazer nada.

Segundo o francês de 58 anos à frente da gestora americana, que detém cerca de US$ 2,3 trilhões em ativos sob gestão, em um mercado no qual os preços de praticamente todos os ativos estão caros, das ações nas bolsas aos “bonds” na renda fixa, e com pouca coisa atraente em cima da mesa, “é preciso ser paciente e esperar por oportunidades”.

Ao participar da Expert XP na última quinta-feira (26), Roman afirmou que, em um ambiente muito mais desafiador para buscar retorno do que há um ano e meio, quando os preços estavam em níveis bem mais convidativos, é importante que o investidor tenha parte da carteira em instrumentos de maior liquidez.

Dessa forma, acrescentou, será mais fácil para aportar um montante relevante de dinheiro para capturar as oportunidades que vierem a surgir.

Problema real

Em um cenário de retomada das atividades, o CEO da PIMCO prevê que empresas dos setores mais arduamente afetados pelas medidas de distanciamento social, como hotéis, companhias áreas e de óleo e gás, “voltarão à vida”.

Será preciso atenção, contudo, para identificar aquelas que viram seus setores serem completamente transformados pela pandemia e podem ainda passar por maus bocados, e separar das companhias que já têm e devem seguir experimentando uma “recuperação espetacular”, pontuou Roman.

Ele enfatizou também sua crença quanto à importância crescente dos filtros ESG (sigla em inglês referente às melhores práticas ambientais, sociais e de governança) para a construção de um portfólio eficiente, que visa maximizar a expectativa de retorno com o menor nível de risco possível.

“Um ponto importante quando se pensa sobre risco é entender o que você tem que pode ser vendido. E, no caso de ativos de empresas com alto impacto ambiental, pode não ter muita gente que queira comprá-los”, disse o CEO. “O clima é um problema real”, apontou.

Emergentes

Sobre o Brasil, o executivo disse que o mercado vai acompanhar com atenção a evolução dos desafios domésticos que o país terá de enfrentar ao longo dos próximos dois anos.

“Pode ser uma grande oportunidade para ficar vendido [com aposta na queda dos ativos] ou para ficar comprado [com aposta na alta dos preços], não sei qual delas será, mas a moeda [local] vai se mover.”
Manny Roman, CEO da PIMCO

De toda forma, o executivo disse também que, sob a ótica de um investidor brasileiro, entende ser fundamental a busca por exposição a investimentos em outras moedas que não apenas a divisa local. “O dólar ou o iene me parecem bastante atrativos”, afirmou Roman.

Em relação à China, ele considera difícil fazer uma avaliação quanto à atratividade dos preços das ações no gigante asiático, frente às dúvidas que pairam a respeito da intervenção estatal e seu impacto para os negócios da região.

Apesar das incertezas, o CEO reconheceu que, mirando em um horizonte de 30 anos à frente, os investidores globais de modo geral terão uma exposição maior ao mercado chinês. “De um jeito ou de outro, todos teremos mais dinheiro em China.”

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Fonte: Infomoney

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