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Cidades do interior de SP adiam reabertura

SOROCABA e SÃO PAULO – Cidades do interior que foram autorizadas a migrar para a fase laranja do Plano São Paulo de reabertura das atividades econômicas decidiram manter as restrições da fase vermelha diante do cenário mais grave da pandemia. Os prefeitos levaram em conta situações locais, como a falta de leitos em UTI, aumento no número de óbitos e o risco de a redução no isolamento aumentar o número de casos.

Nesta terça-feira, o governo do Estado externou preocupação especialmente com a região de Piracicaba e informou que o Hospital de Campanha do Ibirapuera, na zona sul da capital, a duas horas de distância da região, passará a receber pacientes da cidade para evitar que pessoas com coronavírus fiquem sem atendimento. A região tinha, até segunda-feira, uma taxa de ocupação de 84% dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). A média do Estado era de 66%. Os dados desta terça-feira não foram divulgados, sob argumento de uma pane de sistema que, segundo os técnicos do governo, ainda deve ser solucionada.

O coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, epidemiologista Paulo Menezes, disse que a preocupação com a região está relacionada a uma possível falta de vagas. “Nos preocupa porque pode chegar em uma situação próxima da ocupação total nos próximos dias”, afirmou. “Externamos essa preocupação aqui, para a secretaria de Saúde e para o governo e vamos monitorar essa situação por toda a semana para verificar se há melhora”, disse o médico. O governo decidiu enviar mais 12 respiradoers para a região.

Paulo Menezes, chefe do Centro de Contingência contra a Covid-19 de São Paulo, em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes

Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo / Estadão Conteúdo

O comitê formado pela prefeitura para o combate ao coronavírus de Piracicaba recomendou que, devido à elevação no número de casos no município, a cidade deve permanecer na fase vermelha. O prefeito Barjas Negri (PSDB) não só acatou a orientação como baixou decreto proibindo a venda de bebidas na cidade após as 18 horas. A medida entra em vigor nesta quinta-feira, 15. Somente nesta segunda, a cidade registrou mais sete mortes pelo vírus, totalizando 130 óbitos e 4.733 casos positivos. Mais de 1,3 mil pacientes ainda estão em tratamento.

Após confirmar duas novas mortes pela covid-19, chegando a 52 óbitos, a prefeitura de Rio Claro optou por manter o comércio não essencial fechado, mesmo tendo sido colocada pelo plano estadual na fase laranja. O decreto prevê a maior restrição até o próximo dia 26. A cidade tem 1.649 casos positivos e o número ainda cresce, segundo o prefeito João Teixeira Junior (DEM). “A taxa de ocupação de leitos está perto do limite e isso, somado ao aumento e à gravidade dos casos, norteou a decisão”, disse. O próprio prefeito testou positivo para a covid-19 e está em isolamento domiciliar, sem sintomas graves da doença.

A prefeitura de Votorantim decidiu que a cidade continua na fase vermelha pelo menos até a sexta-feira, 17. O prefeito Fernando Oliveira Souza (DEM) disse que acompanhou a decisão tomada pela prefeitura de Sorocaba, cidade vizinha, que também optou por permanecer na fase mais restrita, levando em conta a alta taxa de ocupação de leitos para tratamento da covid-19 na região. “Estive com a prefeita Jaqueline Coutinho (de Sorocaba) e vimos a possibilidade de colapso no sistema hospitalar das duas cidades. Esse alinhamento é importante, porque são cidades conurbadas e ações integradas para enfrentar a pandemia são fundamentais”, disse.

Conforme Souza, uma orientação oficial da Diretoria Regional de Saúde (DRS) aos 48 municípios recomenda atenção especial às cidades que têm taxa de ocupação hospitalar de leitos de UTI igual ou superior a 80%. Em Votorantim, o hospital municipal, referência para coronavírus, tinha 82% dos leitos de UTI ocupados nesta terça-feira, 14. No dia anterior, a cidade havia confirmado mais 22 casos e três óbitos pela doença, totalizando 745 casos e 33 mortes.

Litoral. Em Santos, a prefeitura ameaça recuar para a fase vermelha, caso se repitam as aglomerações na orla constatadas no último fim de semana. Só no domingo, 12, 17 pessoas foram multadas em R$ 100 cada por não usar máscara. O prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) enviou projeto à Câmara estipulando multas de até R$ 10 mil para quem organizar ou participar de aglomerações, não respeitando o distanciamento mínimo de 1,5 m. A cidade tem 11.670 casos e 408 mortes pelo coronavírus.

O valor da multa será graduado conforme a gravidade da infração – reunião de duas a cinco pessoas sujeita cada uma à multa de R$ 500. De seis a dez, a multa sobe para R$ 1 mil e assim sucessivamente. Os vereadores irão analisar o projeto. Na Câmara, já tramita projeto aumentando para R$ 200 a multa pelo não uso de máscara. A prefeitura informou que, desde a segunda-feira, 13, a fiscalização está mobilizada para exigir o cumprimento das regras da fase amarela. “Caso o comportamento visto nas ruas vá contra os protocolos estabelecidos, a prefeitura poderá retroceder em decisões já tomadas nos últimos dias, como a liberação das praias”, informou.

O secretário de Desenvolvimento Regional do Estado, Marco Vinholi, disse que o plano estadual estabelece critérios objetivos para o recuo ou avanço de fase. Isso não impede que cada prefeito, levando em conta a realidade local, mantenha as restrições, se entende que continuam sendo necessárias. “Nós recomendamos aos municípios justamente isso que, de maneira correta, esses prefeitos que foram citados estão fazendo. Os municípios devem agir conforme a situação local, mas sempre com muita cautela, pois estamos tratando de vidas”, disse.

Nesta sexta, a classificação das regiões dentro do Plano São Paulo será revista, seguindo o cronograma do governo. Regiões que foram autorizadas a iniciar processos de reabertura, como Piracicaba, poderão retornar para a fase vermelha, de restrição total (liberados apenas a agricultura, indústria e serviços essenciais).

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Estadão

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Fonte: Terra

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