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Com US$ 900 bi sob gestão, nova economia digital, robótica e automação guiam fundos da AXA a investidores brasileiros

SÃO PAULO – Ao se alastrar em uma velocidade sem precedentes, o coronavírus acabou fazendo com que boa parte do consumo físico migrasse em poucos dias para as telas de computadores e smartphones, favorecendo sobremaneira as empresas de tecnologia provedoras de serviços digitais.

A gestora AXA Investment Managers, com cerca de US$ 900 bilhões em ativos sob administração, tem buscado capturar o momento favorável para essas companhias por meio de seu fundo global de ações que investe na nova economia digital.

No radar dos gestores estão empresas de comércio online, mídias digitais e streaming. “O investimento em tecnologia já era uma tendência antes da Covid-19, e agora se tornou uma realidade”, afirma Rafael Tovar, executivo responsável pela distribuição dos fundos offshore da gestora nas Américas.

Máquinas do futuro

Embora as empresas americanas de tecnologia americana sejam a face mais conhecida da nova onda disruptiva, o setor correlato de robótica e automação também tem atraído o interesse da AXA.

É o caso de companhias especializadas em aprimorar a eficiência operacional dos mais diversos tipos de negócio, possivelmente vindo a substituir boa parte da mão de obra humana nas próximas décadas.

Indústrias automotivas e de fabricação de celulares, assim como empresas do ramo de saúde e diagnósticos clínicos, têm cada vez mais adotado as ferramentas digitais para aperfeiçoar a mecânica de suas atividades, diz Tovar.

Enquanto as empresas mais promissoras do ramo da robótica estão espalhadas entre Estados Unidos, Japão e Suíça, no caso das empresas da nova economia digital, a concentração tem sido na bolsa americana, afirma o especialista.

Na visão da gestora, os Estados Unidos são o país que reúne as melhores condições econômicas e financeiras para enfrentar a crise do coronavírus, em detrimento da Europa, principalmente, e também da Ásia.

Oportunidade histórica

Por isso, além das ações nas bolsas americanas, a AXA Investments tem se voltado para emissões de ativos “high yield” (de maior retorno e volatilidade) na região. Segundo Tovar, os spreads dos títulos estão em níveis acima dos padrões históricos como reflexo da pandemia. “Antes do coronavírus, as taxas dos ativos americanos high yield estavam perto de 4%, e chegaram a superar 10% em março.”

Em apenas três ocasiões (dezembro de 1990, setembro 2002 e dezembro de 2008) essas taxas ultrapassaram a marca dos 10%, diz o especialista. “No momento, houve um recuo dos spreads devido à atuação do Federal Reserve [Fed, o banco central dos Estados Unidos], mas, ainda assim, as taxas seguem próximas dos 8%, o dobro de antes da crise”, afirma Tovar. “São oportunidades históricas que aparecem poucas vezes.”

E apesar de o aumento da rentabilidade vir acompanhado de maior risco, o executivo entende que a injeção equivalente a cerca de US$ 6 trilhões pelo Fed no mercado de títulos limitou o cenário mais drástico de retração econômica. “O risco hoje é menor, mas ainda existe.”

Para proteger a carteira contra prováveis defaults e inadimplências em profusão, a gestora pulveriza seus investimentos em cerca de 250 títulos high yield, de um universo de quase 1,8 mil empresas emissoras. “Mesmo antes da crise já estávamos com um peso maior do portfólio em tecnologia e saúde e menor em commodities, em que o valuation não estava atraente”, diz Tovar.

Entrada no Brasil

Em maio, a gestora estabeleceu uma parceria de distribuição exclusiva com a XP Investimentos para iniciar a oferta de seus primeiros fundos de investimento no Brasil. Desde esta semana, a AXA Investments está acessível no país por meio de dois fundos de ações (com focos em economia digital e robótica) e um de renda fixa (ativos high yield americanos).

Também pesou para a escolha desses fundos o fato de a Bolsa local não oferecer aos investidores brasileiros alternativas similares às encontradas no exterior, afirma Tovar, americano de origem venezuelana que fica baseado em Nova York, mas tem passado a quarentena no clima mais ameno de Miami. Apesar do mesmo sobrenome, o executivo não tem relação com José Tovar, da gestora brasileira Truxt Investimentos.

“São setores menos impactados pela crise e com perspectivas favoráveis de crescimento, com as mudanças de hábito que serão permanentes após a pandemia.”

Proteção cambial

Os três fundos fazem o hedge do dólar e, portanto, não se expõem à variação cambial. Segundo Fabiano Cintra, especialista em fundos internacionais da XP, a escolha foi influenciada pela alta volatilidade da moeda nos últimos meses.

“A intensidade dos movimentos no câmbio tem sido tão alta que o fundo poderia acabar tendo uma contribuição maior da flutuação da moeda do que das estratégias propriamente”, diz Cintra.

O fundo tem como público-alvo o investidor qualificado e tem aplicação mínima a partir de R$ 5 mil, o que deve contribuir para aumentar a internacionalização do portfólio local, prevê o especialista da XP.

“O brasileiro tem cerca de 99% dos recursos investidos no Brasil, sendo que o PIB do país representa apenas 3% da economia global”, diz Cintra. Ele acrescenta ainda que, enquanto a Bolsa local conta com aproximadamente 350 ações, o número salta para cerca de 51 mil ao considerar as bolsas globais.

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Fonte: Infomoney

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