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Como a tecnologia ajuda a acompanhar idosos à distância na quarentena

A mãe de Norman Potter, Dorothy, que sofre de doença pulmonar crônica, vive sozinha em Newland, nas montanhas da Carolina do Norte, a duas horas da casa dele em Winston-Salem. Faz um ano que Potter procurava tecnologias com as quais pudesse monitorar a saúde dela à distância. Dorothy, 90 anos, se recusa a se mudar para mais perto dos filhos, disse Potter. Ela e os sete irmãos nasceram e cresceram em Newland. “Ela adora a casa, a igreja e seu pequeno grupo e amigas. Além disso, de acordo com o filho, “ela é muito independente”.

Em meados de março, quando o coronavírus estava se disseminando, Potter instalou na casa da mãe uma plataforma criada pela GrandCare Systems, que ela gosta de usar para conversar com os netos em chamadas de vídeo. Mas o grande interesse é do filho dela, que pode acompanhar todas as atividades com sensores de movimento e dois sensores de sinais vitais.

Por causa dos problemas respiratórios da mãe, Potter disse que ele e a irmã têm medo de visitá-la a não ser que façam o teste do coronavírus, mas duas pessoas que moram na região a visitam com regularidade. “O monitoramento me deixa mais tranquilo, sabendo que ela levantou bem e começou seu dia”, disse ele. Com os mais velhos particularmente vulneráveis à covid-19, as vendas de produtos e serviços voltados para a proteção da saúde e da segurança dos idosos presos em casa “dispararam”, disse Laurie Orlov, fundadora da Aging and Health Technology Watch, firma de pesquisa de mercado.

Laurie disse que as famílias e os asilos de idosos estão comprando aparelhos para monitorar os mais velhos cujos entes queridos se mantêm afastados por medo de transmitir a eles o vírus. A tecnologia também possibilita que prestadoras de serviços de saúde acompanhem a situação de seus pacientes. “As pessoas estão mesmo evitando as visitas ao médico e ao pronto-socorro por medo de sair de casa”, disse Laurie.

Todas as manhãs, Dorothy insere o dedo em um oxímetro de pulso com sinal Bluetooth, medindo a oxigenação do seu sangue. No banheiro, ela sobe em uma balança inteligente também conectada via Bluetooth, medindo o peso dela para detectar uma possível retenção de fluidos.

Potter pode acessar um portal para ver os resultados, transmitidos via conexão sem fio a partir da casa da mãe dele. Se algo parecer fora do normal, Potter, dono de uma agência de saúde domiciliar, recebe uma mensagem de texto. Um dia, quando a oxigenação do sangue de sua mãe pareceu cair, Potter telefonou para lembrá-la de inserir o tubo nasal que se conecta ao dispositivo de fornecimento de oxigênio dela. Ele também é notificado se um sensor de movimento no corredor que leva do banheiro à cozinha não detectar movimento depois das 10 da manhã, horário em que ela costuma acordar.

Na hora de escolher entre a miríade de dispositivos, aplicativos e serviços à disposição, os idosos ou seus responsáveis podem se concentrar nas alternativas corretas pensando no “problema que procuram resolver, e naquilo que outras pessoas dizem a respeito da tecnologia”, disse Laurie.

Por exemplo, se o principal problema de um paciente mais velho for administrar os medicamentos, um lembrete para remédios pode ser a melhor solução. Há alternativas tão simples quanto um aplicativo de celular que dispara um alarme. Ou, no caso de pais que precisam de mais supervisão, um filho adulto pode comprar um recipiente que abre em um momento pré-determinado, indicando ao responsável via conexão sem fio se o idoso não tomar o remédio.

Depois que a pessoa escolhe o tipo de dispositivo, o consumidor deve “verificar o quanto o produto vem pronto” para a instalação e o uso, disse David Lindeman, diretor do Centro para a Tecnologia e o Envelhecimento da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Ele disse que a maioria dos aparelhos exige uma conexão sem fio.

“Certifique-se de fazer o treinamento e buscar suporte”, disse Lindeman. Isso pode ser na forma de outro parente ou de um serviço de suporte tecnológico como o Candoo, voltado para consumidores mais velhos, dizem os especialistas. Verifique se a empresa que vende o produto tem serviço de suporte por telefone e se as instruções são fáceis de seguir.

Monitoramento de emergências

Um dispositivo básico para os idosos sozinhos em casa é o alerta médico, que antes funcionava apenas no domicílio. Avanços tecnológicos possibilitaram “uma nova era da resposta emergencial”, disse David Inns, diretor executivo da GreatCall, que vende pingentes, celulares e relógios com pedido de ajuda emergencial.

Os produtos mais recentes geralmente usam a tecnologia GPS para determinar a localização de alguém com problemas enquanto caminha, cuida do jardim ou faz compras no mercado, por exemplo. Depois de apertar um botão de emergência, o usuário pode falar com um call center ou prestador de cuidados. Um agente na central de emergências 5Star da GreatCall decide se é o caso de enviar uma ambulância. “Há um aplicativo que a família pode baixar para saber se o idoso está chamando a central 5Star”, disse Inns.

A GreatCall e alguns outros produtos de alerta médico oferecem opções, cobradas à parte, projetadas para detectar quedas, mesmo se o idoso não tiver apertado o botão de ajuda, acionando assim a central de resposta.

Em julho, a empresa VitalTech Affiliates planeja lançar um relógio de alerta médico chamado VitalBand, oferecendo detecção automática de quedas, bem como medição do ritmo cardíaco e respiratório. O relógio pode alertar um parente se o ritmo cardíaco do usuário ultrapassar determinado nível, por exemplo.

“O objetivo é dar aos idosos a confiança necessária para se exercitarem e realizarem suas atividades, ao mesmo tempo garantindo sua segurança”, disse James Hamilton, diretor executivo da empresa.

Essas tecnologias de telemedicina estão se tornando mais importantes conforme os idosos são mantidos em casa e os prestadores de serviços de saúde reduzem sua jornada, dizem os especialistas. O governo federal relaxou as restrições ao pagamento de reembolsos do Medicare aos prestadores que monitoram seus pacientes remotamente.

Conexão por voz

Para muitos adultos mais velhos vivendo sozinhos em casa, os assistentes digitais ativados por voz, como o Amazon Echo e o Google Home, podem reduzir o isolamento social e estimular comportamentos saudáveis, de acordo com os especialistas. Ao usar suas vozes, os usuários mais velhos podem pedir ao dispositivo que telefone a um amigo, leia um audiolivro, crie um lembrete para beber água e busque conselhos de primeiros socorros ou ajuda de emergência.

Essas tarefas ativadas pela voz “parecem um detalhe, mas são significativas para pessoas que convivem com certos desafios, seja de mobilidade, de percepção visual ou de memória”, disse Davis Park, vice-presidente do Centro Front Porch para a Inovação e o Bem Estar, empresa sem fins lucrativos que administra asilos para idosos e comunidades acessíveis.

A Front Porch instalou assistentes Echo com a tecnologia de voz Alexa em 400 unidades independentes de seis de suas comunidades para idosos. O plano é instalar outros 1.400 dispositivos adicionais em resposta à crise da covid-19. Muitos moradores instalaram dispositivos domésticos inteligentes, que podem reduzir o risco de quedas ao pedir à Alexa que acenda as luzes quando alguém entrar no cômodo ou facilitando o ajuste da temperatura sem ter que levantar da cadeira.

Um dos maiores benefícios da tecnologia ativada por voz é seu potencial para reduzir a solidão, disse Park. Os moradores que têm também uma tela Echo Show podem pedir à Alexa que faça chamadas de vídeo com parentes.

“O isolamento social deve ser uma das maiores causas de morte entre os adultos mais velhos e, por isso, por mais que seja crucial que eles se protejam ficando em casa, temos que oferecer-lhes ferramentas para que se mantenham conectados às pessoas”, disse ele./TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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Fonte: Terra

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