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Como e quando é feito o controle de drogas em atletas

Desde que foi promovida a esporte olímpico, a escalada teve de se adaptar em vários aspectos. Um deles é a questão do dopping por parte dos atletas, pois o Comitê Olímpico Internacional (COI) possui políticas bem restritivas a respeito do assunto.

A International Federation of Sport Climbing (IFSC), para se adequar à rigidez adotada pelo COI, também implementou várias diretrizes para prevenir que atletas da escalada esportiva recorram a esta estratégia para vencer. Quando a escalada não fazia parte de qualquer programa olímpico, é sabido, ao menos nos bastidores, que atletas se valiam de medicamentos, às vezes até de uso veterinário, para aumentar a eficiência de seus resultados ou até para curar, ou disfarçar, suas lesões.

Portanto, é válida as perguntsa de quem espera uma estreia digna da escalada nas olimpíadas: Como funciona o sistema antidoping do IFSC e como ele está monitorando os técnicos e atletas, em todas as categorias (juvenil e adulta), para que este tipo de incidente não ocorra? A preocupação do IFSC com um escândalo de dopping é evidente, pois se logo na estreia da escalada nas olimpíadas um caso de dopping acontecer, a imagem do esporte ficará manchada por muito tempo.

A preocupação se estende também para todas as federações e associações ao redor do mundo e que fazem parte da entidade: tolerância zero com técnicos e atletas que adotam o dopping como estratégia de obter vantagem em relação aos demais.

A história do doping esportivo

Como é de conhecimento geral, o dopping nos esportes não é uma metodologia nova, muito menos foi descoberta na idade contemporânea. A data tradicional atribuída à primeira edição dos Jogos Olímpicos é 776 a.C e, segundo historiadores, já em 800 a.C., atletas bebiam chás de diversas ervas e usavam óleos e cogumelos para melhorar o desempenho atlético.

No século XIX, no início dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, se tornou popular entre os atletas uma bebida chamada “Vinho Mariani”, que continha vinho e extratos de folha de coca. A mistura de álcool etílico e cocaína produzia um efeito estimulador do sistema nervoso central, similar ao da cocaína pura. Além disso este efeito era potencializado pela geração no fígado de um terceiro composto chamado etilencoca, produto da reação do metabolismo da cocaína com o etanol.

Na mesma época, o “Elixir da Vida”, de Charles-Édouard Brown-Séquard, tornou-se a primeira droga conhecida e difundida para melhorar o desempenho de atletas no esporte profissional norte-americano. A substância ficou famosa quando o jogador de basebol Pud Galvin ganhou uma partida após ter usado a droga. A mistura consistia do extrato de testosterona drenada das gônadas de cães, coelhos, ovelhas, porquinho-da-índia e outros animais.

Por motivos políticos ou financeiros, o dopping passou a ser utilizado de forma cada vez mais “científica”. Ainda não existia um código de ética consolidado entre os esportistas e federações. Baseava-se apenas na “honra” do atleta. Foi com a morte de dois atletas nos jogos de 1960 e 1964, devido ao uso excessivo de estimulantes e hormônios, que o COI começou a se preocupar com dopping. Dois anos depois, em 1966, que os primeiros testes antidoping começaram a ser implementados no Campeonato Europeu de Atletismo.

Após muitas reuniões para decidir que tipo de substâncias seriam permitidas, em 1968 os Jogos Olímpicos começaram a fiscalizar o dopping em atletas, por meio de uma recém criada comissão médica que passou a atuar nos jogos.

Ben Johnson

Nas décadas de 1970 e 1980, as notícias a respeito do uso de drogas no esporte não recebia muita atenção da mídia e por isso sempre foram muito pouco divulgadas. A prática de dopagem não era visto como um escândalo público. Foi somente na década de 1990, que esta mentalidade mudou. Mas por que mudou? O marco desta mudança foi o canadense Ben Johnson.

Nos Jogos Olímpicos de 1988, o velocista canadense Ben Johnson ganhou a prova de 100 metros rasos com um tempo que era o recorde mundial. Johnson foi pego usando a substância stanozolol, um esteroide anabolizante sintético que é muito utilizado para o ganho de massa muscular e queima de gordura. Ben Johnson teve seu título revogado, foi obrigado a devolver a medalha e banido do esporte por 10 anos. Curiosamente o segundo colocado, o norte-americano Carl Lewis também teve problemas com o antidoping, que após várias análises, retóricas e brigas de advogados, conseguiu manter a medalha de ouro. A parti disso a mídia esportiva ficou de olho no assunto e passou a tratá-lo com maior seriedade e profundidade.

Desde então é elaborada uma lista de substâncias proibidas para atletas. Caso o atleta seja flagrado pelo exame antidoping, seu título é removido e entregue ao atleta melhor classificado. Outrora os exames antidoping eram feitos por amostragem aleatória, atualmente são feitos em todos os atletas desde as classificatórias para as olimpíadas.

Dopping na escalada

Devido à forte convicção de manter a escalada “limpa” de práticas que podem destruir o senso do que os atletas fazem e sua integridade, o IFSC se comprometeu com combate ao dopping desde o início da era olímpica O IFSC trabalha com estreita relação com as diretrizes fornecidas pela WADA (Agência Mundial Antidoping) e pelo COI.

O IFSC adotou as regras antidopagem em dezembro de 2014. O que é evidente é que o sistema de controle de dopagem para a entidade máxima de escalada esportiva é uma novidade bem recente. Isso quer dizer que no passado não havia controle, ou que os escaladores não usavam drogas para melhorar o desempenho?

Não exatamente. Como dito no início do artigo, escaladores do mundo inteiro se automedicavam e, inclusive, receitavam substâncias a colegas ou pupilos. Era uma prática relativamente comum, já que o esporte ainda não era olímpico e considerado de nicho.

No Brasil, assim como em quase que todo continente americano, não há controle de dopagem por parte das associações e federações que organizam o evento. A mais prestigiada competição da América do Sul, que é o Master de Boulder do Chile, também não faz exames antidoping nos competidores (nem mesmo nos finalistas).

A última vez em que o uso de drogas na escalada apareceu como tema de conversa pública foi em junho de 2007, quando o escalador espanhol Edu Marin deu positivo para cocaína após uma competição da Copa do Mundo em Zurique. Marin pediu desculpas e disse que havia tomado o medicamento devido ao estresse, “mas não para não melhorar seu desempenho”. Marin mais tarde recebeu uma proibição de competir por dois anos na competição.

Desde 2007, quando substituiu a UIAA como principal órgão de escalada competitiva, o IFSC é signatário do Código Mundial Antidopagem, implementado por organizações esportivas a partir dos Jogos Olímpicos de Atenas, padronizando as regras que administram o antidoping em todos os esportes em todos os países. Entretanto, o Código Mundial Antidoping não tem o estatuto de lei pública internacional. O que significa que se um atleta for pego no sistema antidoping, ele não sofrerá consequências legais.

Além de realizar exames de drogas em Copas do Mundo e outros eventos, o IFSC seleciona dois grupos de testes de cerca de 20 atletas, tanto masculinos quanto femininos, para serem submetidos a testes fora da competição. NEstes estão os

O mais rigoroso dos dois grupos, o International Registered Testing Pool, pode ser realizado 24 horas por dia e deve manter o IFSC sempre atualizada sobre seu paradeiro. O outro, o conjunto de testes registrados do IFSC é feito de surpresa e o atleta precisa estar disponível apenas uma hora por dia.

Quem já foi pego no antidoping do IFSC?

Além de Edu Marin, o qual já foi citado, existem muitos outros que foram pegos no exame? A resposta é sim, mas poucos tiveram seus nomes divulgados. Apesar do número ser pequeno, se comparado com o conjunto total de escaladores, é quase proporcional ao que acontece em esportes de massa, como futebol ou basquete.

Apesar da IFSC não divulgar publicamente, fala-se nos bastidores de que ao menos uma dezena de atletas já foram flagrados. O caso mais conhecido é o do norte-americano Chris Sharma, que perdeu seu título na Copa do Mundo de Escalada depois de seu teste dar positivo para THC (substância psicoativa encontrada nas plantas do gênero Cannabis) em 2004.

Quando se trata de maconha, alguns atletas evidentemente já escaparam do controle de dopagem da IFSC. Pois, como é de conhecimento geral, mais do que dois escaladores da Copa do Mundo já fumaram maconha durante suas carreiras e não foram pegos no exame. Mas como pode isso acontecer? Simples, os testes de drogas do IFSC são falíveis, assim como os de todos os outros.

Muitos se perguntam se maconha é de fato dopping. De fato concreto, é que a substância é considerada ilícita em grande parte do mundo e é classificada como uma droga de uso recreativo. Assim, os testes antidoping para a maconha são realizados apenas em períodos de competição, como acontece também com a cocaína. Ambas substâncias fazem parte da lista de substâncias proibidas da WADA. Em resumo: se a substância está nesta lista, é considerada dopping, sem maiores discussões ou apelações.

O filme “Icarus”, disponível para ser assistido do Netflix, mostra exatamente isso: exames antidoping podem ser burlados, basta saber como. Levando a um corolário: se os atletas que fumam maconha podem vencer o teste, não é demais presumir que os usuários de esteroides e EPO também podem.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias. Em 2018 foi o único latino-americano a cobrir a estreia da escalada nos Jogos Olímpicos da Juventude e tornou-se o primeiro cronista esportivo sobre escalada do Jornal esportivo Lance!

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Fonte: R7

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