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Conheça um dos maiores ícones de mulheres no universo outdoor

Falar sobre a história das mulheres no universo outdoor, não importando o esporte, inevitavelmente irá esbarrar no nome de Fanny Bullock Workman. Esta montanhista, exploradora, geógrafa e cartógrafa norte-americana é um dos maiores símbolos de feminismo nos esportes de montanha.

Fanny foi uma das primeiras montanhistas profissionais do sexo feminino da história. Não somente isso, foi uma pessoa que rompeu barreiras e contribuiu para o crescimento do montanhismo como conhecemos hoje. Bullock não apenas explorou, mas também escreveu sobre suas viagens e estabeleceu vários recordes de altitude. Ao todo publicou oito livros de viagens com o marido.

Além do montanhismo, Bullock era uma ativista social aguerrida e defendeu à época os direitos das mulheres e o voto feminino. Sim, para falar de feminismo em esportes de montanha é necessário saber mais sobre esta Fanny Bullock.

Neste ano comemora-se os 160 anos de seu nascimento. A influência de Fanny Bullock na vida das mulheres nos dias de hoje é inegável. Junto com Annie Smith Peck (outra montanhista norte-americana e exploradora), Fanny foi reconhecida durante o início do século XX como uma das mais famosas escaladoras do mundo. Bullock era declaradamente feminista e uma ferrenha defensora do sufrágio feminino e queria que seus leitores entendessem como suas contribuições e conquistas refletiam o potencial de todas as mulheres.

Fanny Bullock demonstrou ao mundo, no início do século XX, que as mulheres eram fortes o suficiente para prosperar fora de casa. Para isso fez questão de mostrar como era fácil para ela suportar atividades físicas extenuantes, como andar de bicicleta longas distâncias em locais quentes e úmidos ou montanhismo em temperaturas frias e altas montanha. Ela viveu uma vida vigorosa que divergiu da feminilidade idealizada no século XIX. Se hoje mulheres possuem respeito e admiração no mundo do montanhismo, foi justamente Bullock quem pavimentou este caminho.

O início

Fanny Bullock nasceu em 1859 e era a caçula de três filhos. Sua família, enraizada no início da formação dos EUA (à época um país em construção) e descendia dos primeiros colonos peregrinos. Nascida em uma família rica, fazendo parte da aristocracia de Massachusetts (seu pai era advogado, político e empresário da região), foi educada nas melhores escolas disponíveis para as mulheres dos EUA. Depois de concluir a escola em Nova York, viajou para Paris, França e depois Alemanha. As suas viagens pela Europa alimentaram muito seus interesses em viagens e aventuras.

Bullock voltou para os EUA em 1879, quando logo depois conheceu um homem rico, médico e educado em Harvard e Yale, chamado William Hunter Workman. Workman era 12 anos mais velho que Fanny e seu interesse era menor em medicina, mas mais em geografia. O casamento de Fanny Bullock com Workman cimentou suas vantagens de ter uma vida rica.

Nos anos de 1882 a 1888, William apresentou a Fanny as White Mountains de New Hampshire, cordilheira nos EUA que se estende por mais de um quarto do estado de New Hampshire e uma pequena parte do estado oriental do Maine, no qual o ponto mais alto é o Monte Washington de 1.917 m. Na região William a introduziu no montanhismo através de algumas ascensões.

William escrevia artigos geográficos desde 1883, apesar de não ter educação. Depois que ele adoeceu em 1889, Workman foi com Fanny para a Alemanha e de lá começaram a fazer as viagens de bicicleta. Ambos foram capazes de capitalizar sua riqueza em conexões para viajar pela Europa, Norte da África e Ásia.

Deixando a filha Rachel e o filho Siegfried aos cuidados babás contratadas, começaram as explorações que os mantinham ocupados durante a maior parte de suas vidas. O casal iniciou suas viagens com passeios de bicicleta pela Suíça, França, Itália, Espanha, Argélia e Índia. Eles pedalaram milhares de quilômetros, dormindo onde quer que pudessem encontrar abrigo. Ambos escreviam livros sobre cada viagem e Fanny frequentemente comentava sobre o estado das vidas das mulheres que via. Suas primeiras narrativas de passeio de bicicleta foram melhor recebidas do que seus livros de montanhismo.

A primeira excursão prolongada do casal foi uma viagem de bicicleta de 4.500 km em toda a Espanha em 1895. Cada um carregava 9,1 kg de bagagem e tinham uma média de 45 quilômetros por dia, às vezes percorrendo 130 km.

Fanny não apenas tornou-se proficiente no montanhismo na região de New Hampshire, mas entusiasticamente procurou associar a sua imagem à de uma montanhista e exploradora. Tal paixão fez com que ela mesmo se promovesse à época como uma das “novas mulheres americanas”.

Este novo tipo de mulher era atleticamente e domesticamente capaz. No final de sua viagem de bicicleta pela Índia, o casal fugiu para o Himalaia Ocidental e o Karakoram para os meses de verão, onde foram apresentados à escalada de alta montanha.

Alta montanha

A paixão pelas altas montanhas foi quase instatânea. Eles retornaram a essa região do Himalaia Ocidental e o Karakoram oito vezes nos próximos 14 anos desde o primeiro contato. Na época a região era quase completamente inexplorada e não mapeada. Apesar de não ter equipamentos de escalada modernos, o casal explorou várias geleiras e alcançou o cume de várias montanhas, chegando ao Pinnacle Peak (6.930 m), um recorde de altitude feminino na época.

Durante suas expedições no Himalaia ao longo de 14 anos, ambos percorreram uma distância de 6.500 km sobre o gelo e a neve, escalaram 20 montanhas ao longo de 4.850 metros verticais.

Suas viagens foram feitas sem o benefício do equipamento moderno e leve, alimentos liofilizados, protetor solar ou rádios. Em cada expedição, eles exploraram, pesquisaram e fotografaram. Como era uma região inexplorada relatavam suas descobertas e criavam mapas.

O casal compartilhou e alternou responsabilidades de cada expedição, sendo que um ano Fanny organizaria a logística de sua jornada e William trabalharia nos projetos científicos. No ano seguinte invertiam os papéis.

Em 1891, Fanny tornou-se uma das primeiras mulheres a escalar o Mont Blanc (4.810 m) e também foi uma das primeiras mulheres a escalar o Jungfrau (4.158 m) e o Matterhorn (4.478 m)

Vindo de uma posição de privilégio e riqueza americana, ambos não conseguiram entender a posição dos trabalhadores nativos e tiveram dificuldade em encontrar e negociar porteiros confiáveis. Depois de suas viagens ao Himalaia, o casal deu inúmeras palestras sobre suas viagens e seus descobrimentos.

Fanny Bullock e William Workman foram alguns dos primeiros montanhistas a compreender que o Himalaia era o lugar para o desafio final do montanhismo e suas explorações ajudaram a evoluir o esporte, desde a recreação extenuante até uma atividade competitiva séria e regulada.

Além disso, Fanny recebeu muitas medalhas de honra das sociedades europeias de escalada e foi reconhecida como uma das principais montanhistas de sua época. Mais do que as honrarias, na prática demonstrou que uma mulher poderia escalar em altas montanha tão bem quanto um homem e ajudar a derrubar a barreira de gênero no montanhismo.

Com a idade de 47 anos em 1906, Fanny subiu o Pinnacle Peak (6.930 metros). Foi sua maior conquista de montanhismo. Ela escalou a montanha, sem o benefício de equipamentos modernos e sobrecarregada por suas saias volumosas. Fanny Bullock defendeu vigorosamente seu recorde de altitude no Pinnacle Peak contra todos os reclamantes, especialmente Annie Smith Peck, sua maior rival. Em 1908, Peck reivindicou um novo recorde com a subida do Huascarán (6.768 m) no Peru, que ela acreditava ser de 7.000 m.

Primeira Guerra Mundial

Após sua viagem 1908-1912, o casal parou de explorar e dedicou-se à escrita e palestras, principalmente por causa do início da Primeira Guerra Mundial em 1914. Fanny se tornou a primeira mulher norte-americana a palestra na Sorbonne, prestigiada universidade de Paris e uma das mais antigas instituições de ensino superior da Europa.

Ela também foi uma das primeiras mulheres admitidas como membro da Royal Geographical Society, sociedade erudita e profissional do Reino Unido para a geografia fundada em 1830. Esta distinção ganhou porque suas publicações incluíam reflexões científicas sobre glaciação e outros fenômenos.

Fanny Bullock também ganhou medalhas de honra de 10 sociedades geográficas europeias e acabou sendo eleita membro do American Alpine Club, da Royal Asiatic Society, do Club Alpino Italiano, Deutscher und Österreichischer Alpenverein e Club Alpin Français.

Fanny Workman adoeceu em 1917 e morreu após uma longa doença em 1925 em Cannes, na França. Suas cinzas foram enterradas em Massachusetts e agora são reintegradas junto com o do marido, sob um monumento no cemitério rural de Worcester, Massachusetts, onde se lê “Pioneer Himalayan Explorers”.

Em seu testamento, Fanny deixou dinheiro para quatro faculdades, e uma doação contínua chamada Fanny Bullock Workman Traveling Fellowship.

Argentina de nascimento e brasileira de coração, é apaixonada pela Patagônia e Serra da Mantiqueira.
Entusiasta de escalada, trekking e camping.
Tem como formação e profissão designer de produto e desenvolve produtos para esportes de natureza.

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Fonte: R7

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