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Conhecer, gostar, cuidar

“Alice, a gente só pode gostar do que a gente conhece, e a gente só cuida do que a gente gosta.” A frase de um primo que dedica a vida à preservação ambiental ficou ecoando alguns dias nesta cabeça cheia de questões. Sei que o contexto da tal frase está relacionado a tentar apresentar a natureza ao maior número de pessoas para que, nesse encontro, possa acontecer a mágica. A pessoa levada à imersão com a natureza e seus animais sentiria amor, além de uma possível conexão e, a partir desse momento, passaria a eventualmente se importar e, assim, cuidar e proteger.

Bem, na cabeça dessa prima, pensamentos ficam guardados em caixinhas e estas caixinhas vão se conectando de forma que eu acreditava ser aleatória, mas que com a maturidade vejo que, na verdade, estão em busca de pares e padrões. Quando esse padrão se torna claro, tais pensamentos e reflexões me atormentam para virarem textos, hoje crônicas no Estadão. Pois bem, com a sua colocação, primo querido, não foi diferente e, em algumas semanas, a frase encontrou, sim, esses padrões para o tal agora já sedimentado mantra “conhecer, gostar, cuidar”, em várias frentes.

Encontrei histórias de sucesso. Pessoas que por desconhecimento não gostavam e, quando conseguiram ver algo de perto e entender, passaram a gostar, se importar e até cuidar. Em outras palavras, pessoas que abriram espaço para um novo ângulo. Algumas vezes, não conhecemos alguém e só por esse motivo já julgamos e decretamos: gostamos ou não. Isso não só com pessoas, mas com tudo, de projetos a países e causas. Não conhecer, reconheci, é mesmo fator determinante para empatia e amor.

Mas o fato que me inquietou foi diagnosticar quantas vezes não estamos abertos nem a conhecer. Quantas vezes não abrimos uma fresta para descobrir (literalmente tirar o que cobre) ou redescobrir pessoas, lugares e certezas. Pensei em todas as vezes que, tentando ser “gostável”, não recebi abertura alguma. Reconheci momentos nessa minha própria semana que passou em que isso aconteceu. Não conseguir furar essa bolha gera frustração extrema.

Apesar de concordar com a tese de meu primo e ter uma simpatia enorme para com sua causa, temo ter chegado à seguinte conclusão: existem pessoas que estão enraizadas em suas certezas, sem abertura para conhecer e se aventurar a gostar. Porque gostar, nesse caso, é uma aventura para quem quer rever opiniões, ideias, teorias, crenças sobre pessoas, sobre a natureza e sobre a vida. Quero então propor um trato a todos aqueles que leem esta crônica. Quando for o caso de pessoa “raiz”, por assim dizer, quero combinar de não insistirmos. O mundo tem muita gente que gostaria de investir em pessoas que fazem parte do movimento “conhecer, gostar e cuidar”. Com este time, entramos em campo!

Fonte: Terra

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