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Contas em dia ou time competitivo? Corinthians e Santos vivem dilema – Esportes


Corinthians e Santos enfrentam problemas semelhantes em 2021. Enfraquecidos econômicamente, após sucessivas gestões que comprometeram as finanças de ambos os clubes, as equipes se encontram num momento determinante de suas histórias centenárias: equilibrar as contas, sem perder competitividade em campo. 


Ambos os times começam a quinta rodada do Brasileirão neste fim de semana com uma vitória, um empate e duas derrotas. Pior do que a posição na tabela, o desempenho dos times está longe do esperado pelas torcidas e, pelo menos até agora, ninguém está livre da zona de rebaixamento.


Ninguém quer se tornar um novo Cruzeiro, pelo segundo ano seguido na Série B. Não por acaso, as duas atuais gestões de Santos e Corinthians, comandadas por Andres Rueda e Duílio Monteiro Alves, respectivamente, se elegeram prometendo ciclos de austeridade, cortando gastos considerados desnecessários.


Para Marcos Nascimento, especialista em estratégia e finanças formado na CBF e fundador da FEA Sports Business, a prioridade de ambos clubes, nesse momento, deve ser o financeiro. “O resultado esportivo é imprevisível por essência, especialmente no futebol, um jogo com um número de variáveis muito grande. Pode ser que o craque do time se machuque, esteja suspenso, que o time não esteja bem numa partida específica, e o resultado esportivo não seja o desejado”, pontua.










“Claro que existem diversos cenários em que o resultado esportivo acaba vindo e as coisas dão certo, mas o caminho mais garantindo, que preserva a existência do clube no longo prazo, é buscar a readequação das dívidas. Não significa que o clube não pode ter dívida, pode desde que sejam dívidas com um perfil adequado e num perfil adequado as receitas do clube”, explica Nascimento.


No discurso, não há como discordar das posturas adotadas pelos presidentes de Corinthians e Santos, mas os reflexos dessas decisões já se manifestam em campo. O Timão vive a situação mais crítica do ponto de vista esportivo. Eliminado na semifinal da Paulista e caindo posteriormente, e de forma precoce, na Copa Sul-Americana e Copa do Brasil, o Timão perdeu a chance de receber cerca de R$ 5 milhões em premiações.


Em todas as quedas em competições de mata-mata, o Corinthians teve uma única constante: o desempenho abaixo do esperado em campo. O time, sem grandes contratações em 2021, após os caríssimos investimentos feitos em Luan e Cantillo, viu uma falta de repertório gritante em campo, jogadores abaixo do que podem e um treinador incapaz de entregar bons resultados.



Era preciso mais, um outro futebol, uma nova maneira de jogar. Saiu Vagner Mancini e entrou Sylvinho, mas o novo treinador não conseguiu evitar a eliminação mais recente, na Copa do Brasil. Desde que assumiu o Corinthians, o novo treinador, inclusive, ainda não venceu na Neo Química Arena. Ao todo, o técnico tem uma vitória, dois empates e três derrotas, a última de virada contra o RB Bragantino.


Entre a torcida alvinegra, não há quem fale em títulos, mas sim em evitar o rebaixamento para a Série B, que do ponto de vista financeiro também seria desastroso, visto as quantidades substancialmente menores que seriam recebidas de cotas de televisão, premiações, etc. 


Esse também é o drama do torcedor do Santos. No Paulistão, o Peixe chegou a última rodada ameaçado do que seria o seu primeiro rebaixamento em toda a história. Para Marcos Nascimentos, a situação de ambos os alvinegros não exige outra solução que não seja equalizar as dívidas. “São dois clubes com dívida de curto prazo muito alta, é uma situação insustentável”, afirma. 



Segundo ele, uma das ações fundamentais a ser tomada é preservar jogadores promissores do elenco, que podem oferecer, além de retorno técnico por mais tempo, um retorno financeiro vantajoso. “Jogadores novos, com potencial, precisam ser mantidos, até pelo custo baixo num primeiro momento, mas também pela possibilidade de gerar receitas no futuro, com uma possível venda”, explica. 


“Depois, se livrar de gastos desnecessários, como jogadores que não são aproveitados e possuem salário alto, e tentar otimizar também o trabalho de scouting”, complementa Nascimento.



Vale lembrar que o Santos, por exemplo, ainda vive sob a ameaça de perder pontos na tabela do Brasileirão, entre outras punições cabíveis, por conta de negociações fora da realidade do clube, que resultaram em imbróglios com Doyen Sports e Krasnodar (RUS) — envolvendo o meia Cueva, contratado por R$ 26 milhões.


Fato é que Santos e Corinthians têm uma escolha difícil a fazer. O risco de rebaixamento é real, para ambos, mas o risco de afundar ainda mais em uma crise financeira é tão real quanto. Além do Cruzeiro, Vasco e Botafogo, dois gigantes do futebol nacional, também expurgam seus pecados na Série B deste ano, após campanhas vexatórias em 2020, muito por consequência de decisões desastrosas de gestões amadoras e irresponsáveis.


Clube-empresa: uma nova forma de gerar receitas


Segundo José Francisco Manssur, especialista em direito empresarial e desportivo, uma forma de clubes fragilizados econômicamente retomarem o caminho rumo ao equilíbrio é aderir ao SAF (Sociedade Anônima do Futebol), novo modelo de gestão para clubes aprovado na última semana no Senado, conhecido também como clube-empresa. 


Para o especialista em direito desportivo, o modelo de associações, majoritariamente adotado por clubes no Brasil, não faz mais tanto sentido nos tempos atuais. “O futebol mudou muito, hoje os clubes movimentam quantias milionárias de dinheiro, tanto nas despesas, com salários altíssimos, quanto nas receitas, negociando milhões de reais com TV, patrocínios, bilheteria, etc”, analisa.



Ele explica que com a proposta do clube se organizar como empresa, numa sociedade anônima, passa-se a ter ações, o que implica maior segurança para possíveis investidores. “Quando eu vou ao banco, o banco vai emprestar dinheiro mais barato, porque tenho mais segurança juridica do que como associação, por exemplo”. Além disso, a própria estrutura organizacional do clube se torna mais profissional, o que reflete em maior credibilidade no mercado.



“Então, a SAF é para clubes que querem receber outras formas de receitas do que as que já tem hoje. Porque só com as receitas que atuais, boa parte dos clubes não consegue fechar o ano no azul, precisam vender atletas. A ideia de possibilitar novas formas de gerar dinheiro é também para manter por mais tempo os jogadores no Brasil”, conta o advogado.


No entanto, segundo Manssur, tornar o clube em uma empresa não é uma salvação. “Salvação é uma palavra muito forte. Não é isso. É possível gerir muito mal uma SAF. É possível que um clube-empresa vá pior que associação. Não é salvação, é um caminho, uma alternativa”, completa.


Ricos, mas nem tanto: Juntos, Fla e Palmeiras devem R$ 1,2 bilhão


Fonte: R7

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