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Copom mostra maior preocupação com risco fiscal e ciclo de cortes da Selic parece ter terminado, dizem economistas

SÃO PAULO – O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu nesta quarta-feira (5) cortar a Selic em mais 0,25 ponto percentual, para 2% ao ano, renovando a menor taxa básica de juros da história.

A decisão era esperada pela maioria dos economistas, que acreditam que a autoridade monetária deixou a porta parcialmente aberta para um novo corte. No geral, a interpretação foi de que o espaço para um novo afrouxamento parece estar bem pequeno, o que foi destacado até mesmo pelo próprio Copom em seu comunicado.

Além disso, os economistas apontaram que, pela primeira vez, o Banco Central mostrou uma preocupação maior com o risco fiscal do país.

“Nesse comunicado, o enfoque foi maior. Se repetiu a expressão risco fiscal duas vezes. Foi um recado bem claro. Eu fiquei até surpresa de não ver, nas decisões passadas, um enfoque tão grande no fiscal. Hoje, eu acho que ele é o principal risco, ainda mais considerando a política monetária e as condições de financiamento de longo prazo”, disse Rachel de Sá, economista da XP Investimentos, em live do InfoMoney (assista acima).

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Segundo a economista, o BC trouxe uma inovação no “forward guidance, que é usar as expectativas ao máximo”, olhando para as projeções de inflação tanto para 2021 quanto para 2022, um horizonte mais longo.

“Traz a mensagem que o BC está mais próximo do que está acontecendo. As taxas de juros de curto prazo importam? Sim, mas sabemos que as taxas de longo prazo são essenciais. As condições de financiamento das empresas, por exemplo, dependem delas. Alguns bancos centrais pelo mundo nem têm metas de inflação, trabalham apenas com forward guidance”, completou.

A XP espera que a Selic termine 2020 no atual nível de 2% ao ano. A corretora espera que o BC vai começar uma subida gradual da Selic só em meados de 2021.

Para Guilherme Attuy, economista-chefe da Gauss Capital, é possível que o BC teste uma taxa de juros abaixo de 2% ao ano em 2020, embora a projeção oficial da gestora continue sendo de que o ciclo de cortes da Selic acabou hoje. Para o ano que vem, a expectativa da gestora é de que ela deve ir a 2,5% até dezembro.

“A demanda vai seguir fraca. Assumindo que o auxílio-emergencial suma no fim deste ano, você terá um vácuo de consumo. Desemprego elevado e menos renda. Isso vai demandar que o Copom mantenha o estímulo monetário e só volte a subir a Selic no fim do ano que vem”, afirmou o economista em live do InfoMoney.

Attuy disse que o BC deixou mais explícito a preocupação com a atividade econômica, especialmente em relação ao risco do fim do auxílio-emergencial que o governo tem oferecido à população mais prejudicada pelo coronavírus.

“Se você está dando renda para uma pessoa e de repente tira isso, será um problema se você não tiver conseguido realocar a pessoa no mercado de trabalho ou dado condições para ela seguir com seu trabalho autônomo”, disse.

O economista apontou dois elementos que eventualmente apoiariam um novo corte nos juros: a inclusão de um ano a mais no horizonte de observação, que é 2022, e o fato de o BC ter mencionado que não antevê reduções do estímulo monetário até que as projeções dele e do mercado estejam próximas às metas de inflação no horizonte mais longo.

Talvez sim, talvez não

Para Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs, talvez o BC tenha terminado o ciclo de cortes da Selic, mas talvez não. A dúvida foi levantada pela maior preocupação da autoridade com a atividade econômica e pelo fato de ela já sinalizar que vai olhar um horizonte mais longo de expectativas antes de aliviar o estímulo monetário.

“Em relação ao forward guidance, o Copom conseguiu ser tanto dovish [postura mais favorável a taxas de juros mais baixas e menor preocupação com a inflação] quanto hawkish [defensor de juros mais altos e de uma política de austeridade mais forte], mas, em nossa avaliação, em geral, as observações dovish são mais fortes e mais imediatamente acionáveis ​​do que as referências hawkish“, disse o economista.

O economista afirmou que o mais provável é que não haja um novo corte da Selic na próxima reunião do Copom, em setembro. Ele acredita ser difícil uma redução adicional de 0,25 ponto percentual da Selic por causa da crescente deterioração fiscal em 2020 e 2021, “e a economia parece estar respondendo bem ao estímulo geral de crédito fiscal-monetário já entregue”.

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Fonte: Infomoney

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