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Coronel Adriana Política, Superação e Vitória

Nascida em Piracicaba no interior de São Paulo, Adriana Cristina Sgrigneiro Nunes é Coronel da Polícia Militar de São Paulo, Vereadora desde 2016, mãe de duas filhas e um amor enorme pela PM. Conheça a seguir a Coronel Adriana.

 

Em uma quarta-feira, 22:00h da noite, ela recebeu a equipe do Terça-Livre em seu gabinete, logo após participar de uma reunião comunitária para ouvir as demandas da população. Visivelmente cansada, ela comentou: “Só comi uma coxinha hoje, estou trabalhando desde cedo.” E relembre: “Já fiz atendimento de madrugada que tinha entrevistas no local, de manhã quando eu me via na TV estava toda descabelada, no meio do mato com os policiais, de saia e de salto para acompanhar as ocorrências.”

 

Começo a entrevista perguntando qual foi o despertar militar.

Adriana conta que começou trabalhar muito cedo, em 1979 foi Guarda Mirim de Piracicaba e logo em seguida passou a trabalhar na Usina Costa e Pinto S/A. 

A família nunca teve relação com militarismo mas a mãe sonhava com a filha aeromoça. Ao ver um concurso da PM a mãe de Adriana perguntou se ela tinha interesse em prestar o concurso, ela aceitou e se inscreveu. Relata que na época não tinha prazos como hoje em dia, que o concurso foi em 1986 e só entrou em 1987.

 


As primeiras impressões:

Menciona que na Guarda Municipal quando faz posição de sentido bate o braço e ao chegar na PM deram o sentido e ela repetiu o modelo, achando que sabia, porém descobriu que a PM não bate o braço, que nesse momento percebeu o quanto tinha para aprender.

Brinca: “Completamente caipira, nunca tinha saído da cidade, só saía de caminhão para entregar cargas com meu pai que era caminhoneiro, quando cheguei em Campinas – conta entusiasmada – vi aquela cidade grande.”

Todos os dias de manhã os recrutas estavam na sede da Antiga 8º BPMI antes das 7 horas, desciam na rodoviária e iam caminhando até a sede, saíam a noite.

Se formou em 1º lugar no curso de Formação de Soldados da PMESP em 1988. 

Fala sobre o esforço, do quanto foi difícil e sacrificante prestar o concursos para Academia do Barro Branco, lembra que antigamente não tinha acesso a internet: “Eu não fiz nenhum cursinho! Peguei emprestado com minha Tia Celina um livro de matemática e um de conhecimento em língua portuguesa, o livro de matemática tinha dois mil exercícios, eu fiz os dois mil sozinha. Até hoje agradeço ela.” Adriana conta que na hora da prova esqueceu o que era somatória, ri dizendo que até hoje lembra da eventualidade.

No dia do vestibular, a família da Coronel estava em excursão para a praia, ela diz que não exitou, escolheu prestar o vestibular, pegou o ônibus e foi para Academia enquanto todos outros foram para o litoral. Comenta: “Isso que diferencia as pessoas; e as pessoas precisam ser diferenciadas dessa forma. Eu poderia ter ido para praia e deixado o vestibular para depois, mas não é assim que funciona.”

Ela narra emocionada: “A hora que eu entrei no pórtico a primeira vez, eu quase chorei! Falei: eu estou aqui! Vocês não tem ideia da emoção. Quem luta consegue.”

Em 1990 ingressou na Polícia Militar do Barro Branco, se formou em Bacharel em Administração de Polícia Ostensiva em 1993.

 

Independência e Feminino 

– Pergunto se ela sentiu, alguma vez, algum tipo de opressão, de dificuldade ou diferença no processo por ser mulher.

“Na época era sim diferente, havia um quadro específico para homens e um quadro específico para mulheres. Tínhamos matérias específicas, mulheres tinham uma destinação e homens outras. Isso não é opressão, isso é lei e em razão da lei, a lei existe e em razão da sua existência já entrávamos nesse sistema.” – explana.

 

– Pergunto se em algum momento da carreira precisou do movimento feminista:

Ela dá risadas e afirma: “A minha capacidade me proporcionou. Eu objetive de graça do estado, nunca paguei e nunca fiz cursinho particular. Meritocracia é o que funciona!” – continua – “Olha, se tem uma pessoa que acredita nisso (meritocracia) e acredita que isso é o que realmente funciona, que isso realiza pessoas e que é um exemplo vivo, essa pessoa sou eu!”

Adriana conta que veio de uma família extremamente carente, que sempre estudou em escolas públicas, que na época tinha 40 alunos na classe e que desde cedo observava os que estudavam e iam adiante e os que não queriam estudar. Completa: “Isso que funciona na sociedade e faz com que a sociedade cresça, o cidadão busca se realizar.”

 

Sobre coletivismos é clara:

“Não acredito nisso! Nada me faz acreditar nisso! Eu acredito que todas as pessoas têm capacidade, mas depende da vontade e do querer delas!” – Sustenta.

 

Sobre uma mulher chegar até a patente de Coronel:

“Com certeza estudando, tudo via concurso.” – ela alega. Prossegue afirmando que é favorável ao crescimento pessoal do indivíduo, que as pessoas precisam entender que vão ser responsabilizadas pelos seus atos; e com base naquilo que ela lutar que ela alcançará.

“É justo quem não luta nada chegar onde eu cheguei? Quem nunca estudou? Teve pessoas na minha turma que não estudavam, seria justo que chegassem no mesmo posicionamento que eu?” – indaga.

Ela afirma que as pessoas estão carentes do sentimento de vitória, que quando vem de mãos beijadas se torna descartável, que até a vida se torna descartável se a pessoa não encontra uma razão. Diz que fica triste em ver que parte da juventude não tem razão de vida, que tem tudo na mão, mas não há valor.

Comenta sobre a carreira: “Eu lutei e eu consegui, eu dou valor ao que eu consegui.” Não é fácil, precisa se policiar, ter posicionamento.” 

Conta que tem consciência do número de pessoas que se espelham nela e vê isso pela quantidade de meninos (como chama carinhosamente os policiais) que ligam para ela para pedir dicas para o concurso. Adriana ensina, indica estudos e dá inúmeras dicas.

 

Orgulho de ser Policial Militar:

“A PM é uma big profissão! Eu sei porque eu tenho muito orgulho de ter uma farda!” – garante.

Pergunto para a Coronel Adriana o que a polícia representa para ela. Ela se emociona:

“Eu amo a Polícia Militar! Representa tudo o que eu sou, como pessoa, em tudo, meus valores, minhas virtudes. A gente aprende a ser brigador, mas de maneira contida e educada, agir respeitosamente, ser legalista, sem deixar de realizar coisas.”

 

“Isso dá muitas possibilidades. Eu falo para os meus meninos: vocês não fazem ideia do poder que vocês têm, poder de modificar. Se desenvolverem o PROERD, serão reconhecidos em qualquer lugar de tanta legitimidade que a PM dá para gente agir. A PM oferece uma credibilidade enorme para nós.” – atesta.

Deixa claro que a linha do que é certo e errado é muito evidente.

Ela brinca que a Polícia Militar vê tudo, que tem olho de tandera. Fala que da possibilidade de resolver as coisas na hora, no momento em que acontece, com rapidez e qualidade.

“Como que você não vai gostar de uma profissão dessas? Fale para mim? Pra quem é comprometido, envolvido, é uma delícia! É um negócio incrível, um sucesso, é muito legal” – fala emocionada.

Pergunto a opinião dela sobre a Lei de Abuso de Autoridade. 

Adriana fica séria. Fala que o legislador precisa ser consciente ao formular leis, pois a norma que ele faz é aplicado a todos e não apenas a um grupo seleto. Explica que se trata de uma renovação porque já existe uma lei, que já é previsto sobre o uso de algemas.

“A lei de algema só valia para o Policial Militar, querem que valia para juiz, mas tornar crime é grave, pode fazer com que o policial seja mandado embora. O indivíduo que criminaliza não conhece a realidade de quem aplica a lei, de quem atende a demanda.” 

“Só faz uma lei dessas uma pessoa que nunca sentou numa viatura e precisou ir prender um ladrão extremamente violento, que no primeiro momento diz sim senhor e não senhor, mas na primeira marcada que o policial dar ele vai para cima do policial, pega a arma e atira na cabeça do policial com a própria arma do PM. Fora que quando é colocado na viatura, no primeiro momento ele fica mas quando se dá conta que está preso vira bicho e destrói a viatura inteira.” – reclama.

Ela é enfática ao dizer que quem aprovou a lei não tem vivência no dia a dia. Fala que se um juiz for condenado por abuso de autoridade, provavelmente, será aposentado com salário integral; mas que o policial que for condenado vai ser mandado embora, vai perder o emprego que lutou para conquistar e vai sair sem direito a nada: “Quando é excluído da corporação, sai com uma mão na frente e outra atrás, muitas vezes não consegue nem o tempo de serviço para conseguir se aposentar. Não pensam no métier.”

Lembra que quando um policial é assassinado a família dele fica desamparada enquanto o bandido recebe auxílio na prisão. Adriana prestou uma moção de repúdio no fórum da cidade onde se reuniu com promotores e juízes para debater o tema.

 

Eu falo sobre os comentários em redes sociais que estimulam a paralisação da PM e afirmo que não vi nenhum policial, de nenhuma patente concordar com isso. 

A Coronel esclarece:

 “O soldado não pode paralisar, isso é considerado motim e dá expulsão, é crime militar. Existe um Código Penal Militar que o proíbe de fazer greve, é proíbido, é mandado embora”.

Ela informa que existe uma associação chamada DEFENDA PM, que se manifesta em favor dos policiais, que têm representatividade no Congresso Nacional e que é composta por oficiais que possuem conhecimento de causa. 

 

Sobre ser mãe de duas filhas e Coronel da Polícia Militar

Ela diz que apesar da rotina complicada que as duas jamais deram problemas. Que nunca precisou forçá-las a estudar, que sempre foram estudiosas.
Conta que a filha mais velha ia para o quartel com ela, que estudava de manhã e passava a tarde no quartel e que ajudava. Fala que a filha tem uma liderança forte, que é muito inteligente, que já presidiu centro acadêmico, mostra – com satisfação – a carta que a filha escreveu sobre ela, conta que é ela (filha) que coordena as finanças. A filha, Mariana, complementa: “Eu quem fiz o enxoval da Carol!” 

 

“Já atendi ocorrências que duraram 48 horas, minha filha Mariana cuidava de tudo. Eu criei pessoas responsáveis.” – adianta.

A filha mais nova, Carol, também passou boa parte da infância no quartel. Adriana lembra que em 2006, quando vários policiais estavam sendo assassinados em decorrência do ataque da facção criminosa PCC, a filha, que tinha poucos meses, estava internada no hospital da Penha e ela era comandante da Força Tática de São Mateus no 38º. E detalha: “Tive que tirar ela do hospital com viatura da Polícia Militar, tinham ameaçado de me matar lá, eu saí com a Carol doente para outro hospital. Precisei proteger minha filha em razão da profissão que eu escolhi!”

Ela continua dizendo que a vida sempre foi assim. Que era comandante das tropas e que precisava estar presente nas ocorrências. Disse que viveu várias situações críticas. Relembra:

“Mariana estudava aqui no interior, a Carol com a gente na capital, atendemos uma ação gravíssima em Sapopemba, eu capitã e meu marido capitão, ambos supervisores regionais. Eu não tive como buscar minha filha na escola, estávamos dando cargas de viatura, Tropa de Choque, bombas – ela mostra o braço marcado com estilhaços, minha filha ficou até oito horas da noite na escola, eu não tinha como sair, não tinha com quem deixar. Elas acompanharam nosso movimento, sabem das dificuldades.” – conclui muito emocionada.

Faço uma pergunta técnica sobre vínculo e amamentação. Adriana responde em meio a lágrimas:Eu chorava, é um negócio incrível!”

Afirma que o tanto de responsabilidade que ela e o marido possuem sempre foi modelo para filhas. Comenta que outro dia o marido – que é Tenente Coronel – chegou as 19h em casa, após quase 12h de trabalho em outra cidade, e que as 22h teve uma ocorrência de homicídio, ele vestiu a farda e se deslocou para o local, retornando só as 3h da manhã. A filha mais nova brincou: “Sempre foi assim.”

 

Peço para comentar sobre as conquistas como vereadora.

Contente responde que há muitas. Discorre sobre um movimento que havia para aquisição de um sistema integrador com banco de dados (videomonitoramento) e que o orçamento estava em 9 milhões de reais. Inspirada, ela recordou que a PM possui esse sistema, mas ninguém sabia, então ela chamou a equipe, levou até a capital, São Paulo, mostrou como funciona, articularam, apresentou para o prefeito e conseguiram um convênio com o Estado e conquistaram uma economia de 9 milhões.

Uma das conquistas dentre inúmeras. Após requerimentos, Adriana conseguiu uma emenda para construção da sede da 5º Companhia Militar na cidade e um projeto da 1º Companhia que já está com terreno pronto.

 

Outra ação importante foi uma mudança séria na legislação. Houve uma grande apreensão em uma marmoraria da cidade, onde foram apreendidos 900 kg de maconha e após isso a marmoria seguiu em funcionamento o que, segundo Adriana, dava uma impressão de impunidade perante a população; então ela promoveu uma série de reuniões, explicou que o alvará dá um funcionamento e que tal ato era desvio de finalidade o que invalidava o alvará e era para lacrar. Ela fez um projeto de lei que foi aprovado e comemora: “Agora, com a lei, pode fechar o comércio!”

Ela é objetiva: “Resolvo diversos problemas, mas trabalho com prevenção, tem que solucionar antes que aconteça!”

 

Interrogo sobre a Prefeitura de Piracicaba para saber seu conhecimento administrativo:

“O executivo não é algo fácil, é a grande vitrine e o executivo precisa ter um olhar preventivo, algo técnico com um grupo de pessoas, precisa enxergar com um olhar solucionador, agir antes que aconteça. Não deve ser reativo, não deve deixar acontecer, como é, para depois solucionar. Esse modelo torna a administração mais cara!”

“Quando há planejamento as coisas dão certo. Na Polícia Militar temos relatório de gestão: você traça o que quer dentro do planejamento, estabelece objetivos, estabelece metas para cumprir, dentro das metas estabelece planos de ação, escreve como vai fazer cada uma das coisas, para você saber como chegar no objetivo final. Isso funciona.” – Assegura

 

No final, proponho um “Respostas Rápidas”:

Segurança Pública: É necessária.

Armamento Civil: Direito necessário.

Jair Messias Bolsonaro: É o meu presidente. – ela bate no peito – Votei e voto de novo!

Educação: Não deve ser direcionada por um viés ideológico. As crianças precisam aprender conteúdos e aprender a discernir, assim tomarão decisões próprias com base em bons conhecimento; não decidirão conforme determinado grupo acha.

Escola Sem Partido: Eu apoio! É uma grande necessidade hoje.

Saúde: Sem saúde não chegamos a lugar nenhum.

Família: É minha base!

O que é justiça para você: É ter aquilo pelo qual você luta.

 

Coronel Adriana deixou um recado para os militares que são leitores do Terça Livre:


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1979 foi Guarda Mirim

1988 garantiu o 1º lugar no curso de Formação de Soldados

1990 ingressou na Academia Barro Branco

1993 se formou em Bacharel em Administração de Polícia Ostensiva

2000 se formou em Bacharel em Direito

2009 Mestre em Ciências Policiais

– Possui mais de 15 cursos diferentes para aprimoramento profissional

– Comandou diversas Companhias da PMESP, incluindo Força Tática do 38º BPMM em São Matheus e o 10º BPMI de 2013 a 2014.

– Possui 5 láureas de mérito pessoal da Polícia Militar 

– Possui 7 medalhas de condecorações

– Recebeu o prêmio Polícia Cidadã pelo projeto de comprometimento com a comunidade: recomposição da auto-estima do policial

– Recebeu o troféu Sino da Paz da Associação Comercial de São Paulo

– Recebeu medalha MMDC

– Conquistou Diploma Combatente Natal Meira Barros

– Recebeu voto de congratulações na Câmara Municipal de São Paulo 

– Recebeu 6 Moções de Aplausos na Câmara de Piracicaba

– Conquistou o prêmio Policial Padrão 2013

– Instrutora de Polícia Comunitária, Marketing, Direitos Humanos, Gestão pela Qualidade e Relacionamento com a Imprensa

– Foi auditora do prêmio Polícia Militar da Qualidade

– Desenvolveu o projeto Madrugada Viva – que está sendo renomeado e implantado em Piracicaba

– Participou do Jornada da Cidadania, Programa de Valorização dos Policiais Militares, Congressos e Conferência Nacional de Segurança Pública.

– Ajudou a escrever o Planejamento Estratégico Municipal de Piracicaba em Segurança Pública na Agenda21

– Em seu primeiro mandato tem: 600 indicações de melhorias e leis para o município, 50 moções de aplausos, apelo, repúdio e apoio, 10 projetos de decreto legislativo, 2 projetos de emenda à Lei Orgânica, 18 PLs, 1 PLC, 3 projetos de resolução e 143 requerimentos de informação.

Fonte: Google News

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