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Credit vê cenário ainda negativo para construtoras e rebaixa Cyrela; ações fecham em queda de mais de 4%

SÃO PAULO – Com um cenário macroeconômico mais desafiador e diante da forte pressão inflacionária exigindo uma taxa básica de juros mais elevada, analistas do mercado financeiro têm adotado uma posição mais cautelosa com as ações de construtoras na Bolsa, que já caem cerca de 20% na B3 desde maio.

É o caso do Credit Suisse, que revisou suas estimativas para diversas empresas do setor, cortando o preço-alvo e, ainda, rebaixando a recomendação de Cyrela (CYRE3) de compra para neutra.

“Ainda vemos uma relação de risco e retorno mais inclinada para o lado negativo, uma vez que não há gatilho para as ações (com cenário macro ainda turbulento e micro em deterioração). Vemos mais risco de queda para o setor do que o contrário”, escrevem os analistas, em relatório intitulado “Sem motivos para ficar animado; esperando por um melhor ponto de entrada”.

Por ora, o Credit diz preferir ficar de fora do setor, posição que, segundo o time de análise, oferece uma desvantagem limitada.

No setor de construção e incorporação, o banco prefere o segmento de habitação de baixa renda em detrimento do voltado para renda média, uma vez que o primeiro tende a oferecer desempenho operacional e financeiro mais forte ao longo dos próximos trimestres.

A justificativa é de que o segmento oferece menor exposição a taxas de financiamento em alta, pressão dos custos de material mais limitada, bem como menor exposição a questões trabalhistas.

Em outras palavras, as empresas voltadas para o público de baixa renda devem se beneficiar de taxas subsidiadas, que não devem refletir a alta da Selic. Além disso, do lado financeiro, players de baixa renda estão menos expostos ao agravamento da dinâmica de trabalho, pois são verticalizados (equipes próprias de construção), diversificados (menos expostos à cidade de São Paulo) e industrializados (moldes de alumínio diminuem a necessidade de mão de obra).

Neste contexto, o Credit Suisse optou por rebaixar as ações CYRE3 de compra para posição neutra, e cortar o preço-alvo de R$ 32 para R$ 25, ainda um potencial de alta de 23% em relação ao fechamento da véspera.

“Embora vejamos a Cyrela bem posicionada para enfrentar um cenário mais desafiador, a empresa está exposta a uma deterioração dos cenários macro e micro, o que pode prejudicar seu desempenho à frente”, escrevem os analistas.

O Credit atualizou suas estimativas para a companhia, aumentando as projeções de lançamentos em 6%, para 2021, e em 2%, para 2022. Ao mesmo tempo, reduziu suas expectativas de vendas para este ano em 4%, para R$ 5 bilhões, enquanto ampliou em 6%, para R$ 5,7 bilhões, suas estimativas de vendas para 2022.

Segundo o time de análise, os principais riscos recaem sobre os próximos aumentos da taxa Selic, uma demanda menor do que a esperada em São Paulo, uma retomada mais lenta dos preços e um aumento acima do esperado nos custos.

Nesta quinta-feira (23), as ações CYRE3 encerraram o pregão com baixa de 4,33%, a R$ 19,43, também por conta da decisão da véspera do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa de juros básica de 5,25% para 6,25% ao ano, o que afetou as ações do setor como um todo (veja mais aqui).

O relatório do Credit Suisse também traz uma revisão das estimativas para as construtoras Ez Tec (EZTC3), Even (EVEN3), Mitre (MTRE3), MRV (MRVE3), Tenda (TEND3) e Direcional (DIRR3), com redução do preço-alvo em 12 meses.

Em Ez Tec, o preço-alvo foi cortado de R$ 44 para R$ 30; em Even, de R$ 15 para R$11; e Mitre, de R$ 15 para R$ 10. Em MRV, o Credit vê agora o preço-alvo para os papéis da companhia em R$ 17 (ante R$ 24); em Tenda, o corte foi de R$ 35 para R$ 25; e em Direcional, de R$ 19 para R$ 15.

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O banco tem recomendação neutra para essas seis companhias.

Também houve corte no preço-alvo para os papéis de Moura Dubex (MDNE3), de R$ 14 para R$ 10, os quais o Credit Suisse tem recomendação de compra.

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Fonte: Infomoney

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