Cuidar do lixo representa uma importante etapa na luta pela melhoria da qualidade de vida

Nos últimos anos, a consciência sobre o que é feito com o lixo gerado, de que forma ele impacta a vida de todos e o que isso representa para o futuro das próximas representa uma grande dilema para a sociedade. Uma prática muito comum das prefeituras brasileiras é a incineração do lixo urbano nos chamados aterros sanitários. Da queima do lixo, são gerados dois elementos tóxicos de origem não natural: o furano e a dioxina, resultando no surgimento de perigosos poluentes. “Estes compostos podem estar presente nos alimentos, solo, vegetais, ar, água e animais, classificados pelos pesquisadores como uma das mais graves ameaças ao ambiente”, salienta Vininha F. Carvalho, editora da Revista Ecotour News & Negócios (www.revistaecotour.news).

A EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA) alerta sobre o aumento contínuo do índice de concentração da dioxina no sangue das populações urbanas dos grandes centros. A EPA identificou que esse agente tóxico é cancerígeno e pode provocar outros distúrbios de saúde: deficiências do desenvolvimento infantil e diabetes. A dioxina é transmitida ao bebê através do aleitamento materno.

Sancionada em dois de agosto de 2010, a Política Nacional Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/10) estabelecia até o final de 2014 o prazo para que as prefeituras se adequassem às novas regras. Em julho de 2015, o Senado estendeu a data-limite para o fim dos lixões. Além das capitais e regiões metropolitanas, os municípios de fronteira e os que contam com mais de 100 mil habitantes, com base no Censo de 2010, ganharam prazo até 2019. Infelizmente, com a falta de planejamento e a penúria financeira das cidades, mais uma vez o governo será obrigado a prorrogar a data para o fim desses locais de depósito irregular de lixo. Cidades com população entre 50 e 100 mil habitantes têm até 31 de julho de 2020 para resolver essa questão. Já os municípios menores, com menos de 50 mil habitantes, devem estar de acordo com a lei até 31 de julho de 2021.

“O lixo impacta toda a região onde ele se acumula. Saber cuidar do lixo representa uma importante etapa na luta pela melhoria da qualidade de vida. Uma cidade mais limpa tem menos doenças; as pessoas economizam dinheiro porque não gastam com hospitais e remédios; com menos doenças a cidade produz mais e melhor e se tornam cada vez mais atraentes para novas indústrias e investidores, fechando assim um círculo em que todos saem ganhando”, enfatiza Vininha F. Carvalho.

O Brasil é o quarto país no mundo que mais produz lixo segundo o estudo “Solucionar a Poluição Plástica: Transparência e Responsabilização”, feito pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Os municípios brasileiros produzem 11.355.220 toneladas de lixo plástico por ano e apenas 1,28% é reciclado. Os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar na produção de lixo, seguido pela China (2º) e Índia (3º).

Retirar os resíduos do meio ambiente e reintegrá-los ao ciclo produtivo garante uma redução significativa de custos com matéria-prima. Difundido em indústrias dos mais diversos segmentos no mundo todo, o conceito de logística reversa consiste em duas etapas básicas: coleta + reciclagem e reutilização, e sua relevância para a preservação do meio ambiente tem motivado a criação de novas leis que tornam empresas dos mais variados segmentos legalmente responsáveis por todo o ciclo de vida útil de um produto, promovendo a reutilização ou o descarte correto dos mesmos, relata Vininha F. Carvalho.

A construção de uma sociedade consciente da sua responsabilidade com a natureza depende muito da postura da sociedade como um todo, é preciso educar, conscientizar, promover e realizar ações neste sentido por parte de todos os elos da cadeia, e iniciativas do setor empresarial como a logística reversa, um exemplo de responsabilidade ambiental e social.

Os cidadãos tem um papel crucial neste processo colaborando com a coleta seletiva. O cenário nacional é preocupante, ou seja, muito lixo que não é lixo acaba misturado ao lixo comum. Os rejeitos, que poderiam ser destinados corretamente por meio da reciclagem ou de processos reversos, acumulam-se na beira dos rios, entupindo galerias pluviais, em baías, no mar e, muitas vezes, são engolidos por animais, que acabam tendo graves problemas, podendo até ser fatal.

A PNRS foi criada para melhorar os processos de destinação final dos rejeitos, o que proporciona um ganho considerável da melhoria da qualidade de vida local e do meio ambiente como um todo. Apesar do avanço da legislação, ainda há um grande caminho a ser percorrido, que vai desde a conscientização sobre o lixo que cada cidadão gera, até as formas mais eficientes de separação.

“A meta a ser atingida através de uma grande mobilização social é exigir o cumprimento da Lei nº 12.305/10, causando um efeito multiplicador positivo, seja capaz de mobilizar desde o grande gerador de rejeitos até o cidadão comum”, conclui Vininha F. Carvalho.

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Fonte: PORTAL TERRA – NOTÍCIAS

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