dicas para prevenção do câncer de mama e detecção precoce

SÃO PAULO – O câncer de mama é o que mais mata mulheres no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), 60 mil novos casos serão diagnosticados neste ano. O número impressiona. E as dúvidas são inúmeras: quais são os sintomas do câncer de mama? Devo fazer o autoexame? É hereditário? Dói? O que fazer para prevenir?

Reunimos os principais questionamentos e conversamos com três especialistas para respondê-los: Carlos Alberto Ruiz, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia; Fabiana Makdissi, chefe de Mastologia do hospital A.C Camargo; e Marcelo Bello, mastologista do Inca e diretor do Hospital do Câncer III.

Quais são os sintomas do câncer de mama?

Geralmente, o primeiro sintoma notado pelo paciente é o nódulo. Isso não significa que, necessariamente, a pessoa está com câncer. Cerca de 80% dos nódulos de mama são benignos.

Além do nódulo, outros sinais podem indicar o câncer de mama:

  • Retração da pele na região mamária;
  • Secreção de líquidos pelos mamilos;
  • Afundamento do mamilo;
  • Alteração no tamanho ou formato da mama;

Quais são as causas do câncer de mama?

Segundo Ruiz, “todo câncer de mama, assim como todo câncer, advém de uma alteração genética”. Ele explica que um gene entra em mutação e faz com que a multiplicação das células se intensifique. De acordo com ele, dentre os fatores que podem induzir esse processo estão os hormônios estrogênio e progesterona – os “grandes vilões da história”. Os dois são necessários para o desenvolvimento do corpo e para o funcionamento do ciclo menstrual. Quando há um desequilíbrio entre os níveis de progesterona e estrogênio, várias doenças podem surgir e, entre elas, o câncer de mama. A partir do momento em que a produção de progesterona cai e a presença do estrogênio se torna maior, as células se multiplicam mais rapidamente. Essa multiplicação desenfreada pode causar o câncer.

O câncer de mama é hereditário?

Todo câncer de mama é genético, ou seja, desenvolve-se a partir de uma alteração de um gene. Porém, nem todo câncer de mama é hereditário. Apenas de 5% a 15% dos casos de câncer de mama têm relação com um histórico familiar. Os demais casos são esporádicos, acidentais.

Qual tipo é o tipo de câncer de mama mais perigoso?

Os tipos mais perigosos são o triplo-negativo e o HER2 positivo. São eles que têm comportamento mais agressivo, apresentam maior mortalidade e maior risco de metástase. Segundo Ruiz, “na maioria das vezes, a mulher com câncer de mama não morre por problema local do câncer, isso acontece raramente. Ela morre em função da metástase”.

O câncer de mama dói?

De acordo com Ruiz, normalmente não. “E isso é um problema. Por não doer, a pessoa acaba adiando a procura por um profissional de saúde. Se doesse, o auxílio médico seria precocemente buscado e as chances de cura seriam maiores”, diz.

Quem deve fazer o autoexame de mama?

Os médicos têm usado cada vez menos o termo autoexame. Embora já seja popularmente conhecido, eles acreditam que a palavra pode confundir os pacientes e passar a ideia de que a estratégia pode substituir um exame feito por um profissional. Os mastologistas preferem falar em autoconhecimento. Na prática, envolve tudo o que o antigo autoexame englobava.

Para a mastologista Fabiana, é preciso incentivar que as pacientes conheçam o próprio corpo, as suas características, para, a partir disso, conseguir reconhecer eventuais mudanças causadas por alguma doença. “Olhar-se no espelho é fundamental. Não dá para enxergar a parte inferior da mama sem olhar no espelho”, afirma. A médica deu outras dicas:

  • Eleve e abaixe o braço, observe se há alguma mudança;
  • Palpe a mama durante o banho;
  • Cuide do seu corpo para identificar mudanças como: assimetria das mamas, mudança de coloração, presença de nódulos, pele enrugada, eliminação de secreção, entre outras.

Fabiana ressalta que a detecção de alguma dessas alterações “não significa que seja câncer, mas sim sinais de alerta”. A orientação é procurar um médico.

Quem precisa fazer a mamografia?

Quase 40% dos casos de câncer de mama no Brasil acontecem antes dos 50 anos. Por isso, a recomendação da Sociedade Brasileira de Mamografia é de que toda mulher a partir dos 40 anos faça uma mamografia anualmente. No exame, podem ser detectadas lesões não-palpáveis, ou seja, lesões que ainda são muito pequenas – essa é a grande vantagem da mamografia.

Ruiz explica que só é possível “palpar o nódulo a partir de 1,5 cm ou 2 cm. A mamografia faz um diagnóstico milimétrico, por isso é tão importante. Isso representa uma diferença enorme no prognóstico”. Ele diz que a cobertura dos exames de mamografia está longe de ser a ideal: “de 70% a 80% das mulheres que precisariam fazer mamografia não fazem”.

A alimentação pode prevenir o câncer de mama?

Sim, uma boa alimentação pode ajudar a prevenir o câncer de mama. Segundo o mastologista, “depois da menopausa, cada quilo representa quase 1% a mais de risco de surgimento ou recidiva do câncer”. Depois da menopausa, os ovários entram em falência e diminuem a produção hormonal. O ovário é o responsável pela produção de um hormônio chamado androgênio, que, na gordura, é transformado em estrogênio (hormônio que estimula a multiplicação das células). “Quanto mais gordura a mulher tiver na pós-menopausa, maior é a conversão de androgênio em estrogênio”, afirma.

Além da alimentação, o que pode prevenir o câncer de mama?

A prática de exercícios físicos e a manutenção de uma boa saúde mental também podem ajudar na prevenção, segundo os especialistas.

Os sintomas do câncer de mama nos homens são os mesmos?

Apesar de mais raro, o homem pode sim ter câncer de mama, afirma o mastologista Bello. Para cada cem casos desse tipo de câncer, apenas um acomete os homens. Pela baixa incidência, eles não costumam se preocupar com a doença. É preciso observar a presença de nódulos, a assimetria das mamas e ficar atento ao histórico familiar.

Para quem é indicada uma intervenção cirúrgica?

A cirurgia é realizada na maioria das vezes. A operação pode servir – dentre várias coisas – para traçar as sessões de radioterapia e quimioterapia, por exemplo. Para Ruiz, “tudo isso junto estabelece o sucesso do tratamento. Não adianta só operar se não tem uma boa rádio ou quimio. É o conjunto”.

Existe alguma diferença para quem tem prótese de silicone?

Segundo Bello, “quando a prótese de silicone é implantada, a anatomia das mamas é modificada. Dessa forma, a mulher precisa conhecer esse novo corpo e, a partir daí, detectar possíveis alterações”.

O uso de anticoncepcionais aumenta as chances de ter câncer de mama?

Ruiz esclarece que “se o anticoncepcional aumenta o risco, aumenta muito pouco. Isso não o torna contraindicado para as mulheres”. Para ele, é preciso avaliar caso a caso. “Para as mulheres que têm histórico familiar de câncer de mama talvez não valha a pena utilizar os anticoncepcionais hormonais”, completa. São preferíveis os anticoncepcionais não-hormonais, como o DIU de cobre, por exemplo.

Depressão e ansiedade podem ajudar a desencadear o câncer?

Ruiz diz que essa é uma questão bastante discutida entre os médicos. Ele ressalta que ainda não é possível afirmar que existe uma relação de causa e consequência entre as doenças pela falta de trabalhos científicos que deem suporte à ideia. “A gente acha que pode ter, porque a depressão não é só emocional, é também imunológica”.

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Fonte: PORTAL TERRA – SAÚDE

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