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Digitalização da economia predomina entre as estratégias de fundos “long bias”

InfoMoney na Expert 2020 (Getty Images/Leo Albertino)

SÃO PAULO – O grande chamariz dos fundos “long bias” é a liberdade para calibrar as posições compradas (aposta na alta) e vendidas (aposta na queda), de acordo com os ciclos econômicos.

Nos últimos meses, os gestores desses fundos não fugiram à regra, reduzindo o risco das carteiras na fase mais aguda da crise, e apostando na tese do aumento da digitalização como uma das principais posições compradas, para navegar o novo contexto pós-pandemia.

Durante painel da Expert XP sobre como a estratégia “long bias” se adapta aos momentos de grandes incertezas, Roberto Chagas, sócio co-fundador e responsável pelas estratégias de gestão de renda variável da Trafalgar Investimentos, lembrou de palestra do dia anterior, de Ray Dalio, da Bridgewater, para reforçar ainda mais a importância da diversificação. E não apenas entre classes de ativos, mas também entre regiões.

Na Trafalgar, o fundo “long bias” busca se apropriar de teses seculares não só no Brasil, mas em toda a América Latina. No portfólio do fundo estão, por exemplo, as ações da empresa Globant, sediada na Argentina, mas que tem boa parte da receita oriunda de mercados desenvolvidos.

A Globant tem entre seus clientes a EA Sports, fabricante de jogos virtuais como o Fifa Soccer. “Ela desenvolve a parte de inteligência artificial do jogo”, explicou Chagas. “Por isso que fazem o Neymar rolar tanto em campo”, brincou o especialista.

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A cearense Arco Educação, que fez seu IPO na Nasdaq em 2018 e vem ganhando escala cada vez mais depressa por meio de seu método de ensino digital, também consta na carteira da Trafalgar.

Impacto indireto

Além dos nomes mais óbvios, que se beneficiam de forma mais direta da digitalização da economia, Chagas citou entre as apostas da casa a Santos Brasil, operadora do Porto de Santos. “O capex para os próximos anos será para a automação e a digitalização do porto.”

Na Pacífico, o gestor Paulo Abreu apontou Localiza e Renner como empresas que não constam no grupo das que mais diretamente surfam a onda disruptiva, mas que também terão benefícios importantes com o aumento da tecnologia. “Em março, vimos essas empresas a preços ultra-atraentes.”

Já Paolo di Sora, sócio-fundador e CIO da RPS Capital, disse que tem buscado capturar as novas tendências principalmente por meio de posições em índices acionários nos Estados Unidos e na China.

Sarrafo alto

No Brasil, em que as opções de tecnologia são mais restritas, o gestor da RPS apontou a Vale como uma ação na carteira que segue extremamente descontada. “Acho que é a empresa mais barata da Bolsa disparado.”

A mineradora não está muito na moda, até por carregar um histórico socioambiental criticado, mas está endereçando a questão de forma muito agressiva, na visão di Sora.

“Vejo o management da empresa muito compromissado em executar esse projeto de mudança da percepção da empresa”, disse o CIO da RPS Capital. Na Pacífico, Abreu também tem apostado na Vale, em uma operação de arbitragem com uma posição vendida na Rio Tinto.

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Fonte: Infomoney

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