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Direita espanhola elege novo líder, entre continuidade e giro conservador

Pelo menos 50 dias após a queda de Mariano Rajoy, o conservador Partido Popular (PP), primeira força política da Espanha, iniciou seu congresso nesta sexta (20) para renovar sua liderança, escolhendo entre Soraya Sáenz de Santamaría, ex-braço direita do veterano dirigente, e Pablo Casado, que defende um giro à direita.

A votação e o anúncio do vencedor acontecem no sábado. Ao todo, 3.082 delegados, reunidos em Madri, deverão apontar o sucessor de Rajoy, presidente do PP desde 2004.

Durante o seu discurso de despedida, Rajoy acusou o atual chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, de tomar o poder “pela porta de trás” com a moção de censura que o derrubou.

O ex-chefe de Governo descreveu Sánchez e seus apoiadores como uma “confabulação de perdedores e separatistas” que entraram pela porta de trás”.

E decidiu não tomar parte durante a campanha do PP. “Venho me despedir do partido e venho também agradecer”, declarou, ao abrir seu discurso diante de centenas de militantes reunidos em um hotel de Madri.

“Saio (…) com a serenidade de que não foram os espanhóis que me retiraram do governo”, assinalou.

Os delegados têm dois caminhos a escolher: o continuísmo, representado por Soraya Sáenz de Santamaría, vice-presidente dos governos de Rajoy durante seis anos e meio; e Pablo Casado, um deputado de 37 anos que preconiza uma refundação conservadora e geracional.

Casado e Sáenz de Santamaría foram os mais votados pela militância em 5 de julho, no primeiro turno de primárias inéditas no PP. A disputa contou com seis candidatos.

O vencedor será candidato a presidente do governo quando forem realizadas as eleições gerais, no mais tardar em meados de 2020.

“O principal problema que o PP teve (…) foi o medo de se comunicar, e vimos isso nas prévias”, disse à AFP Narciso Michavila, presidente do instituto de pesquisa GAD3.

A advogada Soraya Sáenz de Santamaría, de 47 anos, descarta que seja necessário “refundar” o partido ideologicamente e garante ser a mais capaz de vencer nas urnas o atual chefe de governo, o socialista Pedro Sánchez.

“Tenho energia, tenho vontade e tenho experiência. Puseram Pedro Sánchez para pilotar um Boeing 747, e ele não tem experiência para pilotar nem mesmo um avião pequeno”, alfinetou ela em um ato de campanha com militantes.

Também formado em Direito, Pablo Casado criticou a gestão de sua rival na Catalunha, onde esta liderou uma “operação diálogo” que não impediu uma declaração unilateral de independência em outubro passado.

Esse admirador do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe deu um caráter marcadamente conservador a sua campanha, mas sem chegar a atacar o projeto europeu, como estão fazendo outras forças conservadoras no continente.

Casado se voltou contra a descriminalização da eutanásia promovida pelo governo socialista, defendeu o corte no imposto de renda e, diante do desafio separatista catalão, defendeu recuperar o delito de convocação ilegal de referendo.

“O diálogo não cabe com quem quer romper a legalidade”, declarou esta semana, referindo-se aos separatistas.

Muitos desafios no horizonte

O vencedor terá de recompor um partido que, entre as eleições gerais de 2011 – quando Rajoy obteve maioria absoluta – e as últimas em 2016, perdeu três milhões de eleitores. Muitos migraram para o Partido liberal Cidadãos, grande rival do PP na centro-direita.

José Pablo Ferrándiz, principal pesquisador do instituto Metroscopia, acredita que Sáenz de Santamaría “permitiria um melhor futuro eleitoral para o PP”.

Ele aponta, porém, que, para qualquer um deles, será “muito complicado atrair quem foi para o Cidadãos”, um partido que aglutinou muitos dos descontentes com os inúmeros casos de corrupção que atingiram o PP nos últimos anos.

Primeira força política no Parlamento, o PP deverá se preparar rapidamente para as disputas eleitorais de maio de 2019, quando estão previstas eleições municipais, regionais e europeias.

O objetivo será se relançar para, mais adiante, tentar recuperar o poder dos socialistas. No poder desde 1º de junho, eles derrubaram Rajoy em uma moção de censura no Parlamento, motivada por um amplo escândalo de corrupção que afetou em cheio o PP.

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Fonte: Exame

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