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Diretor-executivo da “CBS” é acusado de abuso sexual por 6 mulheres

Quatro delas disseram que durante reuniões de trabalho, Moonves as beijou e acariciou de uma forma não desejada, uma prática que parecia ser habitual

Por
EFE

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27 jul 2018, 22h45

Nova York – Seis mulheres, entre elas uma atriz e uma escritora, que tiveram vínculos profissionais com o diretor-executivo da emissora “CBS“, Leslie Moonves, afirmaram que ele abusou sexualmente delas há mais de duas décadas.

As denúncias foram reveladas nesta sexta-feira pela revista “The New Yorker”. Quatro delas disseram que durante reuniões de trabalho Moonves as beijou e acariciou de uma forma não desejada, uma prática que parecia ser habitual, segundo o jornalista Ronan Farrow, que denunciou os abusos do produtor americano Harver Weinstein.

Outras duas afirmaram que Moonves, de 68 anos, as intimidou fisicamente ou ameaçou destruir suas carreiras.

O artigo afirma, além disso, que o executivo, chamado pelo “The Wall Street Journal” recentemente de “mago da programação televisiva”, tornou-se distante ou hostil depois de elas rejeitarem seus avanços sexuais. Elas também temeram que suas carreiras fossem afetadas como resultado da situação.

“O que ocorreu comigo foi uma agressão sexual e então fui demitida por não corresponder”, afirmou na reportagem a atriz e escritora Illeana Douglas, que conheceu Moonves em 1996, quando ele ainda era presidente do departamento de entretenimento da “CBS”.

Em um momento de crise em seu relacionamento com o diretor Martin Scorcese, com quem viveu por vários anos, Illeana disse que Moonves a interrompeu em uma reunião para perguntar se ela estava solteira.

“Não sabia o que dizer nesse ponto”, lembrou na entrevista.

A escritora então continuou falando sobre o roteiro que os dois discutiam. O diretor a interrompeu novamente para perguntar se ele podia beijá-la. “Será só entre eu e você”, teria dito Moonves.

Foi quando o executivo a agarrou e a beijou de forma violenta.

Quando tentou sair da sala, Illeana foi bloqueada por Moonves, que a colocou contra a parede, fazendo ameaças.

“Vamos manter isso entre você e eu, correto?”, questionou.

A reportagem afirma que as mulheres ainda têm medo de que suas denúncias possam gerar represálias de Moonves, “conhecido por sua habilidade de criar e destruir carreiras”.

O diretor-executivo da “CBS” se tornou em uma das vozes favoráveis ao movimento “MeToo (“Eu também”), surgido por causa das denúncias de assédio sexual contra Weinstein.

Em dezembro, Moonves ajudou a fundar a Comissão para a Eliminação do Assédio Sexual e para o Avanço da Igualdade no Trabalho, um órgão criado por instituições e personalidades do mundo do entretenimento após a série de acusações que abalaram Hollywood.

A “The New Yorker” ainda afirma que outros 30 funcionários e ex-funcionários da “CBS” suspeitam que a conduta do executivo se estendeu a outras áreas da empresa.

Moonves afirmou à revista que promoveu “a cultura do respeito e das oportunidades para todos os funcionários” em seus anos na “CBS”. E destacou que, de forma consistente, teve sucesso promovendo mulheres para postos da direção da companhia.

“Reconheço que houve ocasiões há décadas quando pude ter feito avanços incômodos sobre algumas mulheres. Foram erros que lamento imensamente. Sempre entendi que não é não”, indicou Moovens, que ainda afirma que nunca usou sua posição para prejudicar ou interromper qualquer carreira.

A direção da “CBS” anunciou que investigará as denúncias sobre a suposta má conduta sexual do diretor-executivo da emissora.

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Fonte: Exame

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