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Doria pede ‘apuração imediata’ de denúncias de fraudes em concursos da Polícia Civil de SP | São Paulo

O governador João Doria (PSDB) declarou nesta quinta-feira (25) que determinou “apuração imediata” das denúncias de fraudes em concursos públicos da Polícia Civil de São Paulo. Segundo o político, o caso será apurado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) e pela Delegacia Geral da Polícia (DGP). O caso foi revelado na quarta-feira (24) pelo G1 e pela GloboNews.

“Apuração imediata”, respondeu Doria nesta manhã durante evento na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), na capital ao ser questionado que providências tomou sobre o caso.

Reportagem revelou denúncias de vazamentos de questões em ao menos dois concursos para escrivão e investigador de polícia, além de favorecimento com informações privilegiadas a alguns candidatos.

O Ministério Público (MP) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) já apuravam o caso.

“Eu tive noticiais e já orientei o secretário da Segurança Pública do estado de São Paulo, o general [João Camilo Pires de] Campos, e o doutor Ruy Ferraz, que é o delegado-geral para imediata verificação, convidando o Ministério Público (MP), Tribunal de Justiça (TJ) para que contribuam juntamente com a Procuradoria do Estado nas investigações para verificar se procedem ou não”, declarou o governador.

Exclusivo: MP investiga suposta fraude em concursos da Polícia Civil de SP

A Promotoria do Patrimônio Público e Social, órgão do MP, entrará na Justiça com uma Ação Civil Pública. Se as irregularidades forem comprovadas, os concursos poderão ser anulados.

A Diretoria de Fiscalização do TCE também apura. Ela vai verificar a regularidade jurídicas desses concursos até a fase de nomeação dos candidatos.

“Se proceder vamos adotar as medidas necessárias, mas investigar é obrigação do estado. E isso estamos fazendo”, comentou Doria sobre novas providências, caso as irregularidades fiquem comprovadas.

Apesar de as investigações do Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado tramitarem de forma independente, se o MP concluir futuramente que, de fato, houve fraudes nos concursos, o TCE pode determinar que os candidatos beneficiados por supostas irregularidades não tomem posse.

Em grupo de concurseiros, candidato revela que entevistador mudou tema da pergunta durante a fase oral do exame. — Foto: ReproduçãoEm grupo de concurseiros, candidato revela que entevistador mudou tema da pergunta durante a fase oral do exame. — Foto: Reprodução

Em grupo de concurseiros, candidato revela que entevistador mudou tema da pergunta durante a fase oral do exame. — Foto: Reprodução

Em nota, a Polícia Civil havia informado na quarta que ainda não tinha sido notificada sobre a investigação, “mas solicitou junto ao Ministério Público” uma cópia do inquérito civil, “pois tomou ciência por intermédio de órgãos de imprensa”.

“A instituição preza pela lisura e transparência durante a realização dos certames e obedece aos princípios constitucionais e principalmente os da legalidade, impessoalidade, moralidade eficiência e publicidade. Por fim, a Polícia Civil informa que não compactua com desvios de conduta, sendo a primeira a investigar eventuais irregularidades.

Estão em andamento concursos para a contratação de 2.750 policiais civis. Hoje 1.100 aprovados nos concursos foram convocados para a análise de documentos e realização de perícias de aptidão e mental. Além destas, há ainda mais 1.650 vagas em andamento, sendo 600 para investigador, 800 para escrivão e 250 para delegado. Já foi autorizada também a abertura de um novo certame para a contratação de 2.750 policiais civis, a partir do próximo ano”, diz a nota.

Promotor José Carlos Blat — Foto: Reprodução/GloboNewsPromotor José Carlos Blat — Foto: Reprodução/GloboNews

Promotor José Carlos Blat — Foto: Reprodução/GloboNews

O promotor José Carlos Blat disse nesta semana à reportagem que o inquérito civil instaurado para apurar ilegalidades, irregularidades e até mesmo vazamentos nos concursos está em fase inicial e todas as pessoas que fizeram denúncias e enviaram manifestações ao MP serão ouvidas.

“Caso fique evidenciado, ao final da investigação, que ocorreu ilegalidade ou até mesmo vazamento, nós podemos ajuizar uma ação civil de improbidade para anular o concurso e também responsabilizar os agentes públicos que participaram deste concurso”, falou Blat.

Neste primeiro momento nós oficiamos o delegado-geral da Polícia Civil, que é responsável pelo concurso, para que ele preste informações acerca daquilo que foi denunciado”, afirmou o promotor.

“Vamos avaliar se houve efetivamente vazamento de questões antes da realização da prova, se as questões foram direcionadas aos candidatos, entre outras alegações, e a partir dos esclarecimentos do delegado nós daremos o andamento ao inquérito”, disse Blat.

O prazo para que a Polícia Civil se manifeste é de 30 dias porque, segundo o promotor, o caso é de alta complexidade e, portanto, um prazo menor não seria suficiente para a corporação.

Para Blat, dentre as nove denúncias enviadas ao MP, a mais grave seria a representação anônima que relata o vazamento de questões em uma das fases. As provas escritas e o exame oral, da segunda e quarta fases dos concursos, são aplicadas por integrantes da Polícia Civil.

Ministério Público investiga concursos

Ministério Público investiga concursos

Candidatos ao concurso para escrivão dizem que, na fase oral do exame, que é feita em auditório aberto aos outros concorrentes, os entrevistadores chegavam a perguntar quais temas a pessoa havia estudado.

“Para alguns candidatos, quando a pessoa errava, eles perguntavam até se ela não queria tentar de novo. Para outros era pergunta direto, era ‘não, sim, próximo’. Até o tom de voz mudava. Com algumas mulheres eles faziam brincadeiras, davam dicas, perguntavam até se a pessoa conhecia tal tema e, se dissesse que não estudou, mudavam o tema”, relatou uma candidata ouvida pelo G1.

Em um dos grupos de WhatsApp uma candidata teria admitido que, durante seu exame oral, foi questionada pelo entrevistador se havia estudado determinado tema. Diante da negativa o examinador teria mudado o assunto da questão, pedindo para que a candidata falasse sobre o tema que ela dizia ter estudado.

Fonte: Google News

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