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Eleições 2020: Martha Rocha quer valoriz…

Em novembro, eleitores de todo o Brasil vão às urnas para escolher os prefeitos e vereadores que os representarão nos próximos quatro anos. O primeiro turno das Eleições 2020 está marcado para o dia 15 de novembro. Já o segundo turno será no dia 29 do mesmo mês.

A partir desta segunda-feira, 12, Folha Dirigida inicia a série de reportagens Especial Eleições 2020, com os candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro.

A primeira entrevistada é a deputada Martha Rocha, do PDT, que falou sobre suas propostas e temas relacionados a concursos públicos e à valorização do servidor.

Martha Rocha já foi professora, delegada da Polícia Civil — inclusive foi a primeira mulher a assumir a chefia da instituição — e atualmente está no seu segundo mandato como deputada estadual.

Para a candidata, o maior desafio do futuro prefeito ou prefeita será ajustar as finanças da cidade. Martha também explicou porquê quer ser prefeita do Rio:

“Eu digo que quero ser prefeita da cidade, porque eu entendo que eu posso conjugar a experiência na gestão com a capacidade de entender e de atuar na política. Não se deve ter em relação à política qualquer entendimento de que ela deve ser extinta das relações sociais. A política é a maneira pela qual a sociedade evoluiu e consegue fazer transformações”, disse.

Martha, que há 19 anos mora no mesmo apartamento no bairro da Tijuca, ainda destacou que consegue perceber o quanto as pessoas estão entristecidas com a cidade.

“A imagem que temos da cidade, que embora seja um belo cartão postal do Brasil, é uma imagem de abandono, de desordem. Então, verifico que nesse exato momento é muito decisivo o que precisa ser feito para resgatar essa cidade. Que essa cidade possa cumprir o seu papel das políticas públicas, mas que também seja uma cidade boa para morar, boa para estudar e boa para fazer negócio.”

A deputada Martha Rocha ainda falou sobre seu desejo de que as pessoas reconheçam a cidade do Rio de Janeiro como uma referência no país. A candidata disse que não terá a menor dificuldade de se dirigir ao Governo do Estado e à Presidência da República para discutir as questões do município. 

“Eu serei a primeira pessoa, se eleita, a funcionar como uma espécie de embaixadora da cidade, para trazer visibilidade para nossa cidade e lembrar as autoridades políticas da importância da cidade do Rio de Janeiro”, enfatizou.

Assista trechos mais importantes da entrevista com Martha Rocha 

Martha Rocha defende o compromisso de valorizar os servidores do município

Sobre a questão da valorização dos servidores, Martha Rocha relembrou que atuou como servidora pública por 31 anos. E que, por isso, tem a obrigação de apoiar e valorizar esses profissionais.

“Eu quero que todo servidor saiba que eu respeito muito a atividade de servidor público. Nos grandes escândalos, nós não encontramos o serviço público, os grandes escândalos estão nas Organizações Sociais. Então, temos que ter muito orgulho dos servidores públicos.” 

No entanto, a candidata reforçou que não fará nenhum tipo de propaganda enganosa. Segundo ela, se assumir o cargo, a primeira coisa a ser feita será organizar as finanças, inclusive para garantir os pagamentos de salários, pensões e aposentadorias em dia.

Candidata já trabalha em um plano emergencial para as finanças do Rio

Martha criticou o fato de, atualmente, a Prefeitura do Rio de Janeiro não contar com dados abertos e transparência.

“Primeiro, temos que ter um compromisso político de quem está no comando, de que vai enfrentar e trabalhar para criar ferramentas de prevenção à corrupção. E, depois, trabalhar com dados abertos, transparência e controle.”

Candidata Martha Rocha
(Foto: Divulgação)

A deputada defendeu que o futuro gestor do município deverá ter não só a capacidade de gestão, mas de articulação e de trazer a sociedade para participar das decisões que envolvam a cidade.

A candidata à Prefeitura do Rio de Janeiro comentou que já está estabelecendo um plano emergencial econômico para as finanças do Rio de Janeiro. 

A ideia é que algumas medidas sejam aplicadas de imediato. Entre elas:

  • Fazer a revisão de contratos;
  • Chamar os devedores para discutir suas dívidas, podendo ser feito um abatimento no valor da dívida no que se refere a juros e multas;
  • Rever as isenções fiscais;
  • Reduzir o custeio da máquina pública (segundo Martha, será preciso reduzir, no mínimo, em 20%); e
  • Reduzir secretarias e cargos em comissão.

“Eu acho que tem muitas coisas que vamos ter que fazer, mas que ao final vai nos dar a possibilidade de fazermos o uso desse dinheiro como tem que ser, no  investimento em Políticas Públicas”, explicou.

Quanto ao que precisa ser feito para que o Rio de Janeiro possa superar as atuais dificuldades econômicas, Martha defendeu a implementação de medidas de controle e otimização. 

De acordo com a candidata, um dos planos é estabelecer uma central de compras e realizar no gabinete da prefeitura o monitoramento contínuo dessas aquisições. Martha Rocha ainda falou sobre a importância de implementar uma política de metas e resultados.  

“Tudo hoje, em termos de gestão, pode ser medido. Então, podemos estabelecer sim uma política de metas para até valorizar aqueles que apresentam resultados.”

Abertura de novos concursos dependerá da situação financeira do município

Martha Rocha destacou que a abertura de novos concursos públicos durante sua gestão dependerá da situação econômica do município.

“Podemos assumir um compromisso com todas as classes, seja a guarda, o magistério, a Comlurb, desde que a gente entenda a importância de ajustar as nossas finanças para ter um fôlego econômico e financeiro para fazer aquilo que é necessário.”

Segundo a deputada, quem quer que assuma a Prefeitura do Rio de Janeiro em 2021 terá que iniciar seus trabalhos fazendo um bom diagnóstico da situação da cidade.

“Se houver designação pelo voto do carioca e o desejo de que eu seja prefeita dessa cidade, a primeira coisa que eu vou fazer é um diagnóstico. Analisar esses dados e apresentar medidas de recuperação financeira da cidade e medidas adequadas para otimizar a administração. Seja o fiscal de renda, o gari, a merendeira, todas essas pessoas vão ter na prefeita a possibilidade de levar sua demanda para analisamos e verificarmos se é possível atender ou não.”

Confira as propostas da candidata para as principais áreas e carreiras que apresentam déficit e demandam a realização de novos concursos:

Área Fiscal

O último concurso para a Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro foi realizado há 10 anos, em 2010. Uma das carreiras que mais sofrem com um déficit de servidores elevados é a de fiscal de renda. Atualmente, são 202 profissionais na ativa, quando a lei estabelece 400.

Martha Rocha destacou que aumentar o número de fiscais em exercício é um investimento, que vai ser importante para estruturar a
capacidade de aumentar a receita da prefeitura.

Porém, a candidata ressaltou que, neste momento, não quer  prometer a realização de um novo concurso, sem antes analisar a situação do município.

“Eu quero que as pessoas entendam exatamente isso: eu valorizo o serviço público, eu quero fortalecer o serviço público, mas eu preciso entender como estará a prefeitura em 2021, se assim desejar o povo da cidade do Rio de Janeiro.”

Educação

Na área da Educação a candidata pretende resgatar o conceito dos Cieps. “Aquele conceito de um lugar onde a criança estuda, brinca e também tem uma interlocução com o esporte e a cultura.”

Outra proposta é reduzir a data de entrada das crianças na creche. Hoje, as crianças ingressam na creche a partir dos seis meses de idade, quando a licença maternidade termina no quarto mês. A ideia, é equiparar isso. Ou seja, a criança entre na creche a partir do quarto mês de vida.

Além disso, Martha falou sobre a intenção de flexibilizar os horários das creches, considerando que muitas mães trabalham em horário noturno; trabalhar a alfabetização na idade certa; e melhorar os indicadores do Ideb, que são baixos para a cidade.

“Educação para mim é compromisso de vida. Eu sou fruto da escola pública e tudo que eu sou e tudo que eu tenho, eu devo à escola pública.”

Martha aproveitou para enaltecer o trabalho dos profissionais que atuam na área de apoio e que fazem parte da estrutura das redes de ensino.

“O que eu quero dizer é que eu valorizo a merendeira, o inspetor, com todo respeito ao professor, todos esses profissionais de apoio integram a atribuição que a escola tem que ter em relação aos alunos. O inspetor quando está tomando conta ou orientando os alunos, ele está participando do processo de educação daquele aluno.  Então, eu queria dizer que tenho um profundo respeito e vejo esses servidores como uma peça importante dessa formação pedagógica que queremos dar às nossas crianças e aos nossos jovens.”

Assim como para área fiscal, a candidata voltou a dizer que a abertura de um novo concurso é possível, desde que sejam respeitados os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.

 Comlurb

Martha Rocha reconheceu o trabalho desenvolvido por todos os profissionais que atuam na Comlurb, especialmente os garis.

“Acho que ninguém tem dúvida da importância dos garis. Ninguém tem dúvida do que os garis representam para a cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, no dia seguinte ao Réveillon que passamos pela praia, onde a noite toda teve festa, alegria, comemoração e antes da hora do almoço boa parte da praia já está totalmente limpa. Então esse trabalho é um trabalho valoroso, indispensável.”

O último concurso para a carreira foi realizado em 2014. Além disso, entre 3 e 4 mil garis já reúnem condições de se aposentar. Martha Rocha concordou com a necessidade de uma nova seleção, e afirmou que fará o possível para atender a essa demanda.

Guarda Municipal

A deputada, que é delegada de Polícia Civil Aposentada, já atuou como titular da delegacia do turista no Leblon, da delegacia de Copacabana e da delegacia do Campinho. Ela relembra que em todas essas delegacias sempre tiveram muitos flagrantes apresentados pelos guardas municipais. 

“Eu acho que os guardas municipais contribuem para esse ambiente de paz que precisamos na nossa cidade. Não há dúvidas que vamos trabalhar sob essa perspectiva.”

 Saúde

Na área da Saúde, a candidata criticou algumas decisões, que classificou como “equívocos na administração”. De 28 mil servidores públicos na área da Saúde, agora a cidade do Rio de Janeiro conta com 23 mil. Em compensação, nos terceirizados, houve um salto de 3 mil para 30 mil funcionários.

“A política das organizações sociais, que vendia a ideia da celeridade, da eficiência, essa política também foi danosa nessa questão, porque foi uma maneira de se burlar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Temos que rever essa política da Organização Social e passar essas atividades para a Fundação Rio Saúde. Com isso esperamos, verdadeiramente, organizar a casa e abrir os concursos necessários.”

Martha destacou que a ideia não é abandonar de vez os contratos com as OS, mas defende a substituição das Organizações Sociais pela RioSaúde. 

“Você pode imaginar o que aconteceu no estado com os hospitais de campanha. Os hospitais de campanha, eram nove, os dois que funcionaram foram feitos pela iniciativa privada. Os outros sete foram destinados ao Instituto Iabas, o mesmo instituo que tem contrato com a Prefeitura do Rio, que recebeu R$4 milhões e que nunca fez uma prestação de conta. Estamos falando aí de prevenção à corrupção e falando de má gestão”, destacou.

Para Martha Rocha, Saúde e Educação serão prioridades

Ainda sobre os concursos públicos, Martha Rocha afirmou que só terá condições de dizer com certeza quais áreas precisarão da abertura de novas seleções depois de avaliar como está a composição dos órgãos da Administração. Porém, defendeu que há duas políticas estruturantes: Saúde e Educação.

“A cidade só vai bem se a saúde estiver bem e se a educação estiver bem. Então, se fossemos estabelecer uma escala, essas seriam as prioridades”, ressaltou.

A candidata ainda destacou a importância de manter os bons projetos implementados pelos governos antecessores. 

“O que é bom tem que continuar. Por que eu conto essa história? Eu conto essa história por causa do Ciep, porque o maior engodo eleitoral, a maior fraude foi a eleição de Moreira Franco, para governador do Estado do Rio de Janeiro. Ele disse que resolveria a Segurança em seis meses, não resolveu, e destruiu o projeto dos Cieps. Se tivéssemos mantido o projeto do CIEP, sem dúvida nenhuma, nós teríamos hoje uma realidade das nossas crianças e da nossa cidade totalmente diferente.”

Segundo ela, se o projeto for um projeto que traga bons resultados para a população da cidade do Rio de Janeiro, este será respeitado. 

“Estou falando de respeito ao cidadão, porque todo projeto nós usamos o dinheiro do cidadão que é recolhido através dos impostos. Então, é importante respeitar o cidadão e manter a continuidade dos projetos que tragam realizações e benefícios ao povo carioca”, defendeu. 

Assinantes Folha Dirigida conferem a entrevista na íntegra 

Fonte: Google News

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