Empresas Chinesas têm histórico de acusações de roubos de dados

O desvio de informações estratégicas e roubo de propriedade intelectual de empresas norte-americanas por concorrentes chinesas estiveram entre os principais argumentos usados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para levar adiante a guerra comercial contra a China. Diferentes estatísticas e think tanks, como são chamados os centros de pesquisa independentes globais, identificaram essa tendência.

Em 2018, por exemplo, o diretor do conselho de assuntos econômicos da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou que a China ‘roubava’ US$ 100 bilhões por ano em propriedade intelectual. Já o representante comercial do país, Robert Lightizer, disse que o custo das empresas norte-americanas por esse uso indevido ficava entre US$ 225 bilhões a R$ 600 bilhões anuais. Uma pesquisa feita pela CNBC com diretores financeiros de empresas dos EUA que, somadas, têm US$ 5 trilhões em valor de mercado, concluiu que uma, de cada cinco delas, havia sofrido desvio de segredos corporativos por companhias chinesas, nos últimos dez anos. O think tank American Enterprise Institute, com sede em Washington, publicou vários estudos sobre o tema.

Depois de negar por anos a prática, o aumento da pressão fez com que, em dezembro de 2018, o governo chinês anunciasse 38 medidas punitivas impostas a empresas daquele país, envolvidas nesse tipo de conduta. Entre elas, o veto a financiamentos do governo e ter o nome exposto em bases de dados acessáveis por estrangeiros. Ao saber da iniciativa, especialistas se dividiram entre o ceticismo e o aplauso a uma iniciativa de tentar educar a população do país.

Há dezenas casos e notícias sobre processos envolvendo grupos globais contra empresas chinesas por desvios de dados e roubo de patentes. Abaixo, alguns deles:

Tesla – em março de 2019, a Tesla processou um ex-funcionário contratado pela fabricante de carros Xiaopeng Motors, alegando que havia levado informações estratégicas e valiosas para a concorrente. Em julho, durante julgamento, o funcionário admitiu que havia subido para sua própria nuvem no iCloud 300 mil arquivos do projeto de carro sem motorista, mas que teria deletado parte deles e saído da conta, antes de ir para a Xiaopeng.

Samsung – no fim de 2018, a Samsung acusou nove executivos, entre eles o presidente da fabricante chinesa de telas Toptec, de criar uma empresa fantasma para vender informações estratégicas sobre suas telas flexíveis. A Toptec, que era fornecedora da Samsung, negou, mas três executivos foram presos.

Apple – em julho de 2018, um ex-funcionário da Apple que havia feito o download do circuito de um carro sem motoristas e embarcado para a China, para trabalhar para a fabricante de carros Xiaopeng Motors, foi preso no aeroporto. Ele admitiu o download, mas negou o uso das informações na concorrente.

GE Aviação – em outubro de 2018, um oficial da inteligência chinesa foi preso e acusado de roubar segredos industriais e informações sensíveis de empresas áreas e aeroespaciais americanas, entre elas, a GE Aviação.

Velodyne – em agosto de 2019, a maior fabricante de sensores para carros sem motorista acusou duas empresas chinesas de vender produtos que usavam suas patentes sem respeitar a propriedade intelectual.

Invasão de hardwares – em outubro de 2018, a Bloomberg reportou que a Apple e a Amazon teriam descoberto que a Supermicro, uma das principais fornecedoras de servidores a empresas dos Estados Unidos, teria inserido microchips em placas-mãe para captar informações de empresas e governos. As empresas negaram.

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Fonte: PORTAL TERRA – TECNOLOGIA

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