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entre demissões e prejuízo de R$ 110 mi, investidores clamam por mais informações da nova gestão da empresa

Sede da IRB Brasil Re (Divulgação)

SÃO PAULO – Nos últimos dias, o IRB Brasil (IRBR3), cuja ação teve maior queda do Ibovespa em 2020 (de 81,6% até sexta-feira), teve mais notícias negativas, corroborando o cenário complicado para a companhia de resseguros.

Nesta segunda-feira, o IRB Brasil reportou ter registrado prejuízo de R$ 110,6 milhões no primeiro bimestre de 2020, conforme dados encaminhados da companhia à Superintendência de Seguros Privados (Susep). O ressegurador já havia reportado prejuízo de R$ 57,9 milhões, em janeiro, sendo o primeiro de agosto de 2016. Por sua vez, o resultado negativo no mês seguinte foi de R$ 52,7 milhões.

Em fevereiro, os prêmios recebidos totalizaram R$ 1,085 bilhão, enquanto os sinistros foram de R$ 857 milhões. A companhia divulgará o resultado do primeiro trimestre de 2020 em 18 de junho, fora do prazo regular.

Completando o cenário complicado da companhia, na última quinta (21) a empresa de resseguros demitiu o contador Paulo Daniel Araújo da Rocha, diretor de controladoria da resseguradora.

De acordo com a informações do Valor Econômico, a demissão por justa causa foi devido a alegação de “fraude em contratos”. O IRB ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Na sessão da última quinta-feira, as ações caíram 7,36%.

Na manhã desta segunda-feira, o Broadcast ainda informou que mais dois executivos com posições-chave no banco, Carlos Velloso (sinistros) e Mário Maia (imobiliário) deixaram o grupo. Velloso teria saído no início do mês e Rocha e Maia deixaram a empresa na semana passada.

As mudanças, de acordo com a publicação, estão sendo promovidas pela gestão de Antonio Cassio dos Santos, que assumiu o comando do IRB em março e em meio a uma investigação interna para apurar feitos da antiga administração sobre a base acionária.

As ações registraram ganhos nesta sessão, de 8,79%, a R$ 7,80 em meio ao ânimo do mercado, mas ainda bem longe de reduzirem as perdas do ano.

Esse movimento de alta poderia ser atribuído à tentativa da nova gestão da empresa em mudar o rumo da companhia em meio a tantos problemas. Contudo, conforme destaca um operador que não quis se identificar, com tantas incertezas envolvendo a companhia, é difícil apontar que o movimento tenha acontecido por isso ou pelo fato da empresa já ter caído muito no ano, o que leva muitos investidores a comprarem em dia de alta do mercado. Apenas no mês de maio, as ações IRBR3 caem 23%, ante alta de 6% do Ibovespa.

Falta de informações para avaliar a companhia

Vale ressaltar que, na última semana, o IRB se reuniu com clientes para apontar que, apesar de estar sendo alvo de uma fiscalização especial da reguladora Susep, não tem problemas de solvência e seguirá cumprindo seus contratos, conforme ressalta a Levante Ideias de Investimentos.

O IRB aponta que tem condições de resolver o problema transformando ativos que hoje não são elegíveis para as provisões em ativos elegíveis. Um exemplo citado seria a venda de uma participação imobiliária e transformar os recursos numa aplicação financeira. Na sessão do dia 11 de maio, quando foi divulgada a fiscalização da Susep, as ações caíram 14,82%.

“A saga negativa do IRB continua: renúncia de membros do Conselho de Administração, fiscalização da Susep devido à falta de garantias técnicas na operação, saída de mais um responsável por “assinar” as demonstrações financeiras e contábeis do IRB e postergação da divulgação do resultado do primeiro trimestre de 2020”, destaca a equipe de análise da Levante.

Com isso, reforçam os analistas, no momento atual, a visibilidade sobre o balanço do IRB Brasil é muito baixa. Em meio ao cenário de incertezas para a companhia, diversos analistas de mercado têm abandonado suas projeções para a companhia e colocando a recomendação em revisão.

“Mantemos a recomendação da resseguradora sob análise, com todas as nossas projeções anteriores não mais válidas, e sem intenção de revisão no curto prazo”, destacou Marcel Campos, analista da XP Investimentos, em relatório de 11 de maio em que comentava a fiscalização da Susep.

Também com relação à falta de visibilidade, ainda mais levando em conta que o resultado só será divulgado no próximo dia 18, a Levante defende que a empresa deveria realizar uma teleconferência antes dessa data a fim de dar uma satisfação muito necessária ao mercado em relação às notícias.

“Até lá, novos capítulos negativos vão surgindo, o que mantém nossa perspectiva negativa com o papel no curto prazo”, avaliam.

A equipe de análise destaca ainda que, no fim de abril, Bradesco e Itaú pediram para deixar o Conselho de Administração e, na semana passada, Thaís Peters também apresentou a sua renúncia. Ela foi eleita para o cargo em 19 de setembro de 2019 para ser suplente de Pedro Duarte Guimarães, que deixou a companhia em março quando era o presidente interino do conselho.

“Em resumo, apenas nas últimas semanas, a empresa adiou a divulgação de resultados, perdeu membros do conselho, sofreu fiscalização da Susep e registrou a saída do contador [ e de outros executivos]. Isso sem considerar o fato gerador apontado pela gestora Squadra em fevereiro sobre a existência de indícios que apontavam para lucros recorrentes ‘significativamente inferiores’ aos lucros contábeis reportados pela companhia”, aponta a Levante.

Soma-se a isso ainda a saída de executivos no começo de março em meio à polêmica de que eles teriam inventado que a Berkshire Hathaway investiu na empresa, sendo seguida por uma operação da Polícia Federal em meados do mesmo mês na sede da empresa.

Assim, com as más notícias sobre o IRB não parecendo ter fim, as incertezas sobre as demonstrações financeiras da companhia crescem a cada dia.

Desta forma, os próximos dias 18 e 19 serão especialmente importantes para o futuro da companhia, principalmente o dia pós-resultado, uma vez que os investidores estarão atentos à teleconferência de balanço do IRB.

Através deste evento, os investidores esperam que a companhia dê mais informações e detalhes sobre as investigações internas, além de deixar os números mais claros e o que esperar daqui para frente. Caso as dúvidas que tanto afligem o mercado não sejam respondidas satisfatoriamente, esse pode ser um novo gatilho para a saída de investidores do papel.

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Fonte: Infomoney

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