ENTREVISTA: Dayane Cristina de Souza Reais

“O mais difícil foi acreditar que seria possível. Também não foi nada fácil chegar todos os dias do trabalho, cansada, e sentar para estudar. Casa limpinha, silenciosa, cama macia com uma TV em frente, prontinha para assistir as melhores séries do planeta… e eu sentadinha estudando”

Confira nossa entrevista com Dayane Cristina de Souza Reais, aprovada no concurso do Tribunal Regional Federal da 4° Região em 1° lugar para Analista Judiciário área Judiciária na região Norte/PR:

Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam te conhecer melhor. Você é formada em que área? Qual sua idade? De onde você é?

Dayane Reis: Eu me formei em Direito no meio do ano passado. Tendo 29 anos e sou de Belo Horizonte/MG.

Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?

Dayane: Minha decisão de estudar para concursos surgiu durante a faculdade. Como eu morava em uma cidade e estudava em outra, minha vida estava muito difícil, não tinha tempo para dormir por mais que 4 horas por noite e vivia sempre exausta. Não tinha condições financeiras para morar perto da faculdade e esse era meu grande sonho.

De segunda a sexta, eu saía de casa antes do sol nascer e só chegava por volta de meia noite. Estudava de manhã, fazia estágio à tarde e participava de todos os projetos possíveis para conseguir desconto na mensalidade da faculdade. Em algumas épocas, eu acabava tendo compromisso quase todos os sábados para cumprir minhas metas e garantir as bolsas. Muitas vezes, ficava sem almoçar, muitas vezes chorava de tão cansada… E sem perspectiva alguma de mudar essa situação. Ah, ia esquecendo de dizer, que à noite, depois do estágio, eu ficava na biblioteca da faculdade estudando, porque tinha que esperar meu primo sair da aula para eu pegar uma carona para casa. Dormia sobre os livros (de tão cansada) e tinha que manter as maiores médias de aproveitamento, do contrário eu perderia minha bolsa de monitora.

Eu chegava na faculdade bem antes das portas se abrirem. Isso porque se deixasse para sair de casa mais tarde, o trânsito me impediria de chegar no horário; ou era cedo demais, ou tarde demais. No trajeto do carro à faculdade, eu via as janelas dos apartamentos fechadas e imaginava que as pessoas ainda estavam dormindo e poder fazer o mesmo era “meu sonho encantado”.

Sem mais delongas… Foi até que um dia, chorando escondidinha no banheiro da faculdade, eu prometi para mim mesma que eu não concluiria a faculdade vivendo daquela forma. Acredito que essa foi a semente para que eu trancasse a faculdade no semestre seguinte e me dedicasse aos estudos para o concurso de técnico do INSS, que é o cargo que eu ocupo atualmente.

Estratégia: Durante sua caminhada como concurseiro, você trabalhava e estudava (como conciliava trabalho e estudos?), ou se dedicava inteiramente aos estudos para concurso?

Dayane: Durante a preparação para o meu primeiro concurso, que foi o do INSS, eu só estudava. Na época, saí do estágio e tranquei a faculdade por 1 semestre para conseguir estudar o edital todo em 3 meses e meio. Fui aprovada! Depois disso, voltei pra faculdade e, depois de mais de 1 ano, assumi meu cargo no INSS.

Assim que me formei, comecei a estudar para Tribunais, conciliando com o trabalho no INSS que, embora gratificante, é bem cansativo. Trabalhava de manhã e iniciava os estudos por volta das 15 horas. Faltando 1 mês para a prova, eu tirei férias e viajei para São Paulo com meu namorado, momento em que passei a estudar de 7 horas da manhã até mais de 10 horas da noite, com pequenos intervalos para comer.

Estratégia: Quantos e em quais concursos já foi aprovado(a)? Qual o último? Em qual cargo e em que colocação?

Dayane: Fui aprovada nos 2 únicos concursos que prestei, desde que me tornei concurseira (rs). Digo isso porque fiz mais 2 outros concursos alguns anos antes, mas sem estudar, só mesmo pra matar a curiosidade de saber como era. O primeiro em que fui aprovada, como já disse, foi o do INSS, no qual obtive o segundo lugar para a gerência executiva de BH. O segundo e último foi o do TRF 4, tendo obtido a primeira colocação para analista judiciário, segundo o resultado preliminar.

Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados/classificados?

Dayane: Levei um susto muito grande, porque nem estava acompanhando o resultado. Foi um amigo que entrou em contato e me contou. Eu estava certa de que não passaria de forma alguma, achei que minha preparação não tinha sido suficiente. Para se ter ideia, a primeira discursiva da minha vida (rs) foi escrita cerca de 2 semanas antes da prova.

Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?

Dayane: Durante os estudos para o TRF 4, eu basicamente só saía para trabalhar ou quando viajava, no fim de semana, para a cidade do meu namorado (o que fazia 2 vezes ao mês). Nos outros 2 fins de semana, ele vinha para minha cidade. Mesmo assim, levava meus materiais para estudar no ônibus e na casa dele.

Estratégia: Você é casada? Tem filhos? Namora? Mora com seus pais? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseira? Se sim, de que forma?

Dayane: Sou divorciada, não tenho filhos, moro sozinha e namoro. Resolvi namorar, porque tive a impressão de que ia enlouquecer. Antes de começar o namoro minha vida social estava abaixo do nível zero rs… De qualquer forma, só meu namorado sabe dizer quantas vezes ele foi ao cinema ou saiu para almoçar no shopping sozinho, enquanto eu fiquei em casa comendo uma “gororoba” de legumes rapidinho para não perder tempo.

Um pouquinho menos compreensivo que ele fosse e nosso namoro teria terminado. Os maiores apoios vindos dele foram nunca atrapalhar meus estudos e escutar meus desabafos nos momentos em que nem eu mesma conseguia acreditar que seria possível uma aprovação.

Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior?

Dayane: Antes eu diria que vale, completamente, a pena estudar para outros concursos intermediários. Hoje eu acho que a resposta é: depende!

Se for um caso como o meu, de alguém que está numa situação de completo caos financeiro, não deve pensar 2 vezes pra fazer o primeiro concurso que aparecer! Mas se estiver morando em casa com os pais e eles apoiarem os estudos, vale a pena já investir direto num concurso definitivo, por mais que exija uma preparação mais demorada. Digo isso porque depois que você começa a trabalhar, estudar para concursos se torna bem mais difícil. Não é impossível e é a realidade de grande parte das pessoas mas, muitas vezes, a aprovação acaba demorando mais.

Ainda estou pensativa, mas acho que o TRF 4 não é ainda o concurso dos meus sonhos. Na dúvida, melhor prosseguir (rs).

Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso que foi aprovada?

Dayane: Uns 5 meses. Desde junho do ano passado eu já estava estudando para outros certames (por exemplo para o TCE/MG, que acabei nem fazendo por não me sentir preparada pra disputar).

Estratégia: Chegou a estudar sem ter edital na praça? Durante esse tempo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos?

Dayane: Sim. Mantinha a disciplina nos estudos, porque eu sabia que precisava (rs).

Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? Aulas presenciais, telepresenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? Quais foram as principais vantagens e desvantagens de cada um?

Dayane: Usei basicamente PDFs. Só usei videoaulas para os pontos nos quais tinha mais dificuldade. O PDF ganha disparadamente na velocidade de estudo. Já as videoaulas abrem a mente para aquilo que você já tentou muitas vezes entender, mas não conseguiu. Entretanto, elas gastam muito tempo, embora eu sempre assisto, no mínimo, na velocidade 2x (não tenho paciência para assistir em velocidade normal, até porque eu começo a cochilar).

Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?

Dayane: Conheci o Estratégia antes da minha preparação para o INSS, por meio de uma amiga “linda iluminada”, que me mostrou os materiais dela.

Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo o concursando é a quantidade de assuntos que devem ser memorizados. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos? Quantas horas por dia costumava estudar?

Dayane: No início, eu estudei cada matéria de uma vez, até quase esgotar o edital pela primeira vez. Na próxima rodada, que já era revisão, eu comecei a mesclar praticamente todas as matérias. Fiz resumos e esquemas, um de cada, para cada aula em PDF. Ao final de cada PDF, eu já fazia os exercícios.

Na reta final, eu usei meus esquemas para revisão. Estudava uma média de 3 ou 4 horas líquidas por dia, embora ficasse sentada estudando muito mais tempo do que isso. Juro que o relógio de horas líquidas anda mais devagar que qualquer um outro da face da Terra! Kkkk.

Nos fins de semana estudava mais, o máximo que conseguia. E, no último mês, como já disse, tirei férias para ficar por conta. Valeu a pena, exceto o fato de que não tenho nem mais um único “diazinho” de folga neste ano.

Quando a gente escreve assim, parece que foi tudo tão lindo, né? Fez um cronograma, seguiu e foi aprovada. Só que não! Quando você está na fase inicial dos estudos, a “receita de bolo” cai como uma luva, mas quanto mais você se aproxima dos 90% de aproveitamento, menos a “receita de bolo” funciona. Foram várias reelaborações de cronograma! Por várias vezes olhei para os céus pedindo uma luz sobre como reformulá-los para atingir um resultado melhor. Também fiz alguns simulados e suuper indico!! Queria ter feito um montão, mas não deu tempo.

Estratégia: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?

Dayane: Para mim, a disciplina mais difícil foi raciocínio lógico, só que não deu tempo de superar (Kkkk), tanto é que foi a matéria de maior índice de erros. Isso porque eu separei 1 semana para estudar RLM na reta final, achando que eu já tinha uma boa base do concurso do INSS e daria conta do recado. Coitadinha! Claro que não dei!

Também tive muita dificuldade com os estudos de caso, que também comecei a estudar 2 semanas antes da prova. Que sufoco! Mas não posso dizer que me culpo por ter deixado essas duas disciplinas para o final. É muita coisa para pouco tempo e eu achei que não faria sentido pensar em escrever discursivas sem saber “de cor e salteado” o conteúdo cobrado nelas.

Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?

Dayane: Então, como já disse, na reta final eu tirei férias e viajei com meu namorado “como se não houvesse amanhã”… só que não kkkk. Tive a ideia brilhante de fazer as duas coisas ao mesmo tempo: viajar e estudar. Passamos mais de uma semana na casa de um amigo dele. Claro que ele curtiu demais a viagem, mas eu fiz de conta que era minha própria casa e continuei meus estudos, como se nada estivesse acontecendo. Foi a melhor coisa! Nós dois aproveitamos muito, cada um no seu objetivo. Depois passamos mais umas duas semanas na casa dos pais dele. Eu peguei o quarto da minha cunhadinha emprestado e de lá só saía para comer, para malhar na pracinha duas vezes ao dia (porque o corpo todo estava “duro”) e para resmungar na orelha do meu namorado, dizendo que já não aguentava mais (rsrs).

Na véspera da
prova eu passei o dia estudando pelos meus resumos, mas terminei o dia
arrependida! Devia ter acompanhado o aulão de véspera, que significa menos suor
para mais resultado. Fica a dica!

Estratégia: No seu concurso tivemos, além das provas objetivas, as provas discursivas. Como foi seu estudo para esta importante parte do certame? O que você aconselha?

Dayane: Acho que eu devia ter lido as perguntas todas antes de começar a escrever (kkkk). Já disse como foi, na outra pergunta. Então falta só dar o conselho. Não faça como eu: esqueça o fato de que, mesmo tendo deixado as discursivas para o final, eu fui aprovada. Acho que isso só acontece “a cada 29 de fevereiro” (rs). Ah, vale muito a pena imprimir uma folha de gabarito igual à da prova e já se acostumar a transcrever o rascunho para ela.

Estrategia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS.

Dayane: Um dos maiores erros, claro, foi ter deixado as discursivas para o final. Para se ter uma ideia da minha insegurança, eu nem tive coragem de dar uma olhadinha no tema quando peguei a prova. Fiquei com medo de ser um tema sobre o qual eu não tivesse a menor ideia e me desconcentrar para fazer as objetivas. Então, só olhei o tema quando todas as objetivas já estavam prontas. Que agonia!

O segundo maior erro for ter sofrido tanto (Kkk)! Se eu tivesse acreditado desde o início que eu seria capaz de alcançar a aprovação, teria economizado muitas lágrimas.

Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?

Dayane: O mais difícil foi acreditar que seria possível. Também não foi nada fácil chegar todos os dias do trabalho, cansada, e sentar para estudar. Casa limpinha, silenciosa, cama macia com uma TV em frente, prontinha para assistir as melhores séries do planeta… e eu sentadinha estudando.

Pensar em desistir eu pensei, mas eu sou teimosa de nascença! Mamãe que o diga! Por isso que quando eu vejo uma criança teimosa, eu boto fé (kkkk).

Estratégia: Qual foi sua principal motivação?

Dayane: Saber que minha aprovação resultaria numa vida melhor para mim e para minha família.

Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso. Deixe sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!

Dayane: Siga em frente! A recompensa é certa! Se você teve paciência de ler tudo até aqui, já mostrou que é persistente (rs).

Confira
outras entrevistas em:

Depoimentos de Aprovados

Cursos Online para Concursos

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Abraços,

Thaís
Mendes

Fonte: Google News

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