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Esta startup compra lojas virtuais pela América Latina – e atraiu os cofundadores do Mercado Livre

Equipe da Valoreo (Divulgação)

SÃO PAULO – O comércio eletrônico foi um dos segmentos mais beneficiados pela pandemia. Apenas no Brasil, o faturamento das lojas virtuais cresceu 41% e totalizou R$ 87,4 bilhões. Diversas startups estão de olho em criar os próprios e-commerces, ou dar ferramentas a quem empreende no ramo.

A Valoreo é uma delas, adotando como estratégia adquirir e alavancar lojas virtuais. A startup mexicana está de olho na oportunidade de atender empreendedores por toda a América Latina – e está agora desembarcando no Brasil.

Esse anúncio veio junto de um investimento de valor não revelado da Kaszek Ventures. O fundo foi criado pelos cofundadores do Mercado Livre Hernán Kazah e Nicolas Szekasy e investiu em mais de 75 startups, como Creditas, Loggi, Kavak, Nubank e Quinto Andar. Kazah foi o principal investidor na rodada da Valoreo, e ainda entrou para o conselho de administração da startup.

A entrada da KaszeK complementa uma rodada semente anteriormente feita pela Valoreo, de US$ 50 milhões. Os recursos foram captados de fundos como FJ Labs e de anjos como Florian Hagebuch e Mate Pencz, cofundadores da brasileira Loft.

“A Kaszek Ventures é o fundo de venture capital líder na América Latina, com uma experiência incomparável em criar unicórnios. O fundo traz um grande valor estratégico, com o histórico dos sócios operadores Hernán Kazah e Nicolás Szekasy como fundadores e respectivamente ex-CEO e ex- CFO do Mercado Livre. De longo, a maior plataforma de e-commerce no Brasil e na América Latina”, afirmou Alexander Gruell, cofundador da Valoreo, ao InfoMoney.

A startup mexicana usará os recursos para expandir em países como Argentina, Brasil e Colômbia; adquirir companhias; e aumentar o número de funcionários.

A Valoreo tem objetivos ambiciosos: tornar-se não apenas o player mais forte em e-commerce da América Latina, mas também o unicórnio mais lucrativo da região. Unicórnios são startups que têm uma avaliação de mercado de ao menos US$ 1 bilhão.

Apesar de o modelo de negócios da Valoreo não ser comum em terras brasileiras, a startup tem benchmarks internacionais. As americanas Perch e Thrasio compram empreendimentos que vendem pela Amazon e captaram com investidores, respectivamente, US$ 133,8 milhões e US$ 1,7 bilhão.

Como funciona a Valoreo?

A Valoreo foi criada no final de 2020 por cinco empreendedores. O InfoMoney conversou com eles para entender mais sobre o modelo de negócios da startup, e seus planos para os próximos anos.

Martin Florea trabalhou em private equity. Stefan Florea fez carreira em bancos de investimento, focado no setor de tecnologia. Alexander Gruell é economista e também trabalhou em bancos de investimento. Cedrik Hoffmann é empreendedor serial e especialista em finanças, tendo trabalhado com derivativos e fusões em aquisições. Por fim, Miguel Oehling é economista e fez carreira fundando e reforçando dezenas de startup na venture builder alemã Rocket Internet.

“Os fundadores se conhecem há anos e vemos muita ambição deles em tornar a companhia em algo grande e impressionante. Isso me lembra do nosso começo no Mercado Livre. Estamos convencidos de que a Valoreo traz valor ao ajudar empreendedores latino-americanos a continuarem crescendo suas marcas em escala, gerando mais oportunidades a eles e mais desenvolvimento ao ecossistema da região”, afirmou Hernán Kazah em comunicado sobre o aporte e sua entrada no conselho de administração da Valoreo.

A Valoreo fornece infraestrutura operacional para empreendimentos em marketplaces como Amazon e o próprio Mercado Livre. Essa infraestrutura operacional inclui investimento e inclusive aquisição dos negócios pela Valoreo. Depois, conhecimento e ferramentas são fornecidos para que essas marcas digitais cresçam e consigam competir com empresas maiores.

“Não apenas temos investidores que trazem capital para investir no crescimento das marcas, mas também pessoas como o Hernán [Kazah], que trazem conhecimento de mercado. Temos especialistas em áreas como administração de marca, operações, logística e publicidade. Eles também conhecem o segmento de marketplaces, e estão prontos para escalar marcas pela América Latina”, diz o cofundador Stefan Florea ao InfoMoney.

“Estamos de olho em companhias que tenham pelo menos R$ 2 milhões em receitas e R$ 500 mil em lucros. Gostamos principalmente de setores como beleza, bebês, casa e decoração, cuidados pessoais, esporte e pets. Mas sempre queremos conhecer novos empreendedores, marcas e produtos”, completa o cofundador Martin Florea.

O cofundador Alexandre Gruell completa que a startup compra ativos por duas a quatro vezes seu Ebitda. Depois, faz essa métrica crescer entre 50% a 100% nos doze meses seguintes (desconsiderando o crescimento do e-commerce em geral).

“Montamos um plano de criação de valor para cada marca que adquiramos, com resultados materializados desde o primeiro mês após a aquisição. Esse plano é executivo pelo nosso time, que tira o melhor de cada marca e cria sinergia entre as companhias adquiridas, a partir da nossa estrutura centralizada e otimizada”. Do lado do consumidor, a Valoreo defende que essa maior competição permite produtos melhores e preços mais acessíveis.

Planos para 2021 e 2022

A Valoreo não abre o número de empresas adquiridas. Agora, está “expandindo rapidamente pelo Brasil”. “É um mercado atrativo e com empreendedores admiráveis. Nossas marcas vendem em quase todos os marketplaces dos países em que atuamos”, diz Martin Florea.

Stefan Florea completa que a Valoreo tem “um pipeline forte de marcas interessantes no Brasil”. “Estamos crescendo nossa equipe em São Paulo, e vamos em breve abrir um escritório na cidade”. A Valoreo tem 30 funcionários globalmente e espera atingir 100 deles até o final de 2021.

Neste ano, a Valoreo também planeja comprar “dezenas de companhias”. Para Martin Florea, isso aproximaria a startup de um valuation de unicórnio em 2022. “No final deste mês, vamos atingir a receita em doze meses e o ebitda que esperávamos apenas para dezembro”. Gruell completa que a companhia já é lucrativa, considerando a receita nos últimos doze meses.

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Fonte: Infomoney

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