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“Estamos confortáveis? Não”, diz gestor de FII dono de imóvel alugado à Prevent Senior

SÃO PAULO – Neste mês de setembro, as cotas do fundo imobiliário VBI Prime Properties (PVBI11) caíram quase 9% – acima do Ifix, índice de FIIs calculado pela B3, que acumula perdas de 1,36% no mesmo período. O recuo do VBI se acentuou na medida que as acusações contra a operadora de saúde Prevent Senior ganharam força, e não é à toa. A empresa aluga 100% de um dos quatro edifícios que compõem o portfólio do fundo.

A operadora de saúde está sendo investigada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, instalada no Senado para apurar crimes na gestão da pandemia no Brasil. A empresa é acusada de usar pacientes como cobaias em testes de medicamentos como a hidroxicloroquina. A Prevent Senior ainda responde pela suspeita de manipular o número de vítimas do coronavírus ao fraudar atestados de óbito, de acordo com dossiê entregue aos membros da CPI.

“Toda a vez que temos qualquer ruído sobre inquilino, imóvel, setor ou regulação, sentimos um aumento desta procura por informação. De certa forma, um aumento da tensão”, afirma Rodrigo Abbud, gestor do VBI Prime Properties, ao comentar a recente desvalorização das cotas do fundo.

Atualmente, a Prevent Senior ocupa totalmente o edifício Park Tower, na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, região central de São Paulo (SP). Classificado como Triple A, o espaço tem uma área locável de 22 mil metros quadrados e o contrato de aluguel vai até 2034.

“Estamos confortáveis? Não. Estamos acompanhando o dia a dia e fazendo nosso papel de gestores”, diz Abbud. “Não estamos vendo ainda nenhuma materialidade para nenhum impacto financeiro. A Prevent Senior tem um negócio extremamente organizado que é difícil de repor. Não vejo motivo para pânico”, minimiza.

O gestor reforça ainda a confiança na qualidade do imóvel e na estrutura do acordo firmado com a operadora de saúde que, em caso de quebra de contrato, terá de avisar doze meses antes. Além disso, a empresa pagaria uma multa de outros dez meses de aluguel. O montante, na avaliação de Rodrigo Abbud, seria suficiente para repor a locação do imóvel.

“O imóvel continua lá, é Triple A, super bem localizado e terá uso futuro em caso de qualquer coisa que aconteça”, detalha. “E antes disso, em termos de fluxo de caixa, temos 22 meses de cobertura contratual. O contrato foi extremamente bem amarrado quando a gente alugou para a Prevent Senior”, afirma.

Classificado como um FII do segmento de lajes corporativas, o VBI Prime Properties tem hoje um patrimônio líquido de R$ 971 milhões de reais e quase 45 mil cotistas. Para quem possui as cotas do fundo ou de qualquer outro FII, Abbud sugere estudar o ativo, analisando pontos como a gestão, a localização e a qualidade dos imóveis. “O fundo imobiliário não é uma ferramenta de especulação diária ou ganho de curto prazo. É um investimento de médio e longo prazos”, conclui.

Lajes corporativas X Home office

Sobre o segmento de lajes corporativas, em que o VBI Prime Properties atual, Abbud reforça sua confiança, ainda que os reflexos da pandemia ainda estejam presentes. Analistas costumam posicionar esse segmento como uma opção menos atrativa do que o de logística, beneficiado pela expansão do e-commerce, e o de FIIs de recebíveis, que ficaram mais rentáveis com o aumento dos juros.

“O segmento de lajes corporativas passa por um período difícil, mas a adversidade está mais atrelada ao excesso de oferta, produzido no momento em que o mercado estava um pouco melhor, do que por uma crise de demanda”, avalia Abbud.

Abbud também acredita que a ameaça do home office tem se afastado cada vez mais do segmento de lajes corporativas, e diz que muitas empresas já estão voltando aos escritórios. “Trabalhar em casa é interessante por um tempo e por alguns períodos, mas a cultura corporativa necessita da interação do convívio e do compartilhamento de informações”.

Fonte: Infomoney

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