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‘Estamos vivendo um luto profundo’

Paul Pic, de 45 anos, é filho de piloto. Seu pai tinha uma empresa de aviação agrícola, segmento mais pesado do setor aéreo, dado que o piloto trabalha no calor, em aviões sem ar condicionado, voa em altitude baixa e não se hospeda em hotéis confortáveis. “Não queria isso para mim, mas hoje não descarto”, diz ele, que trabalhou em companhia aérea por 13 anos e havia sido promovido a comandante há um.

Apesar da crise histórica na aviação, Pic se diz realizado com a carreira que traçou. “Sempre sonhei em pousar no Charles de Gaulle (aeroporto em Paris), em Nova York… Realizei esses sonhos. Fui muito feliz, mas sei que agora tem um risco grande de não entrar em um avião por muito tempo. Talvez minha carreira tenha sido concluída aqui, mas tenho a satisfação de ter chegado a uma empresa grande e ter voado um 777 (avião para 365 passageiros). Eu e meus colegas estamos vivendo um luto profundo, porque não é só de emprego, é de carreira.”

Pic diz que as chances de conseguir um emprego novo como comandante são baixas, pois tem pouca experiência no cargo. “Só vou conseguir ser contratado como copiloto. Seria como reiniciar a carreira.” Pessimista com o futuro, ele destaca que as qualificações de pilotos não são muito valorizadas em outras carreiras, o que dificulta uma recolocação. “Sei, por exemplo, me comportar num sistema de tráfego aéreo. Para que serve isso aqui embaixo?”

Fluente em francês e em inglês, está tentando uma vaga em uma startup, onde poderá ganhar um terço da remuneração que tinha. “Isso vai ser por um tempo. Depois vou ter de recomeçar. Piloto tem uma capacidade de se manter sereno no momento de crise. Mas tudo isso não é sem tristeza.”

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Fonte: Terra

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