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Estrategistas veem alta modesta da bolsa até fim do ano

(Shutterstock)

(Bloomberg) — Os estrategistas de ações estão vendo espaço limitado para o Ibovespa estender sua recuperação ao longo dos próximos meses, após o índice acionário subir cerca de 50% desde o fim de março.

Em média, eles esperam que o índice encerre o ano a 100.000 pontos, segundo pesquisa da Bloomberg. Embora represente uma alta de 5% em relação ao nível do fim de junho, esse seria o menor ganho para qualquer período de julho a dezembro desde 2015. Além disso, ainda manteria o mercado local em território negativo no acumulado do ano.

A expectativa é de que a recuperação encontre alguma dificuldade para ganhar tração mais adiante, dado o forte movimento recente e desafios estruturais do país, como a questão fiscal e a incerteza sobre a velocidade da retomada. Em dólares, a queda de 37% do Ibovespa neste ano faz do Brasil o mercado acionário com o segundo pior desempenho do mundo, atrás apenas da Colômbia.

Velocidade da recuperação

“Em uma escala de 0 a 10 — com 10 sendo mais otimistas –, estamos 6 em Brasil”, disse Daniel Gewehr, estrategista do Santander. “A bolsa ainda tem potencial de valorização, mas ele não é tão grande.”

Uma preocupação citada por Gewehr é a diferença entre o crescimento esperado para os lucros das empresas e para a economia. Enquanto o consenso projeta uma taxa de crescimento anual composta de -1% para o PIB brasileiro em um período de dois anos, a projeção para os lucros corporativos é de +4,9%.

Apesar dos múltiplos mais elevados em relação à média histórica, os investidores têm olhado para além da contração dos lucros esperada para 2020 e focado nas estimativas para o ano que vem: o Ibovespa negocia a cerca de 30 vezes o lucro projetado para 2020 e a 12 vezes o lucro estimado para 2021, segundo dados da Bloomberg.

Enquanto o Brasil tem o segundo maior número total de casos de coronavírus ao redor do mundo, os investidores seguem de olho nos planos para a reabertura gradual da economia doméstica, assim como em potenciais obstáculos no meio do caminho.

“A incerteza permanece elevada e o mercado ainda está negociando com base na evolução da situação da Covid-19”, disse Emy Shayo, estrategista do JPMorgan Chase & Co.

Um suporte relevante para o mercado doméstico segue inabalado: o cenário de juro baixo continua estimulando o fluxo para ações, em meio à busca crescente por retornos mais atrativos. O número de contas de pessoas físicas totalizou cerca de 2,5 milhões em maio, ante 1,7 milhão no fim do ano passado, de acordo com a B3. Desde o começo do ano, os fundos de ações já registraram captação líquida de R$ 48,4 bilhões.

Reformas

A retomada da agenda de reformas, que foi deixada em segundo plano em meio à crise, é crucial para uma melhora sustentável no longo prazo, segundo os estrategistas. Na semana passada, o Senado aprovou o novo marco do saneamento, que facilita o investimento privado no setor. Outras medidas, incluindo a aprovação de uma reforma tributária, permanecem de fora do cenário-base para o segundo semestre.

“O debate voltou à mesa, mas ainda não temos a convicção de que uma série de reformas ocorrerá em 2020”, disse David Beker, estrategista de ações para América Latina do Bank of America.

Entre as ações brasileiras, Vale, Petrobras, BTG Pactual e Lojas Renner estão entre as preferências do Morgan Stanley. O JPMorgan recomendou que os investidores foquem em nomes que foram muito descontados recentemente, incluindo Banco do Brasil — que negocia abaixo de seu valor patrimonial — e GPA — que acumula queda de 17% no ano.

“Por fundamento, há pouco espaço para o mercado subir”, disse Frederico Sampaio, diretor de investimentos da Franklin Templeton no Brasil. “Não dá para lutar contra fluxo, mas acredito que ultrapassamos o ponto de segurança.”

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Fonte: Infomoney

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