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Estudo liga montadoras automobilísticas europeias ao desmatamento na Amazônia

Mariana Dandara | Redação ANDA

Um estudo realizado pelo Imazon revelou que mais de 90% do desmatamento criminoso identificado na floresta amazônica é de responsabilidade da agropecuária, indústria que produz o couro utilizado nos veículos fabricados pelas montadoras

A agropecuária é uma das maiores responsáveis pelo desmatamento das florestas (Foto: Daniel Beltrá/ Greenpeace)

Um estudo realizado pela Rainforest Foundation Norway expôs uma possível relação entre montadoras automobilísticas e o desmatamento na Amazônia. Dentre as empresas citadas, estão a Volkswagen, a BMW, a Daimler, o grupo PSA – responsável pela Peugeot, Citroen, Opel – e a Renault.

A principal autora do estudo, Joana Faggin, afirmou à agência de notícias DW Brasil que “atualmente nenhuma montadora consegue provar que não está envolvida” com o desmatamento na Amazônia. De acordo com o relatório publicado pelos pesquisadores, o levantamento “mostra uma alta probabilidade de que o desmatamento seja um fator nessa cadeia de abastecimento”.

Atualmente, o Brasil é responsável por cerca de 30% do couro utilizado mundialmente pela indústria automotiva, o que torna o país o maior exportador de couro bovino do mundo, produto que não só está diretamente ligado à devastação ambiental, como também ao sofrimento de milhões de bois e vacas.

Antes de chegar ao destino final e ser usado nos bancos dos veículos, o couro muitas vezes advém de bois e vacas criados em áreas desmatadas na Amazônia, conforme pontuado pela Rainforest Foundation Norway. A pesquisadora Joana Fagging explicou que “o objetivo do relatório é dar uma visão ampla de que há um setor que precisa ser estudado e que precisa de transparência”.

Para chegar ao resultado que expôs os dados alarmantes sobre a responsabilidade indireta da indústria automobilística pelo desmate da mais importante floresta do mundo, os pesquisadores analisaram documentos das empresas, pesquisas, estudos de casos sobre crimes ambientais cometidos por fazendas que exploram bois para consumo humano, além de informações disponibilizadas pela plataforma Panjiva, base de dados sobre o comércio global.

O couro usado nos veículos pode estar ligado ao desmatamento (Foto: Freepik)

Em 2020, a Amazônia sofreu o maior desmate dos últimos 12 anos, com 11.088 km² destruídos, conforme dados coletados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Um estudo realizado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) revelou ainda que mais de 90% do desmatamento criminoso identificado na floresta amazônica é de responsabilidade da agropecuária, que derruba florestas para transformá-las em pastos nos quais os bois são criados.

“Se o consumidor europeu quiser saber de onde vem o couro, ele vai esbarrar em muitas dificuldades. Essa indústria tem uma cadeia de fornecedores complexa, é muito difícil seguir o caminho do produto depois do matadouro”, pontuou Faggin.

Resposta das exportadoras e montadoras

O relatório cita sete exportadoras de couro e afirma que todas têm alguma ligação com o desmatamento da Amazônia, mas não necessariamente o desmate criminoso – já que há derrubadas de árvores que são feitas com autorização legal.

De todas as exportadoras citadas – JBS Couros, Minerva Couros, Vancouros, Fuga Couros, Durlicouros, Mastrotto Brasil e Viposa – quatro se posicionaram sobre o estudo. A JBS negou ter ligação com o desmatamento ilegal. A Minerva afirmou ter firmado compromisso para extinguir de sua cadeia produtiva o desmatamento ilegal, mas não apresentou prazos para isso e admitiu haver um grande desafio para garantir a origem do couro.

A Vancouros, por sua vez, disse ter uma “política de compra de matéria-prima, assim como certificações ligadas a esse tema”. A Viposa alegou possuir “uma política para compra de matéria-prima (couro), além de certificações e ações relacionadas aos temas de rastreabilidade, sustentabilidade e meio ambiente”.

Em relação às montadoras automobilísticas, a Volkswagen afirmou que há imprecisões no relatório e disse ter documentos assinados pelos fornecedores nos quais é atestado que nenhum material tem ligação com o desmatamento criminoso na Amazônia. A BMW disse também ter essa garantia em relação aos fornecedores e informou que utiliza cerca de 5% do couro brasileiro. “Isso representará 1% no final do próximo ano, o que irá diminuir para 0% no médio prazo, conforme reestruturarmos nossas cadeias de suprimentos de couro e não dependermos mais do couro da América do Sul”, diz a nota da montadora enviada à DW Brasil.

Fabricante da Mercedes-Benz, a Daimler informou que exige que os fornecedores trabalhem com produtos que não tenham relação com o desmatamento ilegal. A Renault não se pronunciou e a PSA alegou que prefere se posicionar após ter acesso à íntegra do relatório da Rainforest Foundation Norway.

Fonte: R7

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