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ETF de Criptomoeda: o que é e como investir?

Há diversas formas de investir no mercado de criptoativos, avaliado em pouco mais de US$ 2 trilhões no início de outubro de 2021. Uma delas é via ETF de criptomoedas, também conhecidos como fundos de índices.

Como esses produtos financeiros são novos – eles chegaram à “prateleira” da bolsa de valores brasileira neste ano -, o InfoMoney preparou um guia para esclarecer todas as dúvidas a respeito desses ativos, com informações sobre maneiras de investir, vantagens e riscos.

• O que é ETF de criptomoeda?
• Quais são os ETFs de criptomoedas listados na B3?
• ETFs do Brasil
• ETF de criptomoedas x ETF de outros setores
• Como investir em ETF de criptomoeda?
• Vantagens
• Riscos
• Vale a pena investir com ETF, fundos ou exchanges?

O que é ETF de criptomoeda?

Um ETF (Exchange Traded Funds) de criptomoedas é um fundo de investimento que pode ser negociado na bolsa de valores como uma ação. Funciona basicamente como qualquer outro ETF do mercado – ou seja, reúne recursos de diversos investidores e costuma replicar algum índice de referência.

A diferença entre os ETFs de criptomoedas e os produtos de outros setores é que eles acompanham indicadores de Bitcoin (BTC) ou de altcoins (nome dado a qualquer criptomoeda diferente do BTC).

Alguns desses índices são o Nasdaq Crypto Index (NCI), desenvolvido pela gestora brasileira Hashdex em parceria com a bolsa norte-americana Nasdaq, e o S&P Bitcoin Index, da S&P Dow Jones, companhia líder na produção de métricas do mercado financeiro.

Quais são os ETFs de criptomoedas listados na B3?

A bolsa de valores brasileira tem cinco ETFs de criptomoedas: Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Indice (HASH11); QR CME CF Bitcoin Reference Rate (QBTC11); CME CF Ether Reference Rate (QETH11); Hashdex Nasdaq Bitcoin Reference Rate (BITH11); e Hashdex Nasdaq Ethereum Reference Price Fundo de Índice (ETHE11).

O primeiro a ser listado na B3 foi o HASH11, da Hashdex, em abril de 2021. O ativo replica o NCI, índice composto atualmente por uma cesta de oito criptomoedas, cada uma com um peso diferente.

A cada três meses esse mix passa por um rebalanceamento, processo no qual ativos são inseridos ou eliminados com base em critérios como desempenho e aceitação do mercado. A última vez que isso ocorreu foi em junho, e duas novas altcoins foram adicionadas – a Filecoin (FIL) e a Uniswap (UNI). A composição no momento da redação do texto é a seguinte:

Em junho de 2021, a bolsa brasileira ganhou seu segundo ETF de criptomoedas, o QBTC11, da QR Asset Management, do grupo QR Capital. Diferente do HASH11, esse produto financeiro tem 100% de exposição ao Bitcoin. Ele foi o primeiro fundo de índice nacional totalmente voltado ao BTC.

O QBTC11 replica o índice “CME CF Bitcoin Reference Rate”, referência dos contratos futuros de BTC negociados na CME (Chicago Mercantile Exchange Group), principal bolsa de derivativos do mundo.

Em agosto do mesmo ano, mais três ETFs de criptomoedas encontraram espaço na bolsa de valores do Brasil.

A QR Capital lançou o QETH11, o primeiro produto brasileiro com 100% de exposição ao Ethereum (ETH). Ele busca seguir o mesmo índice de Ether usado pela CME, o CME CF Ether Reference Rate, que acompanha o preço do criptoativo em dólares.

Já a Hashdex disponibilizou o BITH11, primeiro ETF da gestora com 100% de exposição ao BTC. Esse produto financeiro procura replicar o índice Nasdaq Bitcoin Reference Price, que acompanha o preço do BTC em dólares.

Por fim, a Hashdex também lançou o ETHE11, com 100% de exposição ao Ethereum. Ele busca traduzir o Hashdex Nasdaq Ethereum ETF, um fundo das Ilhas Cayman que oferece exposição ao Ether.  

Confira a tabela de ETFs

Código Fundo Índice de Referência
HASH11 Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice  Nasdaq Crypto Index (NCI)
QBTC11 QR CME CF Bitcoin Reference Rate CME CF Bitcoin Reference Rate
QETH11 CME CF Ether-Dollar Reference Rate CME CF Ether Reference Rate
BITH11 Hashdex Nasdaq Bitcoin Reference Rate Nasdaq Bitcoin Reference Price
ETHE11 Hashdex Nasdaq Ethereum Reference Price Fundo de Índice Nasdaq Ethereum Reference Price

Quais as diferenças entre os cinco 5 ETFs de criptomoedas do Brasil?

A primeira diferença é em relação aos índices. O HASH11, por exemplo, segue um indicador composto por um mix de oito criptomoedas. O investidor, portanto, adquire um único ativo e tem exposição a diversas moedas.

Os outros quatro ETFs seguem índices que acompanham apenas o Bitcoin ou o Ethereum. Portanto, eles são mais vulneráveis ao ‘sobe e desce’ desses dois ativos, que, juntos, têm mais da metade do valor de mercado global das criptomoedas.

Além disso, os fundos têm taxas anuais de administração diferentes: HASH11 (1,3%); QBTC11 (0,75%); QETH11 (0,75%); BITH11 (0,7%); e ETHE11 (0,7%).

Qual a diferença entre ETF de criptomoedas e ETF de outros setores?

A diferença está basicamente no tipo de índice que o produto acompanha. No caso dos ETFs de criptomoedas, os indicadores seguidos são aqueles do setor, como o NCI.

No mercado global, no entanto, existem diversos tipos de ETFs – há aqueles de ações, commodities, renda fixa etc. No Brasil, os mais comuns são os de renda variável, como os ETFS do Ibovespa, de Governança Corporativa, de Sustentabilidade Empresarial e o S&P 500.   

Até o início de outubro, a B3 tinha quase 50 ETFs listados.

Como investir em ETF de criptomoedas?

Como ETFs são negociados em bolsa, é preciso abrir uma conta em alguma das cerca de 100 corretoras existentes no Brasil. No geral, o cadastro é feito online, e as empresas solicitam alguns documentos, como CPF, RG ou CNH.  Elas também pedem dados bancários e, em alguns casos, comprovantes de residência.

Depois da aprovação do cadastro, geralmente confirmado por e-mail, basta transferir dinheiro para a plataforma escolhida – via TED, DOC e mais recentemente PIX -, encontrar o ETF na plataforma de negociações e realizar a compra.

Quais as taxas?

Como os ETFs são negociados na bolsa de valores, o investidor precisa arcar com tarifas semelhantes às cobradas em operações de compra e venda de ações. Portanto, é preciso pagar as taxas de corretagem e de custódia para as corretoras e os encargos de negociações da B3, os famosos emulamentos. Os fundos de índice brasileiros de BTC e altcoins também têm taxas de administração, que variam de 0,7% a 1,3% a ano. Esse valor é destinado para os gestores.

Quais as tributações?

Os ETFs de criptomoedas estão sujeitos ao imposto de renda. Existe uma alíquota fixa de 15% sobre o ganho de capital – diferença entre o valor da compra e da venda da cota. Importante ressaltar que cabe ao próprio investidor calcular o valor do tributo e fazer o pagamento.

Para pagar, é preciso emitir um Documento de Arrecadação da Receita Federal (DARF) até o último dia útil do mês seguinte à operação. Isso deve ser feito no Sicalc (Programa para Cálculo e Emissão de DARF), com o código 6015 ‘Ganhos líquidos em operações de bolsa’.

Qual a rentabilidade?

Como os ETFs de criptomoedas são novos, ainda não é possível verificar a performance no longo prazo, o que daria uma visão mais realista sobre esses produtos financeiros. A variação de preço desde a listagem na B3, no entanto, fornece um pequeno vislumbre sobre o comportamento deles no curto prazo.

  • HASH11 – Entre 26 de abril de 2021, quando foi listado na bolsa, até 30 de setembro do mesmo ano, desvalorizou 18,17%, caindo de R$ 53,10 para R$ 43,45.
  • QBTC11 – Entre 23 de junho, dia da listagem, até 30 de setembro, valorizou 44,55%, passando de R$ 10,55 para R$ 15,25.
  • QETH11 – Lançado em 4 de agosto, subiu 14,61% até o último dia de setembro, pulando de R$ 10,47 para R$ 12.
  • BITH11 – Entre 5 de agosto, dia do lançamento na B3, até o dia 30 de setembro, valorizou 14,59%, passando de R$ 50,43 para R$ 57,79.      
  • ETHE11 – Entre 18 de agosto, quando foi listado na bolsa de valores, a 30 de setembro, perdeu 2,18% de valor, caindo de R$ 50 para R$ 48,91.

Quais as vantagens de investir em ETF de criptomoeda?

Por ser negociado em bolsa e funcionar como um “híbrido” de fundo de investimento tradicional e ação, o ETF de criptomoedas tem algumas vantagens.

Facilidade: É mais simples investir em criptomoedas por meio de um ETF do que direto em uma exchange, que tem jargões muitas vezes complexos para o investidor novo, como wallet, hash, taxa de gás etc. No caso do ETF, basta fazer o cadastro em uma corretora que oferece o produto e negociá-lo como se fosse uma ação.  

Custos: Quando comparados aos fundos de investimentos de criptomoedas, os ETFs de Bitcoin e altcoins costumam ter menores taxas de administração e custos operacionais. Os valores são menores porque esses produtos financeiros têm gestão passiva, diferente dos fundos de investimentos, que costumam ter a figura do gestor, cuja função é analisar o mercado e maximizar a performance do fundo.

Investimento baixo: O investimento inicial é baixo e não é preciso ser um investidor qualificado ou profissional para comprar um produto financeiro com 100% de exposição a criptomoedas, como no caso dos fundos. No início de outubro, as cotas iniciais dos fundos de índice do Brasil variavam entre R$ 14 a R$ 72.

Segurança: As criptomoedas ainda não são regulamentadas como investimentos no Brasil, mas os ETFs de Bicoin e altcoins, assim como os fundos do setor, contam com o aval da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para funcionar. Investir por meio deles, portanto, dá uma segurança jurídica maior para aqueles investidores que não se sentem confortáveis em comprar ativos em exchanges.

Quais são os riscos de investir em ETF de criptomoeda?

Como qualquer ativo financeiro, o ETF de criptomoedas também tem riscos e desvantagens quando comparados a outros produtos.

Volatilidade – O ETF também está sujeito às oscilações de preço do Bitcoin e das altcoins. Os fundos que seguem índices compostos por mais de um ativo digital tendem a ter menos volatilidade em períodos de queda, mas os que acompanham índices que seguem um único criptoativo sofrem da mesma forma em momentos de baixa.

Deslocamento – Existe o risco de o ETF não conseguir replicar exatamente o índice de referência. Isso pode ocorrer por causa das taxas operacionais e despesas que os investidores precisam pagar às gestoras.

Limitação – Os ETFs de Bitcoin e altcoins têm gestão passiva e buscam apenas replicar um determinado indicador. Portanto, se uma criptomoeda presente no índice demonstrar sinais de queda por causa de uma instabilidade previsível de curto prazo, o gestor não vai retirá-la, e os investidores assumirão as perdas. É diferente de um fundo de investimento com gestão ativa, no qual um gestor está de olho no mercado e busca encontrar oportunidades para maximizar os lucros e diminuir as perdas.

Horário – Os ETFs só podem ser negociados no pregão da bolsa, das 10 às 17h, e de segunda a sexta. O mercado de criptomoedas, no entanto, funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Portanto, investidores não conseguem aproveitar o sobe e desce da moeda em horários alternativos ou nos finais de semana.  

https://www.youtube.com/watch?v=R3GIstvqHzY

ETF de criptomoedas, fundos de investimentos ou exchanges?

Uma das dúvidas de investidores interessados em alocar recursos em criptomoedas é como entrar nesse mercado. Além do ETF, as outras duas possiblidades mais conhecidas de ingresso são fundos de investimentos “tradicionais” e exchanges.  

Cada opção tem suas vantagens e desvantagens, e a escolha depende do perfil do investidor e do quanto ele está disposto a se aprofundar no mercado.

No geral, investir por meio de ETFs e fundos é mais cômodo. Basta escolher o produto e comprar as cotas, e não há necessidade de se preocupar em montar uma carteira de criptomoedas e acompanhar o setor muito de perto.

Entretanto, ETFS e fundos, por terem taxas de administração, corretagem e emulamento (no caso dos ETFs) e performance (no caso dos fundos), tendem a ser mais caros do que o investimento direto em exchanges.

A vantagem das corretoras, além dos preços “mais em conta”, é a variedade de criptoativos em suas plataformas. Além do Bitcoin e do Ethereum, o investidor tem a possibilidade de investir em outros projetos que, apesar de desconhecidos, são bem fundamentados e têm chances de valorizar no longo prazo.

Outro ponto positivo das exchanges diz respeito ao imposto de renda. Se o investidor vende menos do que R$ 35 mil em um mês e tem ganhos, ele está isento de tributação. No caso de ETFs e fundos funciona diferente: existe uma alíquota de 15% sobre o lucro, independentemente do valor negociado.

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Fonte: Infomoney

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