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‘Eu imaginava que a Covid viria’

Curtindo a família em um sítio em Itaguaí, no Rio de Janeiro, desde o início da pandemia, Luiz Fernando Guimarães, vive a paz e a tranquilidade da roça.

“Tem sido maravilhoso”, disse o ator que está vivendo com o marido, Adriano Medeiros, e os dois filhos, Dante e Olívia, que eles decidiram adotar recentemente. Nesta entrevista exclusiva ao OFuxico, o intérprete de Rui em “Os Normais”, fala dos 20 anos da série de sucesso que está em reprise no Viva.

Desacelerando
“Nós temos que desacelerar, mas não quer dizer que vamos conseguir da noite pro dia, e tem uma outra coisa muito interessante, é você mudar o seu foco. Existem coisas que faziam parte da vida da gente que antes era obrigatório, mas agora não temos mais, e temos que aprender a viver sem elas. Quando achávamos que era impossível, se tornou real e natural, ou seja, não temos mais aquilo que tínhamos antes, mas e agora? Como você vai viver?”, analisou.

“Vamos ter que pensar em alternativas que vão mudar o mundo, porque nós estamos desaprendendo o que havíamos aprendido. Estamos aprendendo novas formas, planos alternativos de viver, desde a comida, até comportamento social, o mínimo é mais”, contou.

“Não precisamos de tanta coisa, a vida pode ser mais simples, os aniversários não precisam de 300 pessoas, pode ser você, mais três e um bolo”, afirmou.

Curtindo a família 
Dividindo o espaço com 16 cachorros, o marido, e os dois filhos, Luiz tem aproveitado cada momento ao lado da família, e disse como tem se sentido.

“Tem sido maravilhoso! Eu não sabia que nesses anos todos tinha construído pra mim, um castelo. Eu não sabia que ia acontecer isso (pandemia). Construí uma coisa que era para os fins de semana, fui tendo os cachorros e vieram as crianças para adoçar a vida da gente, e tudo veio aos poucos. Foi uma transição muito tranquila, confortável, muito passo a passo”.

Vacinação
Imunizado, o ator tomou as duas doses da vacina contra Covid-19, e comentou sobre como se sentiu.

“Eu nunca tive muitas questões relacionadas com o temor às enfermidades. Se você falar assim: “você precisa fazer um teste”, eu faço o teste, “você tem que fazer uma cirurgia”, eu faço a cirurgia, é claro, eu fiz teste pra Covid, fui vacinado contra febre amarela. Eu não tenho medo de injeção. Eu imaginava que a Covid viria mesmo, porque o mundo está muito maluco, e nós não tivemos a terceira guerra mundial, mas eu achei que poderia acontecer de uma forma ou de outra, não vou dizer que estava preparado, mas eu não estava totalmente despreparado pra essa fase que nós estamos vivendo”, falou.

“Eu imaginava que a Covid viria mesmo, porque o mundo está muito maluco, e nós não tivemos a terceira guerra mundial”, destacou.

20 anos de “Os Normais”
A estreia de “Os Normais” aconteceu no ano de 2001 e ficou no ar por dois anos, o artista recordou o personagem. “Pra gente é muito importante, porque nós, na época que encenávamos, não tínhamos a noção em relação às críticas, e era bom que fosse assim. Agora estamos vendo como se fossemos espectador pela primeira vez, nós nunca fomos espectadores dos ‘Normais’. 20 anos depois é interessante porque é um outro Luiz Fernando, é uma outra Fernanda, é um cabelo diferente, na época o Rui tinha o cabelo meio ruivo, mas ninguém notava, só eu, são pequenos detalhes que o público não percebe e que nós estamos vendo pela primeira vez”. 

Cartaz da série Os Normais da TV Globo
Foto (Divulgação/TV Globo)

“O sucesso de ‘Os Normais’, não sabemos dizer até hoje o que aconteceu, porque ele foi surgindo muito pequeno, mas foi a identificação de um pequeno público primeiro, e depois com o resto do planeta, porque como fala de relação humana, independente se é noivo, casado, namorado, se é mulher ou homem, falamos de comportamento, falamos de situações constrangedoras. As pessoas se identificaram aos poucos, e começou muito tímido, era um programa muito juvenil, podia ser visto pela vovó, pelo papai, pela mamãe, pela garotada, porque eu e a Vani poderíamos ser uns bonecos, desenhos animados, isso conta muito”.

Sucesso de crítica, o texto escrito por Fernanda Young (1970-2019) contava a história de um casal nada normal. “O texto deles é atemporal, o relacionamento humano dependendo da cultura, o ser humano é complexo no seu comportamento, no seu questionamento, nas suas particularidades, na sua intimidade. Um programa mostrar a intimidade, uma coisa que todo mundo tem muita timidez, e não passamos por essa peneira, por isso é tão interessante ver hoje, porque ‘caramba, a gente fazia assim naquela época, éramos muito avançados’”.

Amizades pra vida toda
“Existe um grupo de atores de teatro, eu posso dizer porque eles vieram do teatro, são pessoas que eu tenho amizade até hoje, você pode ser amigo de uma pessoa, fica cinco anos sem vê-la, mas quando se reencontra, parece que foi ontem porque a sintonia é a mesma, e você sabe como essa pessoa pensa, porque de certa forma mantemos uma relação, que não é ficar se ligando de manhã, à tarde e à noite, mas manter uma relação de amizade, de amor. Isso é de um grupo, igual ao que tenho com o Asdrúbal (grupo de teatro), com a Nanda, com a Claudia Raia, tem uma explicação porque você tem uma sintonia, a pessoa te completa, pensa igual a você, mas é uma construção de você não se deixar perder. Isso é muito importante no mundo de hoje”.

“TV Pirata”
Com um humor inteligente e paródia de vários programas na televisão, o artista também fez parte da extinta ‘TV Pirata’, e falou da liberdade criativa do humor. “Eu fiz parte do grupo de teatro que veio para a televisão mostrar uma nova forma de interpretação, todo mundo era do teatro, foi muito legal porque era exatamente o contrário, não precisava atuar para a televisão, e isso deu um caldo muito bom. A partir daí o comportamento mudou porque eu achava que tinha que atuar como se fosse na televisão, eu desenvolvi, não uma técnica, mas um comportamento, não parei pra questionar se era bom ou ruim, achei que valia à pena, tinha um certo desenho corporal, não era só de close, gestos pequenos, não, gestos largos, o humor tem muito a ver com isso, não tem um comportamento muito adequado. É meio inadequado”, relembrou.

Situação do Brasil
“Eu acho que tem muito a ver com a falta de bons políticos, né? Todo mundo paga seus impostos, é muito triste, hoje eu estava assistindo o jornal, pagamos impostos sobre o que a gente ganha, sobre todos os produtos que compramos, se você analisar, o Brasil é um país rico e as pessoas não têm dinheiro, falta resolver os problemas, seja na saúde, no transporte, na educação, em tudo, por conta disso, perdeu-se a noção, as pessoas roubam, dizem que roubam, são exemplos pra quem está neste caminho, não tem mais castigo, e fica por isso mesmo, mas a culpa é da imprensa também porque nós artistas irmos sozinhos para as ruas com uma faixa, é quase impossível, temos que prestar esclarecimentos nas nossas páginas, onde temos espaço”, concluiu.

Fonte: O Fuxico

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