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Facebook está falhando na luta contra a desinformação, diz ex-funcionária

Embora o Facebook tenha anunciado melhorias em sua luta contra a desinformação nos Estados Unidos, a empresa tem demorado para lidar com contas falsas que vêm interferindo em eleições no mundo todo, de acordo com uma postagem publicada por uma ex-funcionária. A funcionária, que trabalhava em uma equipe do Facebook dedicada a erradicar a chamada atividade inautêntica dentro da plataforma, disse que os executivos ignoraram ou demoraram a reagir a seus repetidos alertas sobre o problema.

“Nos três anos que passei no Facebook, descobri várias tentativas flagrantes de governos estrangeiros que queriam usar nossa plataforma em larga escala para enganar seus próprios cidadãos”, escreveu Sophie Zhang, a funcionária, em uma postagem de 6.600 palavras compartilhada com toda a empresa em seu último dia de trabalho.

Enquanto países como Rússia, China e Irã continuam suas sofisticadas operações de desinformação, a postagem de Zhang chamou a atenção para países menores que administram redes de bots fáceis e baratas para influenciar seus cidadãos. Em um exemplo, os bots promoveram o presidente de Honduras. Em outro, atacaram figuras da oposição no Azerbaijão.

O fracasso do Facebook em erradicar os bots, ou contas automatizadas, que operam em benefício de certos políticos levanta questões sobre a eficácia com que a empresa consegue policiar uma plataforma usada por mais de 2,7 bilhões de pessoas. Zhang foi demitida em agosto e deixou a empresa no início de setembro. Em sua postagem, ela sugeriu que sua demissão se devia, pelo menos em parte, ao fato de que ela negligenciara tarefas rotineiras de seu trabalho para se concentrar na atividade política das contas falsas.

Em resposta à postagem de Zhang, o Facebook disse que a empresa vem removendo regularmente campanhas de influência coordenadas e que tinha uma grande equipe trabalhando na segurança. “Trabalhar contra o comportamento inautêntico e coordenado é nossa prioridade, mas também estamos tratando dos problemas de spam e engajamento falso. Investigamos cada questão cuidadosamente, incluindo aquelas levantadas pela srta. Zhang, antes de agirmos ou fazermos alegações publicamente como empresa”, disse Liz Bourgeois, porta-voz do Facebook. A empresa não quis comentar o motivo da demissão de Zhang.

A postagem de Zhang detalha como foi por acaso que ela acabou lidando com a atividade política dos bots. A tarefa não fazia parte do escopo de suas funções no Facebook, escreveu, mas ela decidiu agir e tentar chamar a atenção para o problema.

“Encontrei e anulei ataques desse tipo em todo o mundo – da Coreia do Sul à Índia, do Afeganistão ao México, do Brasil a Taiwan e inúmeras outras nações”, escreveu Zhang, que se recusou a responder às perguntas do New York Times sobre sua postagem. “Tomei, pessoalmente e sem supervisão, decisões que afetaram presidentes nacionais e atuei para aplicá-las a tantos políticos proeminentes de todo o mundo que até perdi a conta”.

Embora ela tenha passado informações aos executivos do Facebook, entre eles um vice-presidente e membros da equipe de políticas, a empresa continuou demorando para tomar medidas contra os bots, escreveu Zhang. Ela acrescentou que era considerada uma funcionária de baixo escalão e não recebia apoio nem orientação sobre como lidar com as contas falsas. Em vez disso, escreveu, ela enfrentava obstáculos e atrasos impostos pela equipe jurídica e pelo time de políticas do Facebook.

Em 2019, Zhang descobriu uma rede de contas falsas que apoiavam o presidente hondurenho, Juan Orlando Hernandez, mas o Facebook levou mais de nove meses para agir, escreveu ela. Duas semanas depois que o Facebook removeu as contas, muitas voltaram à ativa.

O Facebook estava só brincando de “esconde-esconde” com as contas falsas, escreveu Zhang. Em seu último dia na empresa, ela fez uma busca e encontrou a atividade atual das contas, acrescentou.

Zhang descobriu que o partido político hoje no poder no Azerbaijão também estava usando contas falsas para perseguir figuras da oposição. Ela sinalizou a atividade há mais de um ano, disse ela, mas a investigação do Facebook continua aberta e as autoridades ainda não tomaram providências quanto às contas.

O Facebook é “vastamente dominado por seu setor de relações públicas”, escreveu Zhang, que acrescentou: “o aspecto cívico foi desconsiderado por causa de seu pequeno volume, seu impacto desproporcional foi ignorado”. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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Fonte: Terra

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