Fique por dentro – O Trabalho na Construção da Dignidade Humana

Neste artigo analisaremos o tema da redação do ENEM de 2010, “O Trabalho na Construção da Dignidade Humana”. Esse é um assunto de grande importância para todos nós, não é mesmo? A maioria das pessoas, na idade adulta, passa boa parte das horas do dia envolvida com o trabalho. Na verdade, desde a infância nossa educação já é voltada à preparação para um futuro profissional bem-sucedido. Esta é a realidade da maioria dos estudantes, mas será que você saberia se posicionar a respeito do assunto, considerando a situação dos trabalhadores em geral?  Hoje daremos dicas preciosas para a elaboração da redação perfeita, para que você acerte em cheio na argumentação e conquiste a nota mil na sua prova.

Fique ligado!

Modelo – Redação do Enem de 2010 “O Trabalho na Construção da Dignidade Humana”

A
sobrevivência da raça humana sempre esteve ligada à força de trabalho. Desde as
técnicas mais rudimentares de produção até os modernos modelos de execução de
tarefas à distância e de substituição da mão de obra tradicional por robôs,
passamos por inúmeras transformações que contribuíram para elevar essa
atividade à categoria de verdadeira protagonista em nosso dia-a-dia. No
entanto, apesar das significativas inovações em termos de ferramentas e
condições laborais, economia de recursos e priorização da qualidade de vida, permanecem
intactas algumas práticas condenáveis que atentam contra a dignidade do homem e
que não acompanharam esse processo positivo de evolução.

A explicação
para esse fenômeno não é simples. A forma legal de exploração da energia e
vitalidade de muitos em benefício de poucos, denominada escravidão, foi
formalmente abolida com a assinatura da Lei Áurea, em 1888. A CLT, decretada
nos anos 40, vem sofrendo sucessivas modificações desde então. Entretanto, da
mesma forma que a sociedade tem encontrado soluções para seus problemas mais
complexos, também foi capaz de esquivar-se das limitações legais que foram
sendo impostas ao abuso por parte daqueles que se encontram em posição de
superioridade na relação laboral, em detrimento dos que se situam no polo
frágil da mesma. Isso explica, em parte, a banalização do vínculo entre o
capital e o trabalho.

Contudo, o
contraste entre o vanguardismo presente em salas de co-working, edifícios sustentáveis e métodos de comunicação em rede
e a persistência de problemas arcaicos, como o trabalho infantil, a
informalidade e o subemprego reflete, muito mais do que as características
inerentes ao modo de produção capitalista, o contexto de desigualdade social
construído historicamente em nosso país. Aliado a isso, a extensão territorial
e o enorme contingente populacional situado à margem da educação e de programas
sociais de qualidade dificultam a absorção de uma massa considerável de mão de
obra, que não possui qualificação suficiente para ocupar postos de trabalho
dignos no Brasil.

Sendo assim,
é indubitável que a correção de distorções verificadas na realidade trabalhista
passa, antes de tudo, por uma urgente reforma no sistema educacional. Além
disso, o reforço a programas sociais, que invistam no acesso de populações
isoladas aos grandes centros urbanos, também facilitaria a fiscalização de sítios
de emprego que hoje escondem práticas de trabalho criminosas, além de favorecer
o intercâmbio científico e tecnológico entre as diversas regiões. Por fim, a
renovação do arcabouço legal de proteção à dignidade do trabalhador seria de
grande valia no enfrentamento do descumprimento de obrigações por parte do
empregador e no combate a práticas de ofensa a direitos fundamentais
indisponíveis do indivíduo.

Redação do Enem de 2010 - O Trabalho na Construção da Dignidade Humana
Redação do Enem de 2010 – O Trabalho na Construção da Dignidade Humana

Aspectos Históricos da Evolução das Relações de Trabalho

A sociedade
pré-industrial era bem diferente da atual, principalmente no que concerne às
normas trabalhistas, praticamente inexistentes à época. Nesse período, o ser
humano era claramente objetificado, sendo a escravidão extremamente comum. O trabalho
não era visto com bons olhos; ao contrário, era considerado atividade indigna,
sem qualquer ligação com a realização pessoal ou com o status social do
indivíduo.

Em um segundo
momento, as servidões e corporações de ofício foram responsáveis por inaugurar
o processo de mudança nas relações laborais, mas ainda assim mantinham a
autoridade como valor-base dessa interação.

Redação do Enem de 2010 – Relações de Trabalho

No entanto, a
partir da Revolução Francesa, os ideais de liberdade começaram a ser
vivenciados na prática e, já em 1948, com a assinatura da Declaração Universal
dos Direitos do Homem, foram instituídas medidas de proteção aos direitos do
trabalhador, como limitação de jornada, férias, repouso e lazer.

No Brasil,
nossa Constituição reconhece a necessidade de proteção do trabalhador, ao mesmo
tempo em que enfatiza o caráter liberal e não-intervencionista do Estado na
esfera individual. Assim, visto em conjunto com a valorização da condição
humana, o trabalho é tido como modo de reorganização do todo social e
necessário à promoção do bem comum.

A Moderna Versão do Trabalho Escravo – Redação do Enem de 2010

O Brasil foi
um dos primeiros países a reconhecer oficialmente a existência do trabalho
escravo em seu território, em 1995, perante a Organização Internacional do
Trabalho (OIT). Desde então, mais de 52 mil pessoas foram libertadas de
situações análogas à da escravidão. Esse tipo de tipo de mão de obra é normalmente
empregado na zona rural, mas não é raro nos depararmos com a mesma situação em
centros urbanos, especialmente na indústria têxtil, na construção civil e até no
mercado da exploração sexual.

Já o artigo
149 do Código Penal assim define trabalho escravo: “Reduzir alguém à condição
análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada
exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalhando, quer
restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com
o empregador ou preposto(…)”.

Assim, se
enquadram nesse conceito:

  • TRABALHO FORÇADO: o indivíduo se mantém praticamente refém do “empregador”, uma vez que, imerso em dívidas e em meio a ameaças físicas e psicológicas, fica totalmente impossibilitado de deixar o local ou ingressar em outra relação de trabalho.
  • JORNADA EXAUSTIVA: Como o próprio nome sugere, há a sujeição a uma jornada extremamente desgastante, sem direito a descanso, repouso e lazer, o que acaba comprometendo a saúde e a vida social e familiar;
  • SERVIDÃO POR DÍVIDA: por meio de cobranças ilegais de despesas com alimentação, transporte, moradia, etc, procede-se ao desconto abusivo desses valores do salário do trabalhador.
  • CONDIÇÕES DEGRADANTES: as condições precárias em que se desenvolvem as atividades são fatores que atentam contra a dignidade humana.
Redação do Enem de 2010 - Trabalho Escravo
Redação do Enem de 2010 – Trabalho Escravo

O Desafio na Interpretação da Proposta de Redação do Enem de 2010

O tema da redação do ENEM de 2010 mostrou-se relativamente amplo, se comparado a outras edições em que se optou por privilegiar problemas bem mais específicos da sociedade. O aluno se deparou, ao ler o título, com a complexa tarefa de desvendar qual caminho o examinador desejava que fosse seguido. A primeira ideia que poderia resultar da interpretação da frase “O Trabalho na Construção da Dignidade Humana”, era a de relacionar a importância do trabalho à visão que o indivíduo tem de si mesmo, estabelecendo uma conexão direta entre trabalho e autoestima, o que de fato não estaria errado.

Entretanto,
ao se debruçar sobre a leitura dos textos motivadores, o estudante naturalmente
acabaria sendo levado a tratar o assunto sob o viés social, já que os textos
cuidavam de dois aspectos cruciais do trabalho contemporâneo: a redução das
condições de trabalho à situação de semiescravidão e as mudanças que vêm
ocorrendo na forma como as pessoas trabalham nos dias atuais. Portanto, caso o
aluno optasse pelo enfoque psicológico, teria que tomar muito cuidado para
incluir a coletânea em sua proposta e não fugir da temática sugerida pelo
examinador.  

O primeiro
desafio, então, era o de perceber que o sentido da palavra “dignidade” estava
mais próximo de uma noção principiológica e situada dentro dos limites da
dimensão humana do que da esfera individual. Pretendeu-se, com isso, estender a
discussão para o contexto das desigualdades e injustiças sociais e históricas,
como é de costume na aplicação dessas provas. Portanto, preste bastante atenção:
de uma forma ou de outra, o ENEM acaba induzindo o estudante a refletir sobre a
realidade vivenciada no momento e dificilmente a proposição permanece alheia às
principais questões relativas à sociedade brasileira.

Uma
particularidade interessante que deveria ser observada era a estreita ligação
do tema com as circunstâncias históricas que o cercam. Mencionar a evolução das
relações de trabalho, pelo menos no que diz respeito ao território nacional,
era de fundamental importância, uma vez que as raízes do problema remontam a um
passado marcado pelo desequilíbrio nas relações socioeconômicas. Assim, as próprias
definições das diversas formas de trabalho, bem como a concepção de dignidade que
norteia a aplicação das normas constitucionais são, de certa forma, uma
resposta às questões levantadas pelo estudo sistemático do passado colonial e
pré-industrial brasileiro.  

Sendo assim,
uma boa sugestão seria a de iniciar a INTRODUÇÃO,
logo no primeiro parágrafo, situando a questão dentro da conjuntura histórica.
Com isso, já ficaria claro o posicionamento adotado, no sentido de
correlacionar os acontecimentos pretéritos e o cenário atual de degradação das
condições de trabalho. Um outro caminho possível seria concentrar a análise dos
fatos passados na fundamentação da ideia, durante o DESENVOLVIMENTO.

No entanto, acredito que a grande “sacada” para obter nota mil na redação do Enem de 2010 era realmente a de conseguir elaborar uma solução para conectar os textos de apoio. Este pode ser considerado o grande desafio do enunciado. De fato, extrair uma relação de causa e consequência, ou mesmo estabelecer um raciocínio dialético, confrontando as duas ideias, não se mostrou tarefa das mais simples nessa prova.  O aluno deveria dedicar alguns minutos a refletir sobre as possibilidades antes de tomar sua decisão a respeito da abordagem do tema.

Para
finalizar, era imprescindível manter a coerência e a coesão na argumentação. A
dissertação possui uma das formas mais rígidas de estruturar a composição e, por
esse motivo, organizar e estruturar a redação exige certa cautela. A proposta
de intervenção deve ser apresentada de forma clara e objetiva, com o
intuito de encerrar o assunto de maneira lógica e precisa. Assim, na CONCLUSÃO, o aluno deveria reforçar o
problema apontado e exposto ao longo do desenvolvimento, mas dedicar-se
principalmente a enumerar alternativas de solução a essas questões.

Acredito que
com esse roteiro você dificilmente terá dificuldades ou irá se perder em durante
a confecção de sua redação. Mas lembre-se: a leitura é muito importante, mas
não substitui a prática e treino constantes. Acostume-se a colocar em prática
as dicas que postamos por aqui, e sua habilidade com a escrita irá melhorar
rapidamente. O objetivo é exercitar até atingir a perfeição, combinado?

Em breve
postaremos novas análises sobre outros temas, e esperamos que você continue a
acompanhar nossas dicas e sugestões.

Um grande abraço,

Daniel dos Reis (Coordenador do Estratégia Enem)


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Créditos:

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