Formação de professores a distância dobra em 7 anos

SÃO PAULO – Seis em cada dez alunos brasileiros que ingressaram em cursos de graduação para formar professores em 2017 estavam na educação a distância (EAD). A participação dessa modalidade de ensino na formação docente vem crescendo nos últimos anos. Aposta para expandir o número de matrículas no ensino superior do País, o ensino a distância é alvo de críticas de parte dos especialistas, sob argumento de qualidade menor do que nos cursos presenciais.

Segundo levantamento do Todos pela Educação, com base em dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e do Ministério da Educação (MEC), o total de ingressantes nos cursos de formação de professores (Licenciaturas e Pedagogia) aumenta, puxado pela elevação na rede privada a distância.

Considerando só as faculdades particulares, a taxa de ingressantes na EAD subiu de 29% em 2010 para 53% em 2017 – foram 336,1 mil ingressantes para cursos virtuais na rede privada no ano retrasado, ante 128,5 mil em 2010.

Já em relação à quantidade global de matrículas (que leva em conta todos os matriculados naquele ano, incluindo veteranos e calouros), o total na rede privada EAD passou de 321,4 mil em 2010 para 632,7 mil em 2017 – ou seja, o número dobrou em 7 anos.

Se levadas em conta as redes privada e pública juntas, 61% dos ingressos nos cursos voltados à docência foram na modalidade EAD em 2017. Este porcentual era de 34% em 2010. As licenciaturas elevam o número de matrículas na modalidade a distância como um todo no Brasil. A parcela de novos alunos em cursos EAD para formação de professores é maior do que nos demais cursos de ensino superior (27%). A formação EAD também é comum em outras áreas, como de gestão, mas sofre resistência ou é proibida em setores tradicionais, como os da área de Saúde, Engenharias e Direito.

Curso online não pode substituir aula presencial na formação inicial, diz pesquisa

Segundo o levantamento do Todos pela Educação, de modo geral, o desempenho de cursos e estudantes da modalidade EAD é pior se comparado à modalidade presencial. Em relação aos cursos, há menor concentração de graduações online entre aquelas com melhor avaliação (conceitos 4 e 5) pelo Inep.

Já em relação aos formados em cursos online, 75% obtiveram nota inferior a 50 no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), em uma escala de 0 a 100. Já nas graduações presenciais voltadas à formação de professores, esse porcentual é de 65%. Para o Todos pela Educação, os dados levantam preocupações.

“Na formação inicial de professores, a educação a distância não deve ser uma modalidade de ensino que possa substituir uma formação presencial”, indica o Todos pela Educação, na pesquisa. Para o movimento, é fundamental que os futuros docentes tenham contato frequente com alunos e professores de escolas da educação básica, com colegas e com seus próprios professores durante o curso superior.

Para parte dos especialistas, porém, a modalidade cumpre o papel de levar a formação superior ao interior do Brasil e atingir diversos extratos socioeconômicos. A formação a distância é uma das estratégias para atingir a meta do Plano Nacional da Educação (PNE), que prevê taxa líquida de matrícula no ensino superior de 33% entre jovens de 18 a 24 anos até 2024. Apenas 18,1% dos jovens nessa faixa etária estão hoje no ensino superior.

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Fonte: PORTAL TERRA – NOTÍCIAS

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