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Função de privacidade do Facebook não entrega o que promete

Mark Zuckerberg, presidente executivo do Facebook, revelou nesta terça, 28, uma ferramenta para supostamente aumentar o controle de privacidade na plataforma. Isso, porém, não significa que a empresa deixará de receber dados sobre quem navega pela internet — essa opção não foi oferecida pela empresa.

Nova função de privacidade do Facebook não entrega tudo o que promete

Foto: Austin Distel/ Unsplash

O anúncio desta terça foi da “Atividade Fora do Facebook”, uma ferramenta que permite o usuário ver quais sites estão coletando dados e os enviando para a rede social. Posteriormente, essas informações são enviadas para que o Facebook mostre anúncios personalizados. A funcionalidade foi anunciada ainda em maio de 2018 na esteira do escândalo Cambridge Analytica, consultoria política que atuou na campanha de Donald Trump utilizou indevidamente dados de 87 milhões de contas da rede social.

“‘Atividade Fora do Facebook’ marca um novo nível de transparência e controle”, escreveu o executivo. De fato, a rede social aumentou o grau de transparência. A ferramenta mostra todos os sites que estão coletando dados sobre o usuário, da farmácia ao site de notícias favorito. É possível pedir até quais são essas informações, o que não fica pronto no momento do acesso — um arquivo é criado e entregue posteriormente.

Já a parte do controle é mais limitada. A ferramenta permite deletar o histórico de dados compartilhados — o que significa que os dados não deixarão de ser recolhidos no segundo seguinte, quando o usuário navegar por uma nova página da web. O Facebook diz que permite o usuário disassociar o seu perfil de atividades fora da rede social. Ou seja, com a ferramenta acionada, um usuário que visitou uma livraria virtual não teria essas informações associadas ao seu perfil.

Isso, porém, não significa que o Facebook deixará de receber essas informações. Nesse caso, a rede social acaba com duas classificações para dados vindos de terceiros: há informações que serão associadas a perfis na rede social e as que não serão. No segundo caso, os dados sem perfis específicos acabam ajudando a montar perfis gerais com gostos e práticas de pessoas que navegam pela web, o que também ajudam a vender anúncios personalizados. A empresa pode detectar, por exemplo, que quem visita livrarias virtuais também gosta de visitar páginas sobre sapatos e, assim, criar anúncios para esse tipo de comportamento.

Zuckerberg, porém, não escreveu isso no seu post no qual promete controle. O usuário só descobre que continuará a ser monitorado ao usar a ferramenta. Lá aparece a mensagem: “Continuaremos a receber sua atividade das empresas e organizações que você visitar no futuro”. Pior: não há opção para desabilitar esse trânsito de informações, ainda que o monitoramento seja feito inicialmente pelos sites e não pelo Facebook.

Isso mostra que o modelo do Facebook já transcendeu aquilo que está contido em suas páginas, e não depende mais disso para gerar dinheiro — ajuda também a reforçar a ideia de que o Facebook mantém há anos “perfis fantasmas” (conhecidos em inglês como shadow profiles), perfis montados pela rede social sobre pessoas que não estão cadastrados no serviço. Durante muito tempo, o Facebook negou a existência desses perfis, mas acabou admitindo a prática em 2018 após o escândalo Cambridge Analytica. Mark Zuckerberg revelou a existência dos perfis fantasmas em seu testemunho na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos em abril daquele ano.

Procurada pela reportagem, o Facebook ainda não comentou sobre o assunto.

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Estadão

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Fonte: PORTAL TERRA – TECNOLOGIA

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