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Futebol pós-pandemia em todos os estaduais está duríssimo – de ver – Esportes





Palmeiras um, Ponte Preta zero foi um jogo tecnicamente aceitável – mas é preciso ir com calma.


Verdão e Timão estão nas duas partidas finais do Paulista 2020, na quarta-feira (2) e no sábado (8).


No primeiro tempo de Palmeiras e Ponte, no Allianz Parque, houve alguma movimentação, 12 finalizações do time da casa, cinco da Macaca, certa atitude dos dois times, duas oportunidades perdidas pelo ligeiro Rony e três por William Bigode. Uma bola na trave na Ponte Preta, que surpreendentemente deixou o Verdão mais solto do que deveria no Allianz Parque. Acabou por ser fatal.


E um gol de fora da área, aos 45 minutos da primeira etapa, de Patrick de Paula, 20 anos, melhor jogador do Palmeiras e da partida na primeira etapa, ao lado do outro jovem do meio campo, Gabriel Menino, que acionou os atacantes nas melhores oportunidades de gol. Um terceiro volante, Ramires, completou o meio campo do Verdão.


A Ponte não se intimidou no segundo tempo e buscou o empate, apesar da inferioridade técnica. Com o aperto da Ponte, o Palmeiras diminuiu o ímpeto e a coragem no ataque. Com isso, apesar do Verdão ter perdido duas boas oportunidades na segunda etapa, a qualidade do jogo caiu drasticamente em relação ao primeiro tempo.


Gabriel Menino, Patrick de Paula e Ramires formam a melhor opção atual do técnico Vanderlei Luxemburgo para o setor atualmente. Na Ponte, o veloz lateral-direito Apodi travou bom duelo com Rony pela esquerda do ataque palmeirense até ser substituído, aos 33 minutos da segunda etapa.


O primeiro tempo deste Palmeiras e Ponte Preta foi o único período de jogo no pós-pandemia no país de nível minimamente compatível com a tradição do futebol brasileiro. Ainda assim, a ressalva de que a consideração está sendo feita com dose considerável de boa vontade é absolutamente necessária.


De resto, dos amistosos de norte a sul às partidas do Estadual do Rio de Janeiro, todos os jogos desse retorno – rigorosa e absolutamente todos – foram e estão duríssimos… de ver.


De encarar.


De tesourar pouco mais de duas horas dos sábados, domingos e finais de noite, nos meios de semana, para acompanhar essas jornadas carregadas de melancolia e mau futebol.


É chato e incômodo malhar partida de futebol como produto. Mas convenhamos: está difícil de segurar com a mão tanta monotonia – e a frieza asséptica e destilada dos estádios vazios só ajuda a fortalecer o climão reinante de modorra.


Quanto jogo de bola ruim para tudo o que é lado, Dio nostro…


A coisa começou no pobre retorno do Estadual do Rio. Nem categoria do elenco do Flamengo, que deu o tom do bom futebol na temporada 2019, foi capaz desviar as partidas da reta final do campeonato do “inebriante e sedutor” caminho da mediocridade.


Abalado com a perspectiva de perder Jorge Jesus, e vendo o treinador estranhamente apático à beira do campo, o elenco rubro-negro atuou de forma medíocre nos jogos finais contra o Fluminense. Só levou o título pelo imenso abismo técnico que separa, a seu favor, os dois grupos.


A falta de inspiração prosseguiu firme e forte nos campeonatos paulista, mineiro, gaúcho e de norte a sul pelo país afora. Falemos sério e cá entre nós: o nível técnico dos jogos do Paulista após o retorno também está de matar.


E isso em todos eles, sem qualquer exceção. Não houve até agora uma partida sequer em campos paulistas, no pós-pandemia, com qualidade minimamente digna, do início ao fim, da história do futebol brasileiro. Mesmo o Verdão e Macaca deste domingo (2), de aceitável primeiro tempo, pecou muito na etapa final.


Para não variar e manter a “tradição”, Corinthians e Mirassol deram sequência à saga de partidas que parecem ser disputadas aos cotovelos.


O primeiro tempo do Corinthians contra o Mirassol foi de uma dureza comovente em meio ao domingão nublado e frio. Com Jô longe da forma ideal e sem mobilidade, um meio de campo sem jogadas de profundidade e um ataque encaixotado pela defesa do time do interior, o Timão passou toda a primeira etapa num cerca Lourenço improdutivo, bolinha-bolinha, de sua defesa até a intermediária adversária. Chatice…


Apesar da posse de bola bem maior, em algum momento superior a 60%, o Corinthians conseguiu ter menos finalizações do que o Mirassol em bons períodos do primeiro tempo.


O jogo modorrento, com o Corinthians encaixotado e o Mirassol esperando “a bola” do contra-ataque, seguiu pela segunda etapa.


O cenário só melhorou um pouco para o Timão – não pela qualidade técnica do espetáculo, muito longe disso, mas pelo resultado – a partir dos 14 minutos da segunda etapa, com a expulsão do meio campo Juninho, do Mirassol, por um pisada imprudente no tornozelo direito de Carlos Augusto.


Aos 26, doze minutos depois do cartão vermelho dado a Juninho, Éderson fez o gol do Corinthians em mais um chute forte, com efeito, de fora da área, que enganou o goleiro Kewin. Os arremates de longe estão virando especialidade do volante corintiano.


A expulsão e o gol desmontaram o 3-5-2 e a estratégia do técnico do Mirassol, Ricardo Catalá, de tentar primeiro a vitória por “bolas vadias” nos contra-ataques e, depois, a sorte nos pênaltis.


O Corinthians tentou, sem sucesso, aproveitar-se das vantagens no placar e em campo para fazer mais gols. O que, a rigor, foi justíssimo diante da pobreza do futebol jogado em quase todo o tempo da partida.


Ao Mirassol, parabéns por ter chegado tão longe na competição, de forma digna, mesmo com 18 jogadores do elenco, entre eles oito titulares, vetados na reta final por estarem contaminados com o coronavírus.


Ao Corinthians, felicitações pela quarta final consecutiva no Paulista. A turma adora o tal do “deixaram chegar”. A conferir se chegará de fato.


Resta torcer muito para que Palmeiras e Corinthians “salvem” ao menos em parte essa etapa de retorno nos estaduais, apesar das faltas de inspiração e de qualidade que, a rigor, a exemplo do que ocorre com a Covid-19, são hoje pandêmicas nos campos do Oiapoque ao Chuí.

Fonte: R7

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