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Gig Economy: o que é e como essa tendência está transformando as empresas

O termo pode soar como novidade, mas seu funcionamento é bastante conhecido

As relações trabalhistas mudam com o passar do tempo. Para confirmar isso na prática, basta comparar o mercado de trabalho de hoje com o que se via há 30, 20, 10 ou até 5 anos e ver como as diferenças são nítidas.

Contratações feitas com carteira assinada, jornada de trabalho definida, benefícios e remuneração por hora ainda existem e devem se manter assim por um bom tempo, mas há um conceito interessante que mudou muitas dessas relações trabalhistas: Gig Economy.

Vamos entender exatamente em que consiste este conceito, desde quando ele existe e como impacta diretamente no mercado de trabalho, capaz de fazer com que alguns trabalhadores mudem sua maneira de pensar e se planejar para continuar a ter boas oportunidades profissionais.

O que é Gig Economy?

É um termo que representa o ato de contratar funcionários temporários, com jornadas de trabalho flexíveis, sejam eles colaboradores independentes ou freelancers, ao invés de recorrer às contratações por tempo integral. Eles podem trabalhar tanto fisicamente no local quanto remotamente.

Neste conceito, os trabalhadores podem prestar seus serviços para várias empresas sem que precisem estar limitados a apenas uma, seja para aumentar a renda, melhorar o currículo para o mercado ou mesmo preencher seu tempo da melhor maneira possível.

Não há uma tradução literal para o termo, dado que “Gig” quer dizer apresentação, entre outros significados ainda menos relacionados com este conceito. Por isso, ele costuma ser utilizado em inglês.

A Gig Economy é capaz de enfraquecer a economia tradicional, em que os colaboradores trabalham em tempo integral e não trocam de função e cargo com tanta constância, com o objetivo de se concentrar em um plano de carreira duradouro.

Com isso, o número de trabalhadores de uma empresa pode aumentar, tendo eles jornadas parciais ou contratos temporários. Como resultado, a mão de obra se torna mais barata e a eficiência dos serviços prestados tende a aumentar, já que o desempenho está diretamente relacionado com a remuneração.

Pode-se citar como alguns exemplos de Gig Economy empresas como Uber, Uber Eats, 99, iFood (para entregadores) e Airbnb, entre outras, ou seja, quando bem aplicada, os resultados podem dar muito certo, o que fica comprovado pelo tamanho de tais companhias.

Não são apenas grandes players que recorrem a ela. Em tese, qualquer empresa pode optar por esse método para reduzir seus custos sem abrir mão da eficiência, o que, por sua vez, pode ser a chave para seu crescimento em um mercado cada vez mais competitivo.

Quando surgiu a Gig Economy?

Os exemplos que demos são de companhias relativamente novas e que já fazem parte de nosso cotidiano. Porém, engana-se quem pensa que essa modalidade existe há pouco tempo.

Na história, pesquisadores compararam o Gig Work (trabalho na forma da Gig Economy) ao Piece Work, que consiste em qualquer tipo de relação trabalhista em que um colaborador recebe um valor fixo por cada unidade produzida ou ação realizada, independentemente de quanto tempo isso leve.

O termo Piece Work aparece em registros datados de 1549, o que significa que deve ter sido em torno dessa época que ele começou a existir, ou seja, há quase 500 anos.

Já no século XX, em 1915, músicos de jazz passaram a se referir aos serviços confirmados (os jobs de hoje em dia) como Gig.

Na década de 1940, devido à 2ª Guerra Mundial, grandes empresas começaram a oferecer serviços baseados na modalidade Gig, com empregos temporários para suprir a mão de obra de empresas que não davam conta de sua produção ou desempenho.

Mais recentemente, em 1995, surge o site Craigslist, não muito conhecido no Brasil, mas que tinha classificados de trabalhos, itens para venda e com interesse de compra, serviços, habitação e afins. No início, sua área de atuação era São Francisco, na Califórnia, mas hoje ele se estendeu para mais de 60 países.

Em 1999, surgiu o site Elance, hoje Upwork. Então, a internet começou a fazer a Gig Economy crescer, com o surgimento de Airbnb (2008), Uber (2009) e Lyft (2012).

A tendência foi tamanha que, em 2014, trabalhadores do Reino Unido passaram a ter o direito de requerer jornadas flexíveis de trabalho depois de estarem empregados em tempo integral por mais de 26 semanas, o que representa aproximadamente 6 meses.

Isso deixa claro como a Gig Economy literalmente ganhou o mundo, com reflexos diretos nas relações trabalhistas existentes, inclusive no Brasil.

Como é o panorama da Gig Economy hoje?

Bastante favorável, o que pode ser comprovado tanto na prática quanto nas estatísticas, como as seguintes, acompanhadas de suas respectivas fontes:

  • Aproximadamente 36% dos trabalhadores dos Estados Unidos estão envolvidos com a Gig Economy de alguma forma (The Gig Economy and Alternative Work Arrangements, estudo da Gallup).

  • 40% dos trabalhadores que moram nos Estados Unidos geram uma boa parte de seus rendimentos pela Gig Economy (Gig Economy Index, PYMNTS)

  • Em 2018, trabalhadores independentes dos Estados Unidos gastaram um bilhão de horas por semana em atividades como freelancer (5th Annual Report – Freelancing in America 2018, Upwork e Freelancers Union).

  • No Brasil, o trabalho por conta própria alcançou 24,033 milhões de pessoas entre março e maio de 2019, o que instituiu um recorde na série histórica. O número de pessoas aumentou em 1,170 milhão em um ano e em 322 mil em um trimestre (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios [Pnad] Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE]).

Como podemos ver, os reflexos também impactaram no Brasil. Ainda que nem todos os trabalhadores por conta própria estejam necessariamente sob o âmbito da Gig Economy, seu crescimento é notável, o que pode aumentar graças às inconstâncias do mercado profissional.

As empresas têm muito a ganhar com essa alternativa, já que conseguem economizar na contratação de profissionais e escolhê-los a dedo, mesmo que estejam distantes, já que o trabalho remoto também é uma realidade hoje em dia.

Os trabalhadores, por sua vez, podem oferecer seus serviços para diferentes empresas, o que melhora sua condição profissional e abre boas oportunidades a curto, médio e longo prazo.

O passar do tempo e a tecnologia trazem novidades para o mercado de trabalho, como o RH digital, que é uma realidade, e a Gig Economy também está no mesmo caminho. Se hoje ela já é forte, a tendência é de que cresça ainda mais, o que é benéfico para os trabalhadores, as empresas e o mercado como um todo.

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