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Ibovespa sobe e fecha acima de 119 mil pontos com melhora externa e Orçamento no radar; dólar fica estável

(Shutterstock)

SÃO PAULO – Após abrir o dia em queda, o Ibovespa ganhou força durante a tarde desta terça-feira (13) e fechou acima da marca de 119 mil pontos, apesar de perder força no fim do pregão. O movimento foi próximo do que se viu nos Estados Unidos, onde os índices abriram em queda, mas o S&P 500 e Nasdaq encerraram no positivo.

Os investidores ficam de olho ao noticiário político local, com destaque para a discussão do Orçamento após surgir no radar uma PEC defendida pelo ministro da Economia Paulo Guedes para retirar despesas da pandemia do teto de gastos. Seriam excluídas da regra fiscal as despesas com saúde, o BEm, o Pronampe, além de medidas tidas como emergenciais de outros ministérios.

Ao todo, a medida permitiria cerca de R$ 35 bilhões em gastos fora do teto e também levaria a um maior espaço para acomodar as emendas parlamentares dos congressistas, resolvendo o imbróglio entre Executivo e Legislativo.

Contudo, integrantes do Palácio do Planalto e do Ministério da Economia acreditam que a PEC “dificilmente deve vingar”, segundo apuração da equipe XP Política. Além disso, a sugestão da PEC seria vista com desconfiança no Planalto e no Congresso, pois “não dispensaria a necessidade de veto ao Orçamento por não resolver, em tese, o problema de subestimação de despesas obrigatórias.”.

Já no exterior, o dia foi marcado por volatilidade. Mais cedo, os índices chegaram a cair mais forte após a Food and Drug Administration (FDA) recomendar uma pausa no uso da vacina da Johnson & Johnson na campanha de vacinação contra o coronavírus nos EUA após relatos de casos de coagulação do sangue.

Apesar da notícia, a Casa Branca emitiu um comunicado dizendo que não espera um problema no programa de vacinação do país. “Este anúncio não terá um impacto significativo em nosso plano de vacinação”, disse Jeff Zients, coordenador de resposta à Covid-19 da Casa Branca.

Ainda nos EUA, a inflação medida pelo CPI (Índice de Preços ao Consumidor) registrou alta de 0,6% em março na comparação com fevereiro, chegando a 2,6% no acumulado de doze meses. A expectativa, de acordo com projeção da Refinitiv, era de alta de 0,5% na base mensal e de 2,5% na anual.

Apesar de ter vindo levemente acima do esperado, o dado não corroborou as expectativas de mudança na política monetária americana. Com isso, o CPI fez com que os rendimentos dos títulos do Tesouro (Treasuries) virassem para queda, o que pesou no câmbio, levando o dólar a recuar contra o real no início da tarde.

O benchmark da bolsa brasileira fechou com alta de 0,41%, a 119.297 pontos, com volume financeiro de R$ 29,090 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial teve leve queda de 0,08% a R$ 5,717 na compra e a R$ 5,718 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em maio recua 0,48% a R$ 5,717 no after market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu cinco pontos-base a 4,78%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de 11 pontos-base a 6,71%, o DI para janeiro de 2025 avançou 11 pontos-base a 8,39% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação positiva de nove pontos-base a 9,02%.

Ainda por aqui, as vendas do comércio varejista subiram 0,6% em fevereiro de 2021 ante janeiro, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Assim, após dois meses consecutivos com variações negativas somando queda de 6,3%, o volume de vendas do comércio varejista nacional voltou a crescer. O varejo se encontra agora no mesmo patamar de setembro de 2020 e 0,4% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020).

O resultado foi em linha com o esperado. A estimativa, de acordo com consenso Refinitiv, era de alta de 0,6% na comparação com janeiro e de baixa de 3,9% na comparação com fevereiro de 2020 (baixa efetiva foi de 3,8%).

As bolsas asiáticas fecharam em sua maioria em alta na terça-feira, apesar da divulgação de dados indicando que as exportações chinesas saltaram 30,6% em março em relação a um ano antes, em dólares. O patamar fica abaixo da expectativa de alta de 35,5% de analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters.

As importações em dólares subiram 38,1% em março na comparação com um ano antes, excedendo a alta de 23,3% prevista por analistas.

A China Eastern Airline anunciou na segunda-feira que elevará sua participação na europeia Air France KLM, após contribuir com US$1,2 bilhão sobre a emissão de ações.

Os mercados europeus tiveram leves altas. Dados oficiais publicados na terça indicam alta de 0,4% no PIB do Reino Unido em fevereiro, levemente abaixo da expectativa de economistas, de expansão de 0,6%. A produção manufatureira aumentou 1,3%, acima da expectativa de ganho de 0,5%, enquanto a produção no setor de serviços cresceu 0,2%, abaixo das projeções de crescimento de 0,6%.

Ainda em destaque, nesta terça-feira acontece, a partir das 18h30, novo painel da série Super Lives – 1 ano de pandemia. O tema é “O Novo Trabalho” e contará com a participação de Ana Carolina Azevedo (líder de RH do Google para a América Latina), Mariana Talarico (diretora de cultura e desenvolvimento da Natura&Co América Latina) e Marta Pinheiro (diretora de ESG da XP). Confira a programação completa clicando aqui.

Recorde na média de mortes e disputa por CPI da Covid

Na segunda (12), o Brasil voltou a bater seu recorde de mortes por Covid na média móvel de sete dias, com 3.125 casos, alta de 15% frente à média de 14 dias atrás. Em apenas um dia foram registradas 1.738 mortes.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de segunda, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 71.174, queda de 6% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 38.866 casos.

23.847.792 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a covid no Brasil, o equivalente a 11,26% da população. A segunda dose foi aplicada em 7.391.544 pessoas, ou 3,49% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

Em um telefonema com Jorge Kajuru (Cidadania-GO) divulgado no domingo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cobra que o escopo da CPI da Covid seja ampliado para incluir governadores e prefeitos. Em um áudio vazado por Kajuru, Bolsonaro afirma que a CPI seria “completamente direcionada” a ele, e poderia terminar com um “relatório sacana”.

“Olha só, o que você tem que fazer. Tem que mudar o objetivo da CPI, tem que ser ampla. Daí você vai fazer um excelente trabalho para o Brasil“, afirma Bolsonaro a Kajuru. “Se mudar (o objeto da CPI), dez para você, porque nós não temos nada a esconder.”

Em conversa com apoiadores na segunda, Bolsonaro afirmou que Kajuru deveria divulgar mais trechos do áudio: “Não é vazar. É te gravar. A gravação é só com autorização judicial. Agora, gravar o presidente e divulgar… E outra, só para controle, falei mais coisas naquela conversa lá. Pode divulgar tudo da minha parte, tá?”.

Mais tarde na segunda, Kajuru revelou um novo trecho da gravação, durante entrevista à Rádio Bandeirantes. Nele, o presidente fala em “sair na porrada” com o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). “Se você não participa (da CPI), daí a canalhada lá do Randolfe Rodrigues vai participar. E vai começar a encher o saco. Daí, vou ter que sair na porrada com um bosta desses”, disse Bolsonaro a Kajuru. Bolsonaro vem pressionando para que a comissão se debruce sobre ações de governadores e prefeitos.

O presidente reage à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, que determinou ao Senado que instale uma CPI da Covid para investigar exclusivamente ações do governo federal no enfrentamento à pandemia, como foi pleiteado inicialmente.

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) já obteve assinaturas suficientes para pedir uma CPI ampliada da Covid que investigaria, além de ações do governo Jair Bolsonaro, a gestão de governadores e prefeitos.

Durante solenidade de troca do Comando da Aeronáutica na segunda, o ministro da Defesa, general Walter Braga Neto, defendeu a investigação de prefeitos e governadores: “O governo federal atuou desde o início da crise, em fevereiro de 2020, e disponibilizou mais de R$ 700 bilhões para o apoio a Estados e municípios, para viabilizar o auxílio emergencial e para apoiar micro e pequenas empresas (…) O uso desses recursos por esses gestores de todas as instâncias, federal, estadual e municipal, deve ser acompanhado de perto pela população e sofrer apuração mais rigorosa para constatar os reais benefícios diretos para a sociedade”.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), vai consultar a Secretaria-Geral da Casa para decidir se é possível investigar ações de governadores e prefeitos na CPI da Covid, disse à agência internacional de notícias Reuters uma fonte com conhecimento do assunto na segunda.

Além disso, em nota conjunta na segunda-feira, os ministérios das Relações Exteriores e da Saúde afirmaram que o Brasil vai receber em junho 842.800 doses da vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Pfizer em parceria com a BioNTech, por meio do consórcio global de acesso a imunizantes Covax Facility, liderada pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Até o momento, o Brasil recebeu, como parte desta iniciativa, pouco mais de 1 milhão de doses da vacina desenvolvida em parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford. Essas remessas do consórcio não fazem parte de acordos separados do governo com as empresas. A nota afirma que o Ministério da Saúde tem 42,5 milhões de doses de vacinas contratadas por meio da Covax Facility.

Também na segunda, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária informou nesta segunda-feira que a inspeção que fará em uma das fábricas da vacina contra Covid-19 Sputnik V na Rússia foi adiada em alguns dias, e agora ocorrerá no mesmo período de visita a outra fabricante do imunizante. O adiamento foi solicitado pelo Fundo Soberano Russo, responsável pela comercialização da vacina desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, de Moscou.

PEC abarcaria gastos extraordinários

Em meio à disputa sobre a CPI da Covid, ganhou repercussão ontem uma possível PEC defendida por Paulo Guedes e Ministério da Economia para retirar despesas da pandemia do teto de gastos, segundo informou o jornal O Estado de S. Paulo. Seriam excluídas da regra fiscal as despesas com saúde, o BEm, o Pronampe, além de medidas tidas como emergenciais de outros ministérios. Ao todo, a medida permitiria cerca de R$ 35 bilhões em gastos fora do teto e também levaria a um maior espaço para acomodar as emendas parlamentares dos congressistas, resolvendo o imbróglio entre Executivo e Legislativo.

Contudo, integrantes do Palácio do Planalto e do Ministério da Economia acreditam que a PEC “dificilmente deve vingar”, segundo apuração da equipe XP Política. Além disso, a sugestão da PEC seria vista com desconfiança no Planalto e no Congresso, pois “não dispensaria a necessidade de veto ao Orçamento por não resolver, em tese, o problema de subestimação de despesas obrigatórias.”.

Sem peça orçamentária aprovada para 2021, o governo deve enviar na quinta-feira o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO de 2022) com déficit primário estimado em R$ 170 bilhões, segundo informações do Valor.

O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, defendeu na segunda que o Brasil transmita uma mensagem de austeridade fiscal. Ele disse avaliar que gastos adicionais seriam contraproducentes.

“O que nós vemos hoje é que, quando se tenta um gasto adicional, a desorganização de preços que se causa no mercado tem um impacto maior no crescimento do que o dinheiro que se coloca na economia, então ele não é producente”, disse Campos Neto durante reunião de banqueiros centrais ibero-americanos.

O presidente do BC ressaltou que o Brasil tem uma tradição de “sempre exaurir graus de liberdade” na área fiscal e que, nos últimos 45 anos, só teve dois anos de equilíbrio de gastos.

“Nos outros anos nós basicamente usamos diferentes graus de liberdade. Primeiro com inflação alta, que corroía a dívida, depois com impostos mais altos e depois com emissão de dívida”, disse Campos Neto.

Radar corporativo

O destaque do noticiário corporativo fica para a assembleia de acionistas da Petrobras para a formação do Conselho da estatal. Entre os eleitos está o general Joaquim Silva e Luna, substituto de Roberto Castello Branco. O executivo foi demitido pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, e deixou a estatal nesta segunda-feira, 12.

A definição do conselho de administração da Petrobras estava sendo aguardada pelo mercado financeiro. Isso porque vai ficar nas mãos dos seus membros a responsabilidade de decidir possíveis mudanças de rota na gestão da empresa. Há dúvidas, por exemplo, se os novos gestores vão manter a atual política de reajustes de preços dos combustíveis e também o programa de venda de ativos da companhia, conduzidos até então por Castello Branco.

A Petrobras ainda informou que concluiu ontem a oferta de recompra de títulos globais efetuada pela sua subsidiária integral Petrobras Global Finance B.V. (PGF). O volume de principal validamente entregue pelos investidores, excluídos juros capitalizados e não pagos, foi de US$ 2,496 bilhões. O montante total pago a esses investidores foi de cerca de US$ 2,72 bilhões, considerando os preços ofertados pela Petrobras e excluindo os juros capitalizados até a data de liquidação.

Como o montante total ofertado pelos investidores na oferta de recompra ficou dentro do limite de US$ 3,5 bilhões previamente estabelecido, o volume total ofertado em cada uma das séries foi aceito.

Ainda no radar das estatais, o Banco do Brasil comunicou ontem a renúncia de Julio Cesar Rodrigues da Silva ao cargo de diretor comercial de Varejo, com efeitos a partir de hoje.

Entre outras mudanças na administração, Bruno Giardino Roschel de Araujo renunciou ao cargo de Diretor de Relações com Investidores da Cogna, passando a atuar exclusivamente como Diretor Financeiro e de Relações com Investidores da subsidiária da Companhia, Vasta Platform. O Conselho da Cogna elegeu Frederico da Cunha Villa para ocupar o cargo de Diretor de Relações com Investidores, acumulando os cargos de Diretor Financeiro e Diretor de Relações com Investidores.

A PetroRio, por sua vez, anunciou a eleição de Milton Salgado Rangel Neto ao cargo de Diretor Financeiro. Em reunião realizada em 09 de abril, o Conselho de Administração deliberou pela alteração da designação de Roberto Bernardes Monteiro, que deixa a atribuição de Diretor Financeiro, e pela eleição de Rangel Neto como Diretor Financeiro.

Já no noticiário da Oi, a companhia realiza áudio-conferência nesta terça às 11h após a companhia aceitar a proposta vinculante revisada apresentada pelo Grupo BTG para a aquisição parcial da InfraCo, divisão especializada em fibra óptica da operadora de telecomunicações em recuperação judicial.

Maiores altas

Ativo Variação % Valor (R$)
LAME4 10.35422 24.3
BTOW3 8.84676 68.9
PCAR3 5.64865 39.09
COGN3 4.64548 4.28
IGTA3 4.47965 38.25

Maiores baixas

Ativo Variação % Valor (R$)
ENEV3 -6.866 16.82
MRVE3 -2.32432 18.07
MRFG3 -2.19298 17.84
ECOR3 -2.05128 11.46
RAIL3 -1.95313 20.08

Ainda em destaque, Cyrela, Direcional e Moura Dubeux divulgaram prévias operacionais referentes ao primeiro trimestre de 2021.

A Cyrela teve queda de 60,4% nos lançamentos do primeiro trimestre ante o mesmo período do ano passado, mas as vendas avançaram cerca de 22%. Os lançamentos de imóveis da companhia somaram R$ 421 milhões de janeiro ao fim de março ante R$ 1,065 bilhão lançado no primeiro trimestre de 2020. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, os lançamentos recuaram 85,3%, informou a empresa.

Já a Direcional Engenharia teve recorde de vendas nos primeiros três meses do ano. As vendas líquidas contratadas da companhia somaram R$ 515 milhões no primeiro trimestre, avanço de 73% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a empresa, março foi o melhor mês de vendas de sua história, indicando a continuidade da “forte demanda que já vinha sendo observada no decorrer de 2020”. Já os lançamentos consolidados somaram R$ 575 milhões no primeiro trimestre de 2021, salto de 311% em comparação com o mesmo período de 2020.

A Moura Dubeux teve R$ 269 milhões, valor 248% superior ao registrado no mesmo período de 2020, em vendas e adesões no primeiro trimestre deste ano. Entre janeiro e março, a companhia adquiriu sete terrenos, com VGV bruto de R$ 633 milhões. Com isso, o estoque de área da empresa foi de R$ 4 bilhões.

Por fim, após a alta de quase 10% na véspera de suas ações, o Grupo Pão de Açúcar  informo que seu controlador, o Casino, está avaliando operações de mercado para suas subsidiárias Cnova, no qual o GPA detém 34,17% do capital social, e GreenYellow, de energia renovável.

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Fonte: Infomoney

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